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Atualizado: 18 minutos 24 segundos atrás

Governo libera R$ 102,8 mil para combater sarampo em Pacaraima

sex, 24/08/2018 - 12:35

Portaria do Ministério da Saúde, publicada hoje (24) no Diário Oficial da União, autoriza o repasse de R$ 102.834 do Fundo Nacional de Saúde para o Fundo Municipal de Saúde de Pararaima (RR), com o objetivo de auxiliar no combate ao surto de sarampo na região.

Os recursos serão usados para a implementação de ações de vigilância epidemiológica, laboratorial, imunizações e para educação em saúde.

A preocupação com o surto de sarampo na cidade, em meio à entrada de milhares de venezuelanos no Brasil, foi uma das argumentações apresentadas pelo governo de Roraima, no novo pedido de fechamento da fronteira, encaminhado no dia 20 ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido já foi contestado pela Advocacia-Geral da União e, agora, aguarda decisão da Justiça.

No pedido de liminar feito pelo estado ao STF, foi solicitado que a Suprema Corte determine ao governo federal a implementação de barreiras sanitárias a fim de evitar epidemias de sarampo, malária e outras doenças. Também foi pedida a manutenção de hospitais de campanha do Exército e o envio dos venezuelanos a outros estados.

Vendas no Tesouro Direto superam resgates em R$ 273,6 milhões

sex, 24/08/2018 - 12:30

As vendas do Tesouro Direto superaram os resgates em R$ 273,6 milhões em julho. De acordo com os dados do Tesouro Nacional, divulgados hoje (24), as vendas do programa atingiram R$ 1,189 bilhão no mês passado. Já os resgates totalizaram R$ 915,9 milhões.

Do total de resgates, a maior parte – R$ 853,5 milhões – é relativa às recompras de títulos públicos pelo Tesouro e R$ 62,4 milhões aos vencimentos (papéis cujo prazo acabaram, fazendo o Tesouro reembolsar os investidores com juros).

Os títulos mais procurado pelos investidores foram os vinculados à taxa Selic (juros básicos da economia), cuja participação nas vendas atingiu 47,8%. Os títulos corrigidos pela inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-IPCA) corresponderam a 32,4% do total da vendas, enquanto os prefixados, com juros definidos no momento da emissão, foram 19,8%.

O estoque total do Tesouro Direto somou R$ R$ 49,6 bilhões no fim de julho, um aumento de 1,6% em relação a junho (R$ 48,8 bilhões) e de 4,9% em relação a julho do ano passado (R$ 47,3 bilhões). Apesar do resgate líquido dos últimos meses, o estoque cresceu por causa do rendimento dos papéis.

Investimentos

Em relação ao número de investidores, 107.600 novos participantes cadastraram-se no programa no mês passado. O número total de investidores cadastrados atingiu 2.397.549. Nos últimos 12 meses, o total de investidores acumula alta de 55,7%. O número de investidores ativos (com operações em aberto) chegou a 636.107, aumento de 22,2% nos últimos doze meses.

A utilização do Tesouro Direto por pequenos investidores pode ser observada pelo considerável número de vendas até R$ 5 mil. Foram realizadas, no mês de julho, 215.255 operações de venda de títulos a investidores, sendo que 84,5% correspondem a essa faixa de investimento. O valor médio por operação foi de R$ 5.525,82.

Os investidores continuam preferindo papéis de prazo mais curto. Os títulos de um a cinco anos concentraram 53,6% das vendas. Os papéis de cinco a dez anos corresponderam a 29,1%, e os papéis de mais de dez anos de prazo representaram apenas 17,3% das vendas.

Captação de recursos

O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar esse tipo de aplicação e permitir que pessoas físicas pudessem adquirir títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional, via internet, sem intermediação de agentes financeiros. O aplicador só tem de pagar uma taxa à corretora responsável pela custódia dos títulos. Mais informações podem ser obtidas no site do Tesouro Direto.

A venda de títulos é uma das formas que o governo tem de captar recursos para pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro Nacional se compromete a devolver o valor com um adicional que pode variar de acordo com a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa definida antecipadamente no caso dos papéis prefixados.

Desde o fim de maio, as vendas do Tesouro Direto têm sido paralisadas por diversos dias. Ontem (23), por exemplo, elas foram suspensas às 14h05, com normalização por volta das 15h15. Segundo o Tesouro Nacional, a suspensão dos leilões é necessária para proteger os investidores das turbulências do mercado.

Comandante do Exército cobra mais empenho do governo do Rio

sex, 24/08/2018 - 12:22

Em mensagem lida hoje (24) na cerimônia em comemoração ao Dia do Soldado, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse que após meses da intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro setores do governo local se emprenharam pouco em tomar medidas para modificar os baixos índices de desenvolvimento humano que propiciam a proliferação da violência

“Passados seis meses, apesar do trabalho intenso de seus responsáveis, da aprovação do povo e de estatística que demonstram a diminuição dos níveis de criminalidade, o componente militar é, aparentemente, o único a engajar-se na missão”, disse.

O comandante do Exército ressaltou que “exigem-se soluções de curto prazo, contudo, nenhum outro setor dos governos locais empenhou-se com base em medidas socioeconômicas para modificar os baixos índices de desenvolvimento humano, o que mantém o ambiente propício à proliferação da violência”.

Na mensagem, o general Villas Bôas disse que vivemos no país uma era de conflitos e incertezas, em que “se perdeu a disciplina social, a noção de autoridade e o respeito às tradições e aos valores”. Disse ainda que o Brasil é “um grande país que não consegue vislumbrar um projeto para seu futuro, nem, tampouco, identificar qual o papel a exercer no concerto das nações”.

Na mensagem presidencial, Michel Temer também citou a atuação dos militares no Rio de Janeiro e disse que será cumprida a “tarefa imperiosa” de devolver a ordem pública ao estado.

Temer e Villas Bôas homenagearam os três militares mortos nesta semana durante operações no Rio de Janeiro: o cabo Fabiano de Oliveira Santos, o soldado Marcus Vinícius Viana e o soldado João Viktor da Silva.

“Hoje uma nação agradecida honra a memória dos militares que pereceram ao desempenho de sua missão. Nesta ocasião voltamos nosso pensamento muito especialmente ao cabo Fabiano de Oliveira Santos, ao soldado João Viktor da Silva, ao Marcos Vinicius Viana Ribeiro, mortos ha apenas poucos dias. Seu sacrifício não será em vão. Cumpriremos a tarefa imperiosa de recompor a ordem pública no Rio de Janeiro”, disse o presidente Temer em sua mensagem.

Condecorações

Na cerimônia, personalidades e autoridades civis e militares que prestaram relevantes serviços ao Exército e a organizações militares foram condecorados com a Medalha Exército Brasileiro e a Medalha do Pacificador.

Na lista de agraciados estão os ministros da Educação, Rossieli Soares; da Saúde, Gilberto Occhi; Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), senadores e deputados federais.

Remessas ao exterior crescem 13,6% e têm recorde de US$ 1,06 bilhão

sex, 24/08/2018 - 11:47

As remessas de dinheiro do Brasil para o exterior superaram US$ 1 bilhão no primeiro semestre deste ano. É o maior valor (US$ 1,063 bilhão) já anotado para o período na série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 1995. Na comparação com o primeiro semestre de 2017 (US$ 935,7 milhões), houve um crescimento de 13,6%.

Esse volume é estimulado pelo aumento do número de brasileiros que vão estudar ou morar em outros países, em busca de novas oportunidades.

 Aumento de remessas de dinheiro ao exterior é estimulado pelo maior número de brasileiros que vão estudar ou morar em outros países     Arquivo/Agência Brasil

A maior expansão foi registrada nas remessas para Portugal e Canadá, com crescimento de 230,7% e 228,4%, respectivamente, no primeiro semestre deste ano comparado com o mesmo período de 2017.

Entre os países listados nos dados do BC, houve queda de transferências apenas para os Estados Unidos (- 47,9%). Para outros países houve forte expansão das remessas: Alemanha (188,6%), Itália (99,3%), Espanha (94,8%), Reino Unido (84,5%) e França (79,5%).

O diretor geral da Western Union no Brasil, instituição financeira de movimentação de dinheiro, e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Remessas, Luiz Eduardo Citro, explicou que Portugal está estimulando aposentados e investidores a irem morar no país.

Brasileiros investem em Portugal

“Portugal não pede mais visto para aposentados ou para aqueles que vão investir no país. Muitos empresários resolveram ir para Portugal investir. No caso do Canadá, há uma demanda por estudantes, por mão de obra qualificada. Nos Estados Unidos, as remessas caíram por causa da valorização do dólar. Isso desestimula as pessoas a estudarem ou viverem lá”, disse Citro.

Citro explicou que quem vai morar no exterior depende de remessas de dinheiro do Brasil para se manter nos primeiros meses. “Ou, no caso do aposentado, que recebe aqui para viver lá”, afirmou.

Por outro lado, também houve expansão nas transferências pessoais do exterior para o Brasil.

O volume alcançou US$ 1,271 bilhão no primeiro semestre deste ano, com crescimento de 12,48% em relação ao mesmo período de 2017. A maior parte desse volume, 41% (US$ 523,2 milhões) vieram dos Estados Unidos, impulsionado pela alta do dólar.

“Essa questão de migração é dinâmica, muda conforme a situação da economia. O Brasil entrou no ciclo de migração mundial em 2010, com muitos haitianos, peruanos e bolivianos chegando ao país. E houve uma repatriação enorme de brasileiros. Agora, estamos em momento econômico de desemprego, o que reduz a vinda de estrangeiros e os brasileiros estão saindo. Amanhã, com a retomada econômica, vai voltar a crescer [o número de estrangeiros no Brasil]”, disse Citro.

Ele acrescentou que muitos estrangeiros que vieram há oito anos para o Brasil já se estabeleceram e isso explica o crescimento das remessas do Brasil para o Haiti, por exemplo, que aumentaram 10,8% no primeiro semestre de 2018.

Analista alerta que perfil do investidor do agronegócio está mudando

sex, 24/08/2018 - 11:36

Diante de produtores das principais cadeias do agronegócio brasileiro, reunidos na sexta edição do Fórum de Agricultura da América do Sul, em Curitiba, o analista da área ambiental do Banco Mundial, Paul Procee, alertou que o perfil dos investidores está mudando e defendeu que a região busque o maior investimento em tecnologias para elevar os resultados, sem que, para isso, seja necessário ampliar áreas de cultivo.

A principal preocupação da instituição, que mantém parceria com o governo brasileiro em diversos projetos, recai sobre o aumento de terras usadas para cultivos em expansão, como o da soja, em detrimento de áreas que deveriam ser preservadas, incluindo parte da região amazônica.

“Não vai mais haver investimentos sem uma proteção ambiental adequada. Temos que criar, como instituição, a capacidade de assegurar para os investidores que o que estamos fazendo é uma agricultura sustentável”, disse.

Crédito rural

À parte os investimentos privados, dentro do modelo tradicional o sistema de crédito rural, criado em 1965, ainda tem o governo como protagonista. Mesmo com cortes orçamentários, este ano foram reservados R$ 9,7 bilhões para custeio e investimento de produções em todas as escalas, com uma taxa de juros anual abaixo da oferecida pelo mercado.

O economista da Federação de Agricultura do Paraná (Faep) Pedro Loyola elencou os desafios desse sistema de financiamento para o produtor e lamentou, entre outros pontos, que os pequenos produtores ainda enfrentem tantas dificuldades em obter esses recursos, principalmente por não terem garantias. A situação dessas propriedades de menor escala ainda se agravam, segundo ele, pela falta de investimentos em assistência técnica no país, que poderia ajudar na busca de estratégias de melhoria produtiva.

Certo de que o Estado está “saindo à francesa” do sistema, Loyola disse que novas formas de financiamento como as cooperativas de crédito devem ganhar mais espaço em médio prazo. “É uma transição que depende muito da economia brasileira. Se estiver bem, não precisamos do crédito rural, mas, se continuarmos em crise, a gente precisa desse recurso porque competimos com outros países que têm custo menor de produção”, disse.

Cooperativas

A ampliação do sistema cooperativo dominou os primeiros debates do último dia do evento, que reúne representantes de 15 países na capital paranaense. Atualmente, segundo números da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), quase 7 mil cooperativas estão em atividade no país, com 3,2 milhões de cooperados e respondendo pela geração de 376 mil empregos.

Gabriela Prado, jornalista da organização, disse que, diante dos números globais do setor, o país ainda pode inflar ainda mais o modelo de negócios que tem como promessa o aumento da produtividade para os produtores rurais e melhorias estratégicas tanto na compra de insumos como nas estratégias de vendas dos produtos.

“Nosso modelo está em sintonia com muitas questões que a sociedade espera hoje, tendo como vertente a busca de um mundo mais justo e equilibrado”, disse. Segundo ela, o modelo das cooperativas busca valor compartilhado, incluindo crescimento econômico, social e preservação ambiental, tem gestão democrática com participação dos cooperados e se baseia em um capitalismo consciente.

Apesar dos números abarcados pelo sistema que incorpora 25% das famílias brasileiras, Gabriela disse que o cooperativismo ainda é desconhecido no país. Um diagnóstico realizado pela OCB mostrou que grande parte dos pesquisados confundem esse modelo com o de voluntariado ou associativismo.

“Temos que unificar o discurso e fazer barulho. Temos que mostrar que somos um modelo de negócio organizado”, defendeu. Segundo ela, a propagação sobre os benefícios do cooperativismo podem impulsionar a formulação de leis e políticas públicas mais adequadas ao setor.

* A repórter viajou a convite do Fórum de Agricultura da América do Sul

Confiança do comércio volta a subir após quatro quedas consecutivas

sex, 24/08/2018 - 11:32

O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) subiu 1,1 ponto em agosto, passando de 88,8 para 89,9 pontos. É a primeira alta do indicador após a sequência de quatro quedas.

A alta reflete expansão em 10 dos 13 segmentos pesquisados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pelo indicador divulgado hoje (24).

O Índice de Expectativas (IE-COM), que subiu 2,8 pontos, passando 94,6 pontos, foi influenciado tanto pela melhora do indicador de vendas, que avançou 2,3 pontos, chegando a 93,4 pontos, quanto pelo indicador de tendência dos negócios para os próximos seis meses, que subiu 3,2 pontos, passando para 96 pontos.

Já o Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 0,8 ponto, ficando com 85,7 pontos, o menor nível desde dezembro de 2017, quando registrou 85,6 pontos. Entre seus componentes, o indicador de percepção dos empresários recuou 0,4 ponto, passando para 85,9 pontos. O indicador de situação atual dos negócios caiu 1,2 ponto, atingindo 85,9 pontos.

“A reação da confiança do Comércio em agosto ainda é tímida diante dos resultados negativos recentes: as empresas continuam avaliando a situação atual de forma desfavorável, mas já esboçam uma melhora nas expectativas em relação aos próximos meses”, disse o coordenador da Sondagem do Comércio da FGV, Rodolph Tobler.

A avaliação do economista é de que “a combinação de resultados sinaliza que o setor continua se recuperando lentamente, sujeito aos níveis elevados de incerteza e da também lenta evolução do mercado de trabalho”.

Indicador de Desconforto

Apesar da evolução positiva do Índice de Confiança do Comércio em agosto ter sido motivada pela alta do Índice de Expectativa, alguns indicadores de percepção sobre a situação corrente da Sondagem do Comércio também deram sinais de melhora no mês.

Enquanto o Índice de Situação Atual continua em queda há alguns meses, o Indicador de Desconforto Empresarial, mesmo tendo recuado um pouco no mês, tem seis meses consecutivos de alta.

A avaliação da Fundação Getulio Vargas é de que a queda do indicador, em agosto, se deve, entre outros, à redução de demanda insuficiente, ao custo financeiro e ao acesso a crédito bancário.

A edição de agosto de 2018 coletou informações de 1.206 empresas entre os dias 1 e 22 deste mês.

Polícia prende 643 pessoas em operação contra feminicídio e homicídio

sex, 24/08/2018 - 11:22

A operação da Polícia Civil de combate ao feminicídio e homicídio (tentados e consumados) deflagrada hoje (24) prendeu até o final da manhã 643 pessoas e apreendeu 61 adolescentes em 17 estados. Quase 5 mil policiais civis em todo o país cumprem mandados de prisão, e novo balanço deverá ser divulgado ainda nesta sexta-feira.

O presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Polícias Civis, delegado Emerson Wendt, informou que mais de mil prisões devem ser feitas até o final do dia. “O que fizemos hoje foi um esforço concentrado no combate ao feminicídio”.

A Operação Cronos tem o apoio do Ministério da Segurança Pública e é coordenada pelo Conselho Nacional dos Chefes de Polícias Civis. A ação foi definida em julho, durante reunião com o ministro da Raul Jungmann.
Segundo o ministro, essa megaoperação é um dos exemplos do funcionamento, na prática, do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que prevê a integração das polícias.

O nome da operação – Cronos – é uma referência à supressão do tempo de vida da vítima, reduzido pelo autor do crime.

 

Terremoto no Peru é sentido em Brasileia no Acre

sex, 24/08/2018 - 11:11

O terremoto que atingiu o Peru no começo da manhã de hoje (24) também foi sentido no Brasil. Em Brasileia, no Acre, o caminhoneiro Reinaldo Xuxa, dormia na boleia e acordou assustado com o caminhão balançando.

Em entrevista ao jornalista Valter Lima, que comanda o programa Revista Brasil da Rádio Nacional, ele disse que chegou a pensar que tinha alguém tentando roubar a carga que transportava.

“Eu acordei com o caminhão balançando, e fiquei assustado. Achei que tinha alguém mexendo na carga, e não era. Pensei que fosse um vento forte, mas não estava ventando”. Reinaldo disse ainda que outros caminhoneiros também sentiram o tremor.

O terremoto registrou 7 graus de magnitude na escala Richter e sacudiu uma região de fronteira entre o Brasil e Peru, segundo o Instituto Geofísico peruano.

Ele aconteceu a cerca de 140 quilômetros a oeste da cidade peruana de Iberia e 250 quilômetros a noroeste de Porto Maldonado, perto da fronteira com o Brasil.

O tremor foi registrado às 4h04 (horário local, 6h04 em Brasília) e ainda não se sabe se causou danos materiais ou fez vítimas.

O professor George Sandi, do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UNB), informou ao Revista Brasil queo sismógrafo registrou o terremoto, cujo epicentro ocorreu em uma grande profundidade. Por isso, os danos causados devem ser leves. Sandi disse ainda que a região, onde fica a placa andina, é sujeita a terremotos.

Na terça-feira (21), o Norte da Venezuela foi atingido por um forte terremoto que chegou a ser sentido na capital Caracas e em outras regiões do país.

*Com informações da EFE

 

Melhora a confiança dos empresários da indústria da construção

sex, 24/08/2018 - 11:10

Os empresários da indústria da construção estão mais confiantes. Depois de duas quedas consecutivas, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção (ICEI-Construção) subiu para 51,8 pontos em agosto. O indicador, que é 2,9 pontos superior ao do mês passado, está acima da linha divisória dos 50 pontos, que separa a confiança da falta de confiança.

Mesmo assim, o índice continua abaixo da média histórica de 52,9 pontos e dos 53,8 pontos registrados em maio, antes da paralisação dos caminhoneiros. Em junho e julho o ICEI-Construção foi de 48 e 48,9 pontos, respectivamente.
 

Construção civil (Antonio Cruz/Arquivo Agência Brasil

Os dados estão na pesquisa Sondagem Indústria da Construção, divulgada hoje (24) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a entidade, os empresários estão mais confiantes em relação ao desempenho futuro do setor, apesar das incertezas políticas e dos efeitos da tabela do frete mínimo.

De acordo com a pesquisa, o indicador de expectativas subiu para 55,3 pontos em agosto, mostrando que há otimismo em relação aos próximos seis meses. Mas o índice de condições atuais, que ficou em 45 pontos, continua abaixo da linha divisória dos 50 pontos, indicando que os empresários estão pessimistas em relação à situação atual dos negócios.

Os demais indicadores de expectativa também subiram e ficaram acima dos 50 pontos neste mês. Isso mostra que os empresários esperam o crescimento do nível de atividade, de novos empreendimentos e serviços, da compra de matérias-primas e do número de empregados nos próximos seis meses.

Com a expectativa de recuperação do setor, o índice de intenção de investimentos aumentou 0,8 ponto em relação a julho e alcançou 32,1 pontos. O indicador está 3 pontos acima do registrado em agosto do ano passado e é superior à média histórica para o mês, de 31,6 pontos. Ainda assim, de acordo com a CNI, o índice segue muito baixo, o que indica pouca intenção dos empresários do setor em investir.

O índice de intenção de investimento varia de zero a 100 pontos. Quanto maior o índice, maior a disposição para investir.

Dificuldade de recuperação

Mesmo com a melhora nos indicadores de expectativa, o setor continua enfrentando dificuldades para se recuperar. A sondagem mostra que, embora o ritmo de queda tenha diminuído, o nível de atividade e de emprego no setor continua caindo. O indicador de nível de atividade ficou em 48 pontos e o de número de empregados foi 46,2 pontos em julho. Os dois índices variam de zero a 100 pontos e quando estão abaixo dos 50 pontos, indicam queda na atividade e no emprego.

Com isso, a indústria da construção mantém a elevada ociosidade. A utilização da capacidade operacional das empresas ficou em 58% em julho, 1 ponto percentual abaixo do de junho. Isso significa que o setor operou com 42% das máquinas, equipamentos e pessoal parados no mês passado.

A pesquisa foi feita entre 1º e 13 de agosto com 581 empresas do setor. Dessas, 124 são pequenas, 263 são médias e 124 são de grande porte. Todos os detalhes da pesquisa estão disponíveis na página da Sondagem Indústria da Construção, no Portal da Indústria.

Pesquisa constata queda na confiança do consumidor

sex, 24/08/2018 - 11:09

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 0,4 ponto em agosto, ao passar de 84,2 para 83,8 pontos. As informações sobre a pesquisa foram divulgadas hoje (24), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV). Elas indicam que, em relação ao mesmo período do ano anterior, houve alta de 2,4 pontos.

Os dados constatam piora das avaliações sobre a situação atual e melhora das expectativas em relação aos meses seguintes, mas foi a satisfação com a situação financeira familiar que mais contribuiu para a queda do indicador.

Consumidores mantêm postura cautelosa quanto aos gastos. Movimento no comércio vem caindo      Alexandros Vlachos/EFE/Direitos Reservados

O Índice de Situação Atual (ISA), por exemplo, caiu 2,7 pontos, indo para 71,4, devolvendo a alta do mês anterior, enquanto o Índice de Expectativas (IE) avançou 1,1 ponto em relação a julho, somando 93 pontos, o segundo aumento consecutivo.

Já o indicador que mede a satisfação dos consumidores com a situação atual da economia variou 0,5 ponto entre julho e agosto. Foi para 78,6 pontos. Apesar disso, o índice se mantém abaixo do nível anterior à greve dos caminhoneiros.

E o Indicador de satisfação com a situação financeira familiar recuo 5,9 pontos, ficando em 64,8 pontos, o menor patamar desde agosto de 2017, sendo o que mais contribuiu para a queda do ICC em agosto.

Para a coordenadora da Sondagem do Consumidor da FGV, Viviane Seda Bittencourt, os consumidores continuam mantendo uma postura conservadora diante da crise e das incertezas da economia.

“Diante da lenta recuperação do mercado de trabalho, do alto nível de incerteza, do risco de aceleração da inflação e das dificuldades de se alcançar o equilíbrio orçamentário familiar, os consumidores mantêm uma postura conservadora e cautelosa quanto aos gastos discricionários”, explicou.

Ainda em agosto, a FGV apurou que o indicador que mede o otimismo com relação à situação econômica nos seis meses seguintes subiu 1,1 ponto no último mês, para 103,4 pontos, interrompendo a tendência de queda dos quatro meses anteriores.

Também as expectativas sobre a situação financeira das famílias melhoraram pelo segundo mês seguido. O indicador subiu 3,2 pontos para 95,4 pontos, o maior nível desde abril (96,4).

Em contrapartida, o indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis recuou 0,9 ponto, para 81,2 pontos em agosto, menor nível desde outubro de 2017.

Desânimo afetará consumo

A avaliação da economista da FGV é de que o cenário se manterá ao longo do segundo semestre do ano ainda em razão dos problemas enfrentados pela economia brasileira. “Esse desânimo terá um efeito redutor sobre o consumo das famílias ao longo do segundo semestre”, disse.

A pesquisa revela que em agosto houve perda de confiança em todas as classes de renda, exceto para os consumidores de renda familiar entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00, cujo índice avançou pelo segundo mês consecutivo, com crescimento acumulado de 1,6 ponto.

Este resultado, no entanto, “ainda não foi o suficiente para compensar as perdas de junho de 2018”.

Para as famílias de renda menor que R$ 2.100,00, a confiança diminuiu 1,2 ponto entre julho e agosto, a maior variação negativa entre as classes de renda analisadas.

A edição da pesquisa coletou informações de 1.933 domicílios entre os dias 1 e 21 de agosto.

Refinaria de Paulínia prepara retomada da produção após incêndio

sex, 24/08/2018 - 10:55

A Petrobras prepara a retomada da produção nas unidades da Refinaria de Paulínia (Replan) que não foram atingidas pelo incêndio da madrugada da última segunda-feira (20). A processo produtivo deve ser reiniciado nos próximos dias.

O incêndio atingiu parte de uma das unidades de craqueamento catalítico e da unidade de destilação atmosférica, que fazem parte do processo de refino de petróleo. Por medida de segurança, a produção foi preventivamente paralisada em toda a refinaria.

Segundo a companhia, a entrega de produtos em estoque às distribuidoras foi retomado no dia seguinte ao incêndio (21). "A empresa conta com estoques da própria refinaria e com a produção das demais para garantir a oferta de combustíveis aos clientes.”

Em nota divulgada ontem (23), a estatal reafirmou que não houve feridos no incêndio e reforçou seu compromisso com a segurança em operações e instalações, adotando padrões da indústria mundial de petróleo.

Impacto financeiro

A capacidade total da refinaria de Paulínia é de 415 mil barris por dia. A Petrobras informou que ainda não é possível prever a retomada da operação nas unidades afetadas. "A empresa não estima impactos financeiros relevantes, mesmo com  remanejamento da produção de outras refinarias, reforma das unidades atingidas e eventual importação de derivados, se necessária”.

De acordo com a estatal, uma comissão interna está investigando as possíveis causas do acidente e os resultados serão divulgados à imprensa e ao mercado.

Policiais civis fazem operação para prender autores de feminicídio

sex, 24/08/2018 - 10:09

Mais de 2 mil policiais civis de todo o país cumprem, desde o começo da manhã desta sexta-feira (24), mandados de prisão de autores de homicídios e feminicídios (tentados e consumados).

A Operação Cronos tem o apoio do Ministério da Segurança Pública e é coordenada pelo Conselho Nacional dos Chefes de Polícias Civis. Ela foi definida em julho, durante reunião com o ministro da Raul Jungmann.

De acordo com o ministério, em alguns estados a operação também vai cumprir mandos de prisões de pessoas que “descumpriram medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha”.

O nome da operação, Cronos, é uma referência à “supressão do tempo de vida da vítima, reduzido pelo autor do crime. Ao mesmo tempo, com a prisão dos autores de homicídio e feminicídio, espera-se o impedimento da prática de novos crimes”.

Setor de serviços perde 410 mil empregos entre 2015 e 2016

sex, 24/08/2018 - 10:00

O setor de serviços não financeiros (manicure, pedicure, bares e restaurantes, entre outros) tinha em 2016 mais de 1,3 milhão de empresas ativas, o que gerou uma receita operacional líquida de R$ 1,5 trilhão e foi responsável pela ocupação de 12,3 milhões de pessoas, uma média de 9 pessoas por emprego.

Os dados constam da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2016, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (24), no Rio de Janeiro.

De 2015 a 2016, setor de serviços perdeu 410 mil postos de trabalho. Queda foi de 3,2%, diz IBGE (Arquivo/Agência Brasil)

O total de salários, retiradas e outras remunerações dessas empresas foi de R$ 327,6 bilhões, com um rendimento mensal médio por trabalhador de R$ 2 mil.

No entanto, como consequência direta da crise, o estudo contabilizou 410.489 postos de trabalho a menos do que em 2015, uma queda de 3,2%.

O segmento que mais contribuiu para esses resultados foi o de serviços profissionais, administrativos e complementares, que possuía a maior participação no pessoal ocupado, e que fechou entre 2015 e 2016 com recuo de 3,5% no número de postos de trabalho.

Realizada desde 1998, a PAS, que retrata as características estruturais da oferta de serviços não financeiros no Brasil, mostra que o setor apresenta elevada participação no Produto Interno Bruto – PIB - a soma do total de bens e serviços produzidos no país - e é um importante instrumento no planejamento das ações do governo e das empresas.

Se o rendimento médio por trabalhador foi de R$ 2.048 em 2016, foram as empresas dos serviços de informação que registraram a maior média salarial, com R$ 4.119 mil, enquanto os serviços prestados às famílias apresentaram a menor média: R$ 1.288 mil.

Em relação à massa salarial, serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram a maior participação, respondendo por 35,8% da massa salarial do setor de serviços.

A maioria das empresas tinha também como principal atividade os serviços profissionais, administrativos e complementares, que absorviam 32,1% do total dessas empresas, seguido pelos serviços prestados principalmente às famílias (30,0%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (14,7%);

Pessoal ocupado

Eram ainda as empresas ligadas aos serviços profissionais, administrativos e complementares que concentravam a maior parcela de pessoal ocupado, com 39,9% do total, vindo, a seguir, serviços prestados às famílias (22,6%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (20,4%).

Dentre os segmentos analisados, foram as empresas de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio que se destacaram ao responder pela maior parcela da receita operacional líquida (28,3%), seguidas por serviços profissionais, administrativos e complementares (27,8%) e serviços de informação e comunicação (22,5%).

Resultados regionais

Regionalmente, o Sudeste apresentou a maior concentração de empresas: 57,2%; da receita bruta de prestação de serviços (64,8%); de salários, retiradas e outras remunerações (64%) e de pessoal ocupado (57,6%).

No resultado por estados, São Paulo teve a maior participação na receita bruta, com 42,1%, seguido por Rio de Janeiro (13%) e Minas Gerais (7,4%).

Mas foi Mato Grosso, com 0,66 ponto percentual, que obteve o maior ganho de participação no período 2007/2017, seguido de Santa Catarina (0,48) e Paraná (0,34). Já as maiores perdas ocorreram na Bahia (0,318 ponto percentual), Minas Gerais (0,318) e São Paulo (0,318).

O total de empregos no setor cresceu até 2014, quando somou 12,9 milhões de postos de trabalho. Em 2015 e 2016), o emprego entrou em queda e acumulou perdas de 5,3%, o equivalente a 686,5 mil vagas.

Crise e efeitos nos serviços em 2016

A queda de 3,6% no Produto Interno Bruto em 2016 levou a economia brasileira a apresentar trajetória negativa em todos os grandes setores de atividade: agropecuária, indústria e serviços.

De uma maneira geral, observou-se um comportamento de retração da atividade econômica tanto do ponto de vista da oferta quanto da demanda, o que influenciou o setor de serviços que depende dos estímulos das famílias e empresas.

O único componente da demanda que apresentou resultado positivo foi a exportação de bens e serviços, que cresceu 1,9%.

Em decorrência da crise, o estudo revelou que o setor de serviços não financeiros teve retração de 3,4% em termos reais em sua receita operacional líquida, e a massa salarial acusou queda real de 4,2%, acompanhada por uma variação negativa de 3,2% do número de postos de trabalho mensurados em 31 de dezembro daquele ano.

Esta queda real de 3,4% da receita operacional líquida no total da PAS foi influenciada pelo desempenho do segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, cuja contribuição para a variação da receita foi de -2,6 ponto percentual.

A queda apurada nesse segmento foi de 8,7% em 2016.

O IBGE informou que a atividade de transporte rodoviário de carga foi a que mais contribuiu individualmente para a queda da receita operacional líquida de 1,5 ponto percentual no setor de serviços, apresentando redução real de receita de 13,5%.

A retração da atividade, que começou em 2015 e se aprofundou em 2016, está relacionada à crise econômica que resultou em menor demanda tanto para o escoamento da produção quanto para a circulação das mercadorias.

Apesar de investimento no transporte, acesso não é igualitário no Rio

sex, 24/08/2018 - 09:03

As obras e os investimentos feitos pela União, estado e município do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada Rio 2016 não mostraram os efeitos desejados em termos de melhoria do acesso da população mais pobre a oportunidades de emprego, saúde e educação. Essa democratização de oportunidades deveria ter ocorrido com a melhoria das redes de transporte urbano, que receberam nos últimos anos investimentos bilionários.  

O legado do transporte urbano após os megaeventos esportivos foi tema da tese de doutorado do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Rafael Pereira, na Universidade de Oxford. Em entrevista à Agência Brasil, Pereira disse que a crise econômica que afetou o estado do Rio logo após os Jogos Olímpicos e Paralímpicos prejudicou ainda mais este legado.

Um desses efeitos foi o aumento do desemprego. Com menos trabalhadores circulando, houve redução do número de passageiros nos ônibus, queda de receita e até falência de empresas do setor. Pereira destacou que, além disso, quando a cidade adiciona nova infraestrutura no sistema de transporte, é necessário reorganizar e racionalizar as linhas de ônibus para não haver sobreposição.

Somados esses dois efeitos – menos passageiros e mudança de linhas e trajetos - ,o pesquisador afirma que “o ganho de acessibilidade que o Rio de Janeiro poderia ter tido não ocorreu, pelo menos no curto prazo”. “Na verdade, entre 2014 e 2017, as condições de transporte urbano de acessibilidade pioraram, apesar dos investimentos. E o que é pior: elas pioraram para as pessoas de mais baixa renda, dos bairros periféricos”, sustentou Rafael Pereira.

Com desemprego e menos trabalhadores circulando, número de passageiros de ônibus no Rio caiu - Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Em uma simulação do que teria ocorrido se a cidade não tivesse sido atingida pela crise econômica, a conclusão é que os investimentos feitos em mobilidade teriam contribuído para aumentar o número de empregos e escolas acessíveis à população entre 12% e 14%, em média. “Mas, quando você olha o ganho por faixa de renda e bairros, você vê que os ganhos são muito maiores nos bairros de classe média e alta”.

Aumento da desigualdade

Para Rafael Pereira, quando se faz investimento público, o ideal é que haja alguma eficácia e impacto positivo na melhoria do acesso da população, principalmente para a que mais precisa. “Você expande o leque de oportunidades, expande a liberdade da pessoa em termos das oportunidades que ela consegue acessar em emprego, mais escolas, mais hospitais, mais serviços de saúde. Você expande a área da cidade que é acessível para aquela pessoa, com o mesmo tempo de viagem”.

No Rio de Janeiro, em especial, o pesquisador do Ipea observou que ocorreu o oposto ao impacto esperado sobre a camada mais pobre da população. “E o curioso é que não só foi o oposto do que a gente esperaria do ponto de vista social, mas foi o oposto do que o próprio governo prometeu”. Pereira lembrou que no documento da candidatura da cidade do Rio de Janeiro à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, uma das promessas era que a Olimpíada deixaria como legado para a população da periferia gastar menos tempo no trânsito.

O pesquisador deixou claro que os investimentos em mobilidade melhoraram o acesso da população de baixa renda, mas a situação foi ainda melhor para a classe de renda mais alta. “E, em consequência, acabaram aumentando a desigualdade de acesso a oportunidades”. No caso do sistema de transporte público, a igualdade de oportunidades ocorre “no espaço, no chão, no tempo”, indicou. “Para você acessar uma oportunidade, tem que se deslocar xis minutos, xis quilômetros para chegar até lá. E o sistema de transporte público, da forma como foi investido no Rio de Janeiro, aumentou a desigualdade de oportunidades”, reiterou.

Retrovisor x Futuro

Em uma avaliação "ex-post", ou “olhando pelo retrovisor”, conforme definiu Rafael Pereira, a implementação das políticas na área de transporte gerou, em consequência, diminuição de 4,5% do número de escolas públicas de nível médio acessíveis à população, enquanto o número de empregos formais caiu 6%. O pesquisador do Ipea salientou que se não tivesse ocorrido a crise econômica, os investimentos em mobilidade teriam aumentado em 12% o acesso da população à escola e em cerca de 13,5% ao emprego, em média.

Olhando para a frente, afirmou que quando tiver sido concluído o BRT Transbrasil, que ligará o centro da cidade à estação de Deodoro, na zona norte, onde há alta concentração de população de baixa renda, o impacto dessa obra será bastante significativo, especialmente quando se compara com as obras “olhadas no retrovisor”. A simulação feita utilizou dados oficiais da prefeitura carioca.

 “Considerando a mesma medida de acessibilidade que a gente estava olhando na avaliação anterior, só o corredor Transbrasil vai aumentar o número de empregos acessíveis à população em torno de 11,3% para cerca de 58% da população da cidade. Então, 58% da população do Rio, na média, teriam um ganho de 11% de acesso a oportunidades de emprego”. Esse dado varia para as faixas de renda.

BRT do Rio de Janeiro - Arquivo/Divulgação Prefeitura do Rio

Entre 2014 e 2017, o município do Rio de Janeiro teve concluídos os terminais do BRT Transolímpica e do BRT Transcarioca, vias expressas que ligam, respectivamente, o terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, zona oeste, à Vila Militar, em Deodoro, zona norte; e a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, zona norte.

Foram concluídas também a Linha 4 do Metrô e o VLT, rede de veículos leves sobre trilhos que percorre as regiões central e portuária do Rio de Janeiro, conectando todas as demais redes de transporte metropolitano. Com isso, reduziu-se o ritmo de construção do BRT Transbrasil para priorizar os demais projetos, apontou Rafael Pereira.

O pesquisador informou que, ao contrário do que ocorreu com os projetos construídos entre 2014 e 2017, o BRT Transbrasil vai ter, no futuro, quando terminarem as obras, um impacto progressivo. Se na média o ganho foi 11% para a população geral, para a população de mais baixa renda o ganho alcança quase 20%. Para a população de renda mais alta, o ganho previsto é inferior a 5%.

“Todo mundo ganha com essa obra, obviamente, mas o ganho maior é para a população de baixa renda. Essa obra, em particular, tem um grande potencial, e um potencial progressivo”, enfatizou. Segundo Pereira, o que torna o potencial do BRT tão alto é que o traçado dessa via corre por uma das áreas de mais alta população de renda baixa da cidade e facilitará muito o acesso direto dessas pessoas ao centro do município.

Metrô

O pesquisador do Ipea chamou a atenção para o fato de os investimentos para a construção da Linha 4 do Metrô atingirem no fim de 2016 e início de 2017 cerca de US$ 3,11 bilhões, contra custo de US$ 480 milhões do BRT Transbrasil. Nesse período, o dólar estava cotado a R$ 3,12. A análise da Linha 4 do Metrô revela que a obra foi muito cara, uma vez que representou uma extensão da linha já existente na zona sul até a Barra da Tijuca, na zona oeste. Além disso, o maior beneficiário desse projeto foi a população de mais alta renda.

Dois motivos explicam isso, segundo Rafael Pereira. O primeiro é a localização. “Você está ligando um bairro rico a outro bairro rico”. O segundo motivo é a questão tarifária, uma vez que o modal metrô não é dos mais baratos na cidade e não existe integração tarifária ônibus/metrô. “No final das contas, a Linha 4 do Metrô foi um dos maiores investimentos que o Brasil fez em termos de transporte público nas últimas décadas e, no entanto, foi o que menos beneficiou a população de baixa renda, que mais precisa de transporte público”.

Estação do metrô na Tijuca, zona norte da capital fluminense - Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Para melhorar a situação da população de baixa renda, o pesquisador do Ipea defendeu, no curto prazo, a integração tarifária e a revitalização do sistema de trens urbanos, onde já existe uma rede consolidada, mas faltam investimentos. Somado a isso, existe a necessidade, no médio e longo prazo, como projeta o plano diretor do município, de desconcentrar as atividades econômicas do centro do Rio.

Falta de integração no transporte gera mais gasto e perda de tempo

sex, 24/08/2018 - 09:02

A falta de um sistema integrado entre os diversos modais de transporte torna a viagem mais cara e gera perda de tempo para o brasileiro. Esta é a conclusão do professor de Planejamento de Transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Ronaldo Balassiano. “E perda de tempo na viagem é menos tempo com sua família, para lazer, para o descanso, ou para fazer alguma coisa fora do horário de trabalho”, explica.

O transporte é apontado, pela população, como o quarto maior problema das cidades, segundo a pesquisa Mobilidade da População Urbana 2017, publicada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). A adoção de políticas eficientes de mobilidade urbana será um dos desafios dos governantes a serem eleitos em outubro. A Agência Brasil conversou com o especialista para saber qual avaliação sobre modelo adotado no Rio de Janeiro. 

Segundo Balassiano, que leciona no maior centro de excelência em Engenharia da América Latina, o Poder Público não vê o sistema de transporte como um sistema único. Na sua avaliação, o Rio de Janeiro tem um sistema com metrô, trens, ônibus, BRT, VLT, barcas, bicicletas, em que cada operador trabalha separadamente, sem que o poder concedente, que é o Estado, sequer exija essa visão de conjunto.

Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) Carioca, no centro da cidade do Rio - Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil

Balassiano defende uma administração integrada e neutra entre os diversos modais, que não ficasse sob responsabilidade exclusiva de qualquer operadora ou concessionária. Para exercer essa tarefa, que incluiria também a fiscalização dos serviços, o professor afirma que não seria necessário criar nenhuma empresa nova. Bastaria buscar profissionais na própria prefeitura ou no governo do estado que entendam de planejamento e de integração. Essa administração abrangeria não só a integração física dos modais, mas também toda a parte de bilhetagem.

Bilhete único

O professor da Coppe disse que um bilhete único daria ao usuário um leque de opções ao sair de casa, “com um valor que ele tenha condição de pagar”. Essa é a forma utilizada em cidades da Europa e dos Estados Unidos. Sublinhou que não faz mais sentido, no século 21, cobrar tarifas isoladamente, sem ter a visão do conjunto. “A integração é a forma que a gente tem de fazer com que as pessoas sofram menos nos seus deslocamentos, tenham mais prazer em andar pela cidade. E esse sistema funcionando, consegue também reduzir viagens que hoje são feitas de carro, em busca de maior qualidade e conforto”, sinalizou. “Temos como produzir isso com o transporte coletivo”, disse.

Balassiano afirmou que uma cidade pode ser considerada “humana” quando seu sistema de transporte coletivo oferece pontualidade, frequência, segurança, bilhete único e conforto.“Isso a gente não tem em nenhum dos modos [de transporte]”, assegurou Balassiano.  Ele admitiu que  a mudança para um administrador único, com  integração tarifária, não é uma coisa fácil de se realizar “da noite para o dia”, mas é “extremamente viável”. “Não tenho dúvida da viabilidade”, assegurou.

Subsídio

O professor da Coppe/UFRJ destacou que o custo de operação de cada modal de transporte continuaria sendo o mesmo. Em casos extremos, esse bilhete único talvez possa precisar de algum subsídio, “mas é um subsídio quase marginal”. Lembrou que durante a Olimpíada Rio 2016, por uma exigência do Comitê Olímpico Internacional (COI), foi criado um bilhete único, a partir da integração dos vários modais que chegavam às arenas, à exceção somente das barcas. Isso permitiu ao usuário fazer quantas viagens quisesse para assistir aos jogos. Os recursos seriam divididos pelos custos de todos os operadores. “Para isso acontecer, eu não posso deixar a arrecadação nas mãos de operador de ônibus, do metrô, etc. Afinal de contas, aquilo é uma concessão”. Cabe ao poder concedente fiscalizar os operadores e monitorar a realização dos serviços para os habitantes.

Balassiano salientou que todas as tarifas estabelecidas hoje são “tarifas políticas”, não reais. Quando pleiteados, os aumentos de preço das passagens não são, em geral, acompanhados de planilhas atualizadas e verificadas pelas modernas tecnologias que comprovem a necessidade do reajuste. O modelo de sistema integrado de transporte com bilhete único já vigora nas maiores cidades do mundo -  lembrou o especialista.

“Você compra um bilhete e anda o dia todo. E essas cidades nem faliram nem estão pobres, nem os operadores estão reclamando”. Balassiano sustentou que o modelo vigente está ultrapassado. “Só não avisaram aos gestores que esse modelo, onde cada um cuida de si, já caducou”. O modelo a ser implantado deve ser bom para o operador e “ótimo para a cidade”, concluiu.

Sem passaporte, venezuelanos enfrentam caminhadas para ter refúgio

sex, 24/08/2018 - 07:06

Venezuelanos correm contra o tempo, muitas vezes a pé, para chegar ao Peru antes de amanhã (25), quando o país passará a exigir passaporte dos imigrantes – e não apenas carteira de identidade. A medida representa mais um obstáculo para aqueles que buscam escapar da intensa crise pela qual a Venezuela passa.

“Conseguir um passaporte hoje, na Venezuela, é impossível para a maioria”, contou à Agência Brasil o administrador de empresas Edgar Romero, de 41 anos. Há um ano, ele decidiu se mudar com a mulher e os dois filhos para Buenos Aires, pois os passaportes dos quatro estavam prestes a vencer e tinha medo de não conseguir outros.
 

Imigrantes venezuelanos (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Falta matéria-prima para fabricar documentos. Demoram uma eternidade para marcar entrevista e ainda cobram propina em dólares, o que representa uma fortuna que poucos têm”, acrescentou Romero que atualmente é motorista de táxi na capital argentina. “No mercado negro você consegue um [passaporte] por US$ 2 mil, mas nossa moeda não vale, depois de tanta desvalorização”.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 1,6 milhão de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015.

Êxodo

Os países limítrofes à Venezuela adotam medidas para tentar lidar com o êxodo de venezuelanos que cruzam as fronteiras. O Equador foi o primeiro a exigir passaporte. Depois veio o Peru.

Nos últimos dias, o intenso fluxo de imigrantes virou tema principal da imprensa americana. Imagens mostraram venezuelanos que passam pelo território equatoriano ilegalmente, arrastando malas pelas estradas, para apresentar a carteira de identidade na fronteira peruana, antes de o prazo vencer.

Argentina

Nem os países mais distantes da Venezuela, como Argentina e Uruguai, escaparam. Neles, a presença venezuelana é cada vez maior, pois não exigem passaporte porque a Venezuela faz parte do Mercado Comum do Sul (Mercosul) – apesar de suspensa do bloco regional, integrado também pelo Brasil e o Paraguai.

“Até recentemente os venezuelanos que vinham a Buenos Aires eram profissionais formados, pessoas com condições econômicas para pagar uma passagem de avião”, disse à Agência Brasil o presidente da Associação de Venezuelanos na República Argentina, Mario Vicenzo Pensa. “Mas com o agravamento da crise, vem quem pode. Alguns cruzam a fronteira com o Brasil a pé, depois continuam de ônibus ate chegar aqui, onde e mais fácil conseguir emprego porque falam espanhol”, acrescentou.

Segundo dados do governo argentino, em cinco anos o número de imigrantes venezuelanos aumentou 1000%. Em 2016, eles representavam a 5ª maior comunidade de imigrantes em pedidos de residência na Argentina, depois dos paraguaios, bolivianos, peruanos e colombianos. Atualmente são a primeira.

Uruguai

A mesmo situação se repete no Uruguai, apesar de a economia ser menor e o custo de vida mais caro. Em 2017, o Uruguai emitiu 3.248 vistos de residências permanentes a cidadãos da Venezuela, país que liderou a lista de pedidos, seguido da Argentina (2.184 solicitações) e do Brasil (1.832).

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, em 2014 apenas 78 venezuelanos obtiveram a residência permanente no país. Em 2015, foram 1.100. Em 2016, o número ultrapassou os 1.300, tendo mais do que dobrado no ano passado.

Tanto na Argentina quanto no Uruguai são freqüentes os relatos de imigrantes que abandonaram a família, o emprego e os amigos para refazer a vida longe, porque não acreditam que haja futuro na Venezuela. 

Preservação

Maria* (nome fictício), de 52 anos, é funcionária pública aposentada do governo venezuelano. Há três meses e meio, ela se mudou para Montevidéu. À Agência Brasil, ela contou que os três filhos são adultos e vivem na capital uruguaia há três anos. Com saudade deles e cansada de não ter acesso aos medicamentos de que precisa para o coração e para a tireóide, Maria migrou para o Uruguai.

Mesmo com uma aposentadoria considerada razoável para os padrões da Venezuela, a funcionária pública disse que não conseguia comprar alimentos básicos e remédios, devido ao alto preço e ao desabastecimento dos produtos.

"Minha filha tinha que comprar os remédios aqui no Uruguai e enviar para mim. Agora consigo comprar meus medicamentos e me sinto comovida com a recepção que tive", disse Maria, que elogiou a facilidade para adquirir o visto de residência. No Uruguai, para pedir residência, basta que os venezuelanos apresentem carteira de identidade e certidão de antecedentes criminais.

Segundo a aposentada, na Venezuela a água era cortada uma vez por semana, além de passar vários dias seguidos sem luz. Ela não quis revelar o nome verdadeiro, pois tem medo de que sua família possa sofrer represálias. Em Montevidéu, trabalha como cuidadora de uma senhora idosa, mas disse que não perde as esperanças de conseguir validar seus estudos para poder trabalhar na sua área de formação – relações públicas.

Temores

A Agência Brasil conversou também com Pedro* (nome fictício), que chegou há uma semana a Montevidéu e aguarda a tramitação dos documentos no Consulado da Venezuela. "Como ainda tenho pedido de documentos no consulado, tenho medo de que me bloqueiem e eu não consiga me legalizar aqui", disse.

Professor de educação física, Pedro, 28 anos, tem um filho de 3 na Ciudad Bolívar, de onde veio. Ele contou que pretende se estabelecer em Montevidéu e juntar dinheiro para buscar o filho.

Segundo o venezuelano, a situação no seu país é mais difícil para quem tem filhos pequenos. "Um pacote de fraldas para 15 dias pode custar cerca de US$ 20. É praticamente impossível comprar leite em pó e comida, só consegue quem tem muito dinheiro. A opção é esperar o governo fornecer. Mas nunca se sabe o que virá nem quantos dias pode demorar", desabafou.

Uma exceção entre tantos imigrantes, Pedro viajou de avião. Antes, seguiu  a pé da Venezuela até o Brasil, onde conseguiu chegar a Boa Vista, de onde partiu de  avião para Manaus e de lá, em um voo internacional com mais duas escalas, desembarcou em Montevidéu. "É muito caro para nós. Somente de passagens foram US$ 430, sem contar os gastos de comida e traslado terrestre".

Desvalorização da moeda

A última desvalorização da moeda venezuelana registrou perda de 96%. Na segunda-feira ( 20), entrou em vigor a nova moeda venezuelana, o bolívar soberano, que tem cinco zeros a menos.

A referência na Venezuela é o petro – uma criptomoeda criada pelo governo do presidente venezuelano, Nicolas Maduro, baseada nas reservas petrolíferas do país, que estão entre as maiores do mundo. Cada petro vale US$ 60, o mesmo valor que um barril de petróleo.

Maduro também anunciou que, a partir de setembro, o salário mínimo será 35 vezes maior que o atual, valerá meio petro, o equivalente a US$ 30. O pacote econômico inclui o aumento de impostos e um acordo para fixar preços de determinados produtos.

O esforço é para acabar com o desabastecimento e a hiperinflação que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), deve chegar a um milhão por cento até o fim de 2018.

Celular ganha cada vez mais espaço nas escolas, mostra pesquisa

sex, 24/08/2018 - 06:24

Apesar de proibido na maior parte das salas de aula do país, o uso do celular em atividades pedagógicas cresce ano a ano. Mais da metade dos professores dizem que utilizam o celular para desenvolver atividades com os alunos, que podem ser desde pesquisas durante as aulas, até o atendimento aos estudantes fora da escola. O uso não se restringe aos docentes: mais da metade dos estudantes afirmam que utilizaram o celular, a pedido dos professores, para fazer atividades escolares.

A Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nas Escolas Brasileiras (TIC Educação 2017), divulgada esta semana, mostra que o percentual de professores que utilizam o celular para desenvolver atividades com os alunos passou de 39% em 2015 para 56% em 2017. O aumento aconteceu tanto nas escolas públicas, onde o percentual passou de 36% para 53%, quanto nas particulares, crescendo de 46% para 69%.
 

Cresce o uso do celular em atividades pedagógicas (Arquivo Agência Brasil)

Entre os alunos, o uso também aumentou. Em 2016, quando a pergunta foi feita pela primeira vez, 52% disseram já ter usado o aparelho para atividades escolares, a pedido dos professores. No ano passado, esse índice passou para 54%. Entre os alunos de escolas particulares, o percentual se manteve em 60%. Entre os das escolas públicas, aumentou de 51% para 53%.

Segundo a coordenadora da pesquisa, Daniela Costa, diante da falta de infraestrutura, sobretudo nas escolas públicas, o celular tem sido um importante instrumento de acesso à internet. Os dados mostram que 18% dos alunos usuários de internet utilizam apenas o celular para acessar a rede nas escolas urbanas - nas escolas públicas, esse índice é 22%, enquanto nas particulares, 2%. Metade dos estudantes de escolas particulares disse ter acesso à internet na escola. Entre os estudantes de escolas públicas, esse percentual é 37%.

“Mais de 90% das escolas proíbem o uso de celular na sala de aula. Mas, ainda assim, como a internet muitas vezes não funciona, sobretudo nas escolas públicas, utiliza-se o celular”, afirma Daniela. “Quando pensamos em crianças e adolescentes que fazem a tarefa só com celular, isso é complicado. Aqueles que têm acesso a mais dispositivos possivelmente têm mais oportunidade de conhecimento e aprendizagem”.

De acordo ainda com a pesquisa, 48% dos professores deram aulas expositivas com o auxílio de tecnologias e 48% solicitaram a realização de trabalhos por esses meios. Outros 40% solicitaram exercícios e 40%, trabalhos em grupos pela internet.   

Nas escolas rurais, a situação é mais complicada - 36% disseram ter acesso à internet e 48% afirmaram que não há infraestrutura para acesso na região onde a escola está localizada. Em relação ao celular, 48% das escolas usam celulares em atividades administrativas, como acessar programas de gestão escolar ou mesmo para se comunicar com a Secretaria de Educação local, sendo que 42% desses aparelhos são pessoais e não custeados pelas escolas.

Na sala de aula

No Centro de Ensino Médio 01 do Paranoá, escola pública do Distrito Federal, os alunos não têm acesso à internet na sala de aula e, de acordo com a orientadora educacional Keila Isabel Ribeiro, a escola segue a Lei Distrital 4131/2008, que proíbe o uso de celulares em sala tanto em escolas públicas quanto em escolas particulares.

“A escola não oferece internet para os alunos. Tem laboratório, mas é pequeno, não atende nem à metade de um turma nossa, que tem de 45 a 47 alunos. O laboratório acaba sendo usado pelo aluno que precisa fazer alguma pesquisa no turno contrário ao das aulas e para fazer provas de dependência”, diz.

Keila observa que o celular é proibido na sala de aula, mas que cada professor tem autonomia. "Alguns são mais benevolentes, permitem o uso desde que não estejam dando aula, por exemplo. E tem aqueles com tolerância zero". .

A professora de redação Veronica Araujo Leal, do Colégio Madre Carmen Salles, escola privada de Brasília, defende que a internet ajuda no aprendizado, mas é preciso ter alguns cuidados. “A gente leva à risca a proibição de uso de celular em sala de aula. Eu mesma, no entanto, abro um parêntese para fazer pesquisa. Eu aviso aos alunos para trazer os aparelhos e delimito um tempo para fazer pesquisa sobre determinada temática”.

O uso, segundo Veronica, é monitorado. “Eles são jovens, adolescentes, não podemos dar autonomia, deixá-los livres, porque ao mesmo tempo em que estão pesquisando, estão conversando na internet. Tem que verificar, passar entre as carteiras, é preciso estar atento”.

Pesquisa

A pesquisa foi feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

A coleta de dados em escolas localizadas em áreas urbanas ocorreu entre os meses de agosto e dezembro de 2017. Foram entrevistados presencialmente 957 diretores; 909 coordenadores pedagógicos; 1.810 professores de língua portuguesa, de matemática e que lecionam múltiplas disciplinas (anos iniciais do ensino fundamental); 10.866 alunos de 5º e 9º ano do ensino fundamental e 2º ano do ensino médio.

A partir de 2017, a pesquisa TIC Educação passou a coletar dados relativos a escolas localizadas em áreas rurais. Foram entrevistados pelo telefone e presencialmente 1.481 diretores ou responsáveis pela escola.

TSE abre debate sobre proibição de campanha em templos religiosos

sex, 24/08/2018 - 05:45

A pouco mais de um mês das eleições, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abre o debate sobre a possível punição de candidatos que se utilizam de espaços religiosos para campanhas políticas.

A cassação dos mandatos do deputado federal Franklin Roberto Souza (PP-MG) e do deputado estadual Márcio José Oliveira (PR-MG), confirmada pelo TSE, levantou a discussão sobre abuso do poder religioso, que não está previsto na legislação, mas é suscitado na esteira do abuso do poder econômico.

No julgamento dos parlamentares mineiros, o ministro Jorge Mussi citou a decisão de abril do ano passado, que proíbe campanha em eventos religiosos. Na ocasião, o relator foi ex-ministro Henrique Neves, que ressaltou que a liberdade religiosa não pode ser utilizada para fins políticos.

Diz a decisão de Henrique Neves que, "em nenhuma hipótese, a proteção constitucional à livre manifestação de crença e à liberdade religiosa permite que tais celebrações convertam-se em propaganda, seja mediante pedido de voto, distribuição de material de campanha, uso de sinais, símbolos, logotipos ou ainda manifestações contra ou a favor de candidatos".

Além de perder o mandato por abuso do poder econômico, praticado nas eleições de 2014, os dois deputados foram punidos com inelegibilidade por oito anos.

Os ministros determinaram a imediata execução da decisão, com o afastamento dos políticos cassados e a posse dos suplentes, sendo desnecessário aguardar o trânsito em julgado da decisão.

Exemplo

O TSE confirmou o julgamento do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que condenou os deputados por terem participado de evento religioso da Igreja Mundial do Poder de Deus, na véspera do primeiro turno das eleições de 2014.

No evento, que reuniu cerca de 5 mil pessoas, o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da igreja, pediu votos para os dois no microfone e em panfletos distribuídos.

Segundo a denúncia, o líder religioso pediu que cada fiel conseguisse “mais dez votos” para os candidatos. O deputado estadual é sobrinho do religioso. Para a presidente do TSE e relatora do processo, ministra Rosa Weber, os fatos relatados são de "enorme gravidade". O evento foi amplamente divulgado, durou cerca de quatro horas e teve shows artísticos.

O advogado Rodrigo Queiroga, da defesa dos dois deputados, disse que irá recorrer da decisão ao próprio TSE, com embargos de declaração, e, posteriormente, ao Supremo Tribunal Federal (STF), com recurso extraordinário. A ideia é conseguir descaracterizar o abuso de poder econômico para evitar que ambos sejam inelegíveis. Franklin registrou candidatura à reeleição, mas Márcio não. 

Congresso de Geologia debate queda de recursos para a ciência

qui, 23/08/2018 - 22:57

A redução de recursos para a ciência no Brasil foi hoje (23) o centro das discussões no painel Defesa das Instituições Públicas de Geologia e da Ciência Brasileira, no 49º Congresso Brasileiro de Geologia, no Centro de Convenções SulAmerica. 

No evento, o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira, ressaltou que o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações está em queda desde 2014. Moreira prevê que o montante para 2019 deve continuar na tendência de redução “Estamos hoje com um terço do que tínhamos para investimentos nesse ministério há oito anos. Essa situação é catastrófica”, disse.

Sobre a questão, o físico destacou que, a queda de recursos, coloca em risco a concessão de bolsas de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Segundo ele, se for mantida a quantidade de editais no nível basal, as bolsas do CNPq deverão ir até setembro ou outubro de 2019. “A nossa briga agora está no Congresso Nacional para que a lei orçamentária, que até o dia 31 de agosto o governo tem que mandar para o Congresso, a gente faça uma pressão para que esses números aumentem”.

Recentemente, o presidente do Conselho Superior da Capes, Abílio Baeta Neves, disse, em carta ao Ministério da Educação, que se o texto fixado para o órgão no ano que vem for mantido, 93 mil bolsas seriam suspensas a partir de agosto de 2019. O ministro da Educação, Rossieli Soares, reafirmou que as bolsas de estudos de pós-graduação da Capes serão mantidas em 2019. No último dia 6, foram liberados R$ 296,61 milhões para Capes.

Pós-graduação

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor nos últimos anos, o professor Ildeu Moreira apontou que a pós-graduação cresceu no país. “Há 20 anos, vários estados não tinham nenhum curso de pós-graduação. Hoje, todos os estados brasileiros têm, evidentemente, às vezes com qualidade diferenciada. A região amazônica deveria ter mais para aproveitar toda a biodiversidade que temos aqui”, disse.

No ano passado, conforme o físico, o Brasil formou 58 mil mestres e 20 mil doutores, número considerado significativo na América Latina. No entando, quando a comparação é feita com o número de habitantes, é inferior ao de países avançados. “O número de cientistas brasileiros por um milhão de habitantes ainda é muito pequeno, muito menor, em uma ordem de grandeza de outros países, mas um desafio que temos agora é que estamos formando doutores que estão ficando desempregados. Esse é um desafio que o país tem que encarar. Não podemos parar de formar pessoal qualificado”, afirmou.

Para o presidente da SBPC, o desafio central é a qualidade das escolas do país. Na visão dele, é preciso aproximar crianças e jovens da ciência. “Melhorar a educação básica brasileira é um desafio fundamental e que a gente deixa a desejar”, observou.

Museu Nacional

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, lembrou que a instituição, que completa este ano o bicentenário, precisou recorrer a um sistema de financiamento coletivo para reabrir, em julho, a sala dos dinossauros, com a volta para o local do maior dinossauro já montado no Brasil, o Maxakalisaurus topai. Kellner destacou ainda o contrato assinado pela instituição com o BNDES que prevê investimento de R$ 21,7 milhões para o plano de revitalização do prédio histórico, acervo e espaços de exposição. “Ficar só chorando não adianta. A gente precisa pensar em ações”, disse. Ao falar sobre o assunto, apresentou uma reportagem da Agência Brasil no telão.

O diretor reafirmou que o museu busca a liberação de um terreno para construir novos espaços e expandir as áreas de exposições e de preservação do acervo. O assunto está em discussão na Secretaria de Patrimônio da União. O projeto prevê o envolvimento de moradores de São Cristóvão, bairro onde o Museu Nacional está instalado, que poderiam participar de atividades no local.

Temer discute com ministros do STF aumento de salário do Judiciário

qui, 23/08/2018 - 22:17

O presidente da República Michel Temer se reuniu nesta noite no Palácio da Alvorada com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Luiz Fux para tratar dos “vencimentos do Judiciário”, segundo nota do Planalto.

No começo do mês, o Supremo aprovou reajuste de 16% no salário dos ministros da Corte, para 2019. O salário atual é de R$ 33,7 mil e com o aumento passará para R$ 39,3 mil por mês.

A despesa não está prevista pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, já aprovada pelo Congresso Nacional. Até o dia 31de agosto, o governo deverá encaminhar ao Legislativo proposta para o Orçamento da União do próximo ano.

Conforme o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, o eventual aumento terá impacto mensal de R$ 18,7 milhões (R$ 243,1 milhões em um ano).

Na reunião, ficou acertado que “técnicos do Executivo e do Judiciário se reunirão, a partir de amanhã, para discutir o assunto”.

Acompanharam Temer na reunião a ministra da AGU, Grace Mendonça, e o ministro dos Direitos Humanos e chefe da Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha.

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