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Atualizado: 18 minutos 42 segundos atrás

Profissionais offshore contam desafio de trabalhar e descansar a 240 km da costa

qua, 15/11/2017 - 08:24

Trabalho em plataformas de petróleo desafia profissionais -Alexandre Brum/Petrobras

Em uma plataforma que retira 150 mil barris de petróleo e 8 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia de uma profundidade de mais de 7 mil metros na camada pré-sal, um número desafia os mais de 100 profissionais a bordo diariamente: o que fazer nas 12 horas de descanso?

Adaptada a partir de um navio petroleiro, a plataforma FPSO Cidade de Itaguaí é um gigante de mais de 300 metros de comprimento. Estruturas como academia, sala de TV e até um fumódromo se concentram na popa do navio, em uma ala chamada de casario por concentrar os quartos, restaurante e outros espaços de convivência em que não é necessário usar os equipamentos de proteção individual.

A uma distância de 240 quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro, o contato com a família, hoje facilitado pela internet, depende dos espaços com wi-fi liberado e do telefone via satélite, que tem um limite diário de 15 minutos por pessoa. Engenheiro químico da Petrobras, Luiz Le Grady, de 34 anos, usa um tablet para conversas em vídeo com a mulher e o filho de 1 ano e 5 meses, que moram em São Paulo. Quando termina a ligação, o contato é com a outra família, com quem joga videogame, conversa sobre a vida e acompanha os resultados do futebol.

"O clima é bem caseiro e tem que ser, né? A gente cria muita amizade a bordo, porque passa a metade da nossa vida aqui", diz ele, que já trabalha embarcado há oito anos e também aproveita a internet para, vez ou outra, saber o rendimento de seus investimentos.

Churrasco todo domingo

Esse clima caseiro tem churrasco todo domingo, mas a cerveja é sem álcool. Duas vezes por semana o cardápio tem rodízio de massas e pizzas; quarta e domingo é realizado culto evangélico com dois pastores que são também montadores de andaimes; e, uma vez a cada 15 dias, uma festa conjunta comemora mais um ano de vida dos aniversariantes do mês, com bolo, salgadinho e refrigerante. Toda a vida social da plataforma ocorre sobre um tanque que armazena até 1,6 milhão de barris de petróleo e é abastecida por um gerador de energia elétrica a gás que alimentaria uma cidade de 250 mil habitantes. 

Luiz é um dos poucos funcionários da Petrobras a bordo e sua função é fiscalizar a prestação de serviços da Modec, empresa japonesa afretada que opera a plataforma, que é a maior produtora de gás natural do país. A produção na plataforma começou em julho de 2015 e se dá em consórcio entre a Petrobras (65%), a Shell (25%) e a Petrogal (10%).

A operadora de produção Bruna Rangel Pacheco, de 29 anos, faz parte da minoria feminina a bordo e é funcionária da Modec. Seu trabalho, conta, é pesado, mas ela não se imagina em outra profissão: "Eu sou de Macaé e sempre vi meu pai trabalhar offshore. Já no ensino médio, eu sempre tive essa referência, sempre quis trabalhar nessa área", diz ela, que acredita que o trabalho em alto mar não é para qualquer um. "Tem um pouco de aventura e é hostil se você for pensar nos riscos. Tem também a distância da família, o confinamento".

Seus principais passatempos são se exercitar na academia, assistir filmes e ler livros religiosos, já que é presbiteriana. "A academia, para mim, é uma necessidade, porque sempre gostei de extravasar me exercitando. Apesar de estar me esforçando fisicamente, eu relaxo na academia".

Fazer exercícios também é fundamental para o técnico de segurança no trabalho da Modec Lucas de Azevedo, de 28 anos. Ele está embarcado há três anos e malha para perder os 11 quilos que ganhou com a rotina de isolamento em uma plataforma onde refrigerantes e doces estão disponíveis 24 horas por dia. "Aqui a gente come muito. Se não for para a academia, está morto", brinca. Para ele, a grande dificuldade é a passagem de datas comemorativas, como o Natal e o Ano Novo. “A ceia aqui é muito boa, com camarão, lagosta. Nunca comi tão bem. Mesmo assim, é a pior parte. Sinto muita falta da minha mãe e dos meus irmãos, principalmente no meu aniversário”.

Estrangeiros a bordo

O morador de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, se orgulha de ter superado a barreira que o impedia de conseguir um trabalho offshore: falar inglês. "Em 2014, eu decidi que me dedicaria a isso, peguei todas as minhas reservas e fui para o Canadá. Passei oito meses estudando inglês e, logo quando voltei, consegui o emprego", conta. Seu chefe direto na plataforma é um sul-africano, com quem Lucas só conversa em inglês, muitas vezes traduzindo as orientações para outros funcionários.

Estrangeiros são 15% dos trabalhadores a bordo, uma babel que se comunica em inglês e português, mas tem origens tão diferentes quanto Filipinas, Índia, Itália, Cingapura, Ucrânia e Polônia. "A troca de culturas aqui é muito grande. Para trabalhar aqui, tem que aprender a respeitar coisas que não são do nosso costume".

Academia, TV via satélite e comunicação por vídeo com a família são confortos que o gerente-geral da unidade de Exploração e Produção da Petrobras para a Bacia de Santos, Osvaldo Kawakami, nem sonhou em encontrar a bordo quando trabalhou embarcado, no início dos anos 80. Com 39 anos de Petrobras, ele lembra do tempo em que as horas vagas eram ocupadas com baralho e pescaria.

“Se eu fosse comparar, antes era um hotel de uma estrela, e hoje é de cinco”, diz ele. “Não tinha restrição à pesca, e o que a gente fazia era pescar, jogar baralho, dama, xadrez. Hoje, eles jogam videogame”.

Crescimento previsto

Kawakami chefia a produção de uma área que deve praticamente dobrar a quantidade de barris de petróleo retirada diariamente do subsolo marinho. Em 2017, está prevista uma extração de 1,102 milhão de barris de petróleo por dia, que deve saltar para 2,105 milhões em 2021. A parcela da Petrobras nessa produção deve chegar a 1,731 milhão de barris por dia, mais da metade dos 2,8 milhões que a estatal deve produzir em todos os seus campos em 2021.

“O gerenciamento de algo que está crescendo é um gerenciamento gostoso, mas a complexidade fica cada vez maior”, diz Kawakami, que é responsável por uma área que vai de Cabo Frio a Florianópolis. Sua unidade será dividida em duas para aumentar a eficiência. Hoje, a Bacia de Campos tem três unidades de operação, e a de Santos apenas uma.

Das 11 plataformas que extraem petróleo do pré-sal na Bacia de Santos, sete estão no Campo de Lula, o mais produtivo da Petrobras, com 799 mil barris por dia extraídos em setembro. O segundo mais produtivo, Sapinhoá, extraiu 264 mil barris por dia no mesmo mês.

Esse volume de petróleo é produzido sob gerência de Marco Guerra, responsável pela exploração e produção no Campo de Lula. Guerra entrou na Petrobras como técnico e, depois de trabalhar offshore, se formou engenheiro e prestou novo concurso público. Seu trabalho hoje é em terra na maior parte do tempo, onde se reúne por videoconferência com cada uma das plataformas que monitora.

“A rotina dos trabalhadores mudou muito. Costumávamos jogar muito carteado, totó, sinuca. A angústia toda era saber como estava o mundo, como estava a família”, diz ele, que também se recorda da sensação de uma noite silenciosa em alto-mar. “A sensação de calma e tranquilidade é absurda. Eu sempre digo que em nenhum lugar do mundo vi um pôr do sol ou um nascer do sol como o de uma plataforma”.

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Com foco na temática urbana, artistas unem seus trabalhos em mostra no Rio

qua, 15/11/2017 - 07:49

O enfoque do urbano é o ponto em comum das obras de duas artistas visuais que uniram seus trabalhos na exposição Mil histórias, duas rotas, aberta na noite dessa terça-feira (14), no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro. São 34 pinturas que mostram um recorte das trajetórias de Bet Katona e Roberta Cani, em diálogo na mesma temática, mas com histórias e vivências distintas.

A húngara Bet Katona, nascida em 1954 e vivendo no Brasil desde 1962, teve sua formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, a mesma instituição onde estudou a carica Roberta Cani, nascida em 1961. Enquanto Bet cria observando elementos da cidade, seja ao vivo ou por meio de fotos, ou ‘viajando’ pela internet, Roberta, cinéfila, elabora seus temas a partir dos filmes que assiste.

“Minhas obras são elaboradas a partir da observação do cotidiano, mas também a partir de lembranças minhas. O semáforo, a caixa d’água, o posto de gasolina, a paisagem com postes em perspectiva, entre outros elementos, são desenhos de memória”, conta Bet sobre seu método de trabalho. Já Roberta busca de outro modo a inspiração: “assisto a diversas produções, tanto antigas, quanto atuais, captando aqueles frames que mais me impactam e os fotografo”, explica.

Para o curador da mostra, Ivair Reinaldim, as rotas traçadas por meio das pinturas – em acrílico sobre tela e óleo sobre tela - das artistas sugerem diferentes combinações, a partir dos percursos que cada espectador faz na exposição. “Sejam duas ou mil, variáveis são as rotas e as histórias a serem identificadas nessa trama”, destaca.

A exposição Mil histórias, duas rotas fica em cartaz até 14 de janeiro de 2018 e pode ser visitada, com entrada franca, de terça-feira a domingo, das 12h às 19h. O Centro Cultural Justiça Federal fica na Avenida Rio Branco, 241, no centro do Rio.

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Estudantes pedem garantia de orçamento para Olimpíada de Matemática em 2018

ter, 14/11/2017 - 21:47

A cerimônia de entrega de medalhas da 12ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) foi marcada por uma manifestação de estudantes pela continuidade da competição, com garantia de orçamento. Na plateia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, alguns levantaram cartazes com a frase “Queremos OBMEP 2018”.

A realização da OBMEP depende de recursos repassados pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que aportam recursos no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), organizador da competição. O diretor-geral do Impa, Marcelo Viana, disse que se a proposta orçamentária para o próximo ano for mantida pelo governo do jeito em que está, a olimpíada corre risco de realização por falta de recursos.

“Sou otimista até debaixo d'água e acredito que ainda pode ser modificada, mas com essa previsão orçamentária não é possível realizar a olimpíada como nós a conhecemos, com essa amplitude que ela tem”, disse, Segundo ele, a OBMEP requer investimentos de R$ 53 milhões, divididos em partes iguais entre os dois ministérios.

Para o diretor do Impa, reduzir o número de participantes da olimpíada não pode ser considerada uma alternativa. “O que significa reduzir? É impedir a metade dos alunos participar? A olimpíada pela metade não tem sentido, descaracteriza os objetivos de instrumentos de inclusão social e educacional que tem”.

O secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Elton Santa Fé Zacarias, discursou logo após a manifestação dos estudantes e respondeu ao pedido: “Já sei o que vocês querem e o ministério vai fazer todo esforço para que a olimpíada em 2018 aconteça”, afirmou.

Entrega de medalhas da 12ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), no Theatro Municipal do Rio de JaneiroCristina Indio do Brasil/Agência Brasil 

Antes da cerimônia, o secretário disse à Agência Brasil que o corte de recursos ameaça a OBMEP, mas afirmou que há negociações no Congresso Nacional para aumentar os valores no orçamento do ministério para o ano que vem. Além disso, segundo Zacarias, é possível que haja um remanejamento de recursos dentro da pasta. “Existe uma regra orçamentária para o setor de Ciência e Tecnologia que é o remanejamento das rubricas que são livres, então, o ministério tem um certo poder de manobra para tentar reequilibrar o orçamento do IMPA, se for necessário”, disse.

Se a questão do orçamento ainda está indefinida, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) já tem como certa a liberação de R$ 500 mil para pagar passagens e diárias para estudantes brasileiros que vão participar de olimpíadas internacionais de conhecimento, não apenas as de matemática. O diretor de desenvolvimento científico e de tecnologia da Finep, Wanderley de Souza, afirmou que o edital deve ser divulgado em até três semanas. “Vamos abrir uma chamada para selecionar duas ou três olimpíadas que possam receber este apoio. Não é possível [um estudante] passar por um processo seletivo e ainda tem que fazer vaquinha para poder viajar”, afirmou.

Mudanças na OBMEP

Na edição de 2017, que terá os resultados divulgados ainda este mês, a OBMEP foi aberta a estudantes de escolas particulares. Segundo Viana, diretor do Impa, a competição poderá ser estendida para alunos das primeiras séries escolares.

“Abrir a possibilidade de toda escola brasileira possa participar foi um primeiro passo que já realizamos em 2017. Tivemos 20% das escolas privadas brasileiras participando e acreditamos que esse percentual vai aumentar na medida em que a notícia for se espalhando. Por outro lado, temos o sonho, ainda mais ambicioso, de estender a olimpíada para os primeiros anos no ciclo inicial. É um sonho grande porque estamos falando em passar de 50 mil escolas para 200 mil escolas. Isso é importante porque achamos que crianças pequenininhas quando entram na escola gostam de matemática”.

Para o secretário de Educação do Rio de Janeiro, Wagner Victer, que tem um filho estudante de escola pública e medalhista da OBMEP, a competição incentiva também a participação em olimpíadas de outras matérias.

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Governo edita MP que muda pontos da reforma trabalhista

ter, 14/11/2017 - 21:41

O governo federal editou Medida Provisória 808 nesta terça-feira (14) para ajustar pontos da reforma trabalhista, que entrou em vigor neste sábado (11). 

Os ajustes faziam parte de um acordo firmado pelo presidente Michel Temer com os senadores para que acatassem o texto da reforma aprovado na Câmara dos Deputados.

Mais cedo, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), informou que o presidente editaria ainda hoje uma MP com os ajustes, cumprindo "acordo feito publicamente" com os senadores. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, criticou hoje (14) o número de medidas provisórias (MPs) editadas pelo governo. Para ele, é inconstitucional fazer os ajustes na legislação trabalhista por meio de medida provisória e defendia um projeto de lei.  

A medida provisória entra em vigor imediatamente, sem necessidade de aval do Congresso Nacional. Mas precisa ser votada e aprovada pelos deputados e senadores, em 120 dias, ou perderá a validade. 

Algumas das mudanças previstas na MP se referem ao trabalho autônomo, trabalho intermitente e exercício de atividades por gestantes em locais insalubres. 

Veja alguns pontos alterados pela MP: 

 

Gestantes

Gestantes serão afastadas do trabalho em locais com qualquer grau de insalubridade, excluído o pagamento de adicional de insalubridade. No caso de locais considerados de grau médio ou mínimo, ele poderá retornar somente se apresentar, voluntariamente, atestado de médico de confiança autorizando-a. Em grau máximo, fica impedida de exercer atividades nesses locais. 

Jornada de 12 por 36 horas  

Empregador e funcionários poderão estabelecer a jornada de 12 horas de trabalho com 36 horas de descanso apenas por meio de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. O acordo individual por escrito fica restrito aos profissionais e empresas do setor de saúde. 

Trabalho intermitente

Estabelece o direito de aviso prévio para a modalidade de contratação

Danos morais

O valores para indenização serão calculados com base no limite dos benefícios da Previdência Social, deixam de ser calculados pelo último salário contratual do ofendido. Ofensas à etnia, idade, nacionalidade, orientação sexual e gênero passam fazer parte da lista de danos que podem originar pedidos de indenizações extrapatrimoniais. 

Autônomo

Proíbe o contrato de exclusividade; o autônomo poderá prestar serviços para diversos contratantes e poderá recusar a realização de atividades demandadas pelo contratante. Motorista, corretor de imóvel, representante comercial e outras categorias poderão ser contratados como autônomos

Representação

A comissão de empregados não substitui a função dos sindicatos na defesa dos interesses da categoria

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Petrobras produziu 2,77 milhões de barris de petróleo e gás por dia em outubro

ter, 14/11/2017 - 21:10

A produção total de petróleo e gás natural da Petrobras atingiu a marca de 2,77 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em outubro. Deste total, 2,67 milhões foram produzidos no Brasil e 104 mil no exterior. As informações foram divulgadas hoje (14) pela estatal.

De acordo com a Petrobras, a produção média de petróleo no Brasil foi de 2,16 milhões de barris por dia (bpd). A produção de gás natural no país, excluído o volume liquefeito, foi de 80,3 milhões de metros cúbicos por dia, representando uma diminuição de 1,5% em relação a setembro. A redução deveu-se às paradas para manutenção das plataformas Cidade de Anchieta e Cidade de Caraguatatuba.

Na camada pré-sal, a produção de petróleo e gás natural operada pela Petrobras foi de 1,63 milhão de barris óleo equivalente por dia, volume 2,9% abaixo do mês anterior. Esse resultado também deveu-se às paradas para manutenção das mesmas plataformas.

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Deputados da Alerj evitam críticas a colegas, mas pedem investigação

ter, 14/11/2017 - 20:21

Os efeitos da Operação Cadeia Velha, deflagrada hoje (14) pela Polícia Federal (PF), repercutiram na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas os parlamentares evitaram críticas diretas aos colegas investigados. Um dos alvos da operação foi o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), levado coercitivamente para depor na PF e que teve um de seus filhos, Felipe Picciani, preso temporariamente.

Com a ausência de Picciani e de mais dois deputados do PMDB levados coercitivamente pela PF para depor, Paulo Melo e Edson Albertassi, que pertencem à cúpula da base governista na Alerj, aliados do governador Luiz Fernando Pezão evitaram o plenário da assembleia na tarde desta terça-feira.

Apenas deputados de oposição fizeram discursando e, mesmo entre eles, o tom das falas foi de deixar para a Justiça as investigações, sem propor ações do próprio Legislativo contra os três deputados investigados.

“Mais uma vez é uma questão relacionada aos transportes. Nós temos brigado para reduzir o poder da Fetranspor [Federação das Empresas de Transporte do Rio de Janeiro]. Mas acho que nenhum de nós está acima da lei. As denúncias têm que ser apuradas e, se for o caso, é a Justiça quem vai julgar. Eu não adoto nenhuma postura de pré-julgar ninguém”, disse o deputado Gilberto Palmares (PT).

Para o deputado Carlos Minc (sem partido), a denúncia é gravíssima e deve ser apurada. “Temos que aguardar para saber quais são os elementos do processo e de que forma a gente vai ter que se pronunciar. Não se pode fechar os olhos para isso. A gravidade é suprema”, disse.

O líder do PSOL, deputado Marcelo Freixo, uma das principais vozes da oposição, considerou de grande gravidade a operação, mas evitou criticar diretamente os deputados envolvidos. “É muito grave a Casa ser palco da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Faz muitos anos que esse modus operandi do PMDB mistura polícia e política. O Executivo, o Legislativo e o Tribunal de Contas são todos sócios de um mesmo negócio envolvendo alguns empresários e tem a ver com a crise moral que estamos vendo aqui. Não dá para fingir que não tem nada acontecendo”, disse Freixo.

Um dos discursos mais fortes foi o do deputado Dr. Julianelli (Rede), que pediu esclarecimentos urgentes dos deputados envolvidos. “Com certeza isso traz mais descrédito para a Casa. A condução do presidente, do líder do governo e de outro deputado demonstra que esta Casa está falhando na sua missão de proteger, fiscalizar e ir de encontro aos interesses da população. É necessário – e não quero fazer nenhum juízo precipitado – que o presidente e os demais deputados envolvidos, nesta tribuna aqui, expliquem claramente o caso”, disse Julianelli.

O líder do PSDB, deputado Luiz Paulo, considerou que a Alerj foi atingida pela operação. “A Casa se sente atingida, afinal estão sendo investigados três parlamentares proeminentes. Por isso não é possível fingir que nada está acontecendo. Mas ao mesmo tempo, ninguém está acima da lei. O Ministério Público deve investigar e dar a cada um o direito de defesa. Se inocente, ótimo. Se culpado, cada um é responsável pelos atos praticados”.

Os investigados, com prisão preventiva decretada, são donos de empresas de ônibus: Lélis Teixeira, Jacob Barata Filho, dono de 28 empresas de ônibus no Rio, e José Carlos Lavouras, foragido, investigados na Operação Ponto Final, além de Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar da Costa Pereira e Andreia Cardoso do Nascimento.

Já Felipe Picciani, Ana Claudia Jaccoub, Marcia Rocha Schalcher de Almeida e Fabio Cardoso do Nascimento tiveram a prisão temporária decretada.

Defesa

Mais cedo, em nota, a Alerj disse repudiar as acusações de procuradores do Ministério Público Federal de que a Casa teria beneficiado empresários do setor de transportes.

“O Parlamento fluminense não atua em função de interesses espúrios de quem quer que seja, até porque somos uma Casa plural, submetida à permanente vigilância e escrutínio públicos”, afirma o comunicado.

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Ministério da Agricultura vai lançar aplicativo para conectar produtores rurais

ter, 14/11/2017 - 18:58

O Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) prepara o lançamento de um aplicativo para celular que vai conectar produtores, legisladores, veterinários e demais pessoas ligadas à pecuária ao maior banco de dados sobre a saúde animal no Brasil. Desenvolvido em parceria da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) com o Departamento de Saúde Animal (DSA) do ministério, o aplicativo, chamado Saúde Animal, vai oferecer informações sobre doenças, vacinas, trânsito de animais e ainda receber denúncias sobre situações irregulares ou suspeitas em qualquer lugar do pais.

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor do DSA, Guilherme Marques, um dos criadores do projeto, explica que a equipe partiu da necessidade de atualização do Manual Veterinário de Colheita e Envio de Amostras, feito em 2010.

"A grande dificuldade era, por incrível que pareça, de custos, porque o manual foi impresso em cores em papel resistente a água, o que não era barato. Além do que, hoje em dia, as pessoas não carregam mais informações impressas. Elas carregam o celular, mesmo na roça. Então pensamos num aplicativo que pudesse inclusive funcionar offline". explica.

Falando com Lia

Ainda em fase de testes, o aplicativo vai funcionar tanto no sistema Android quanto no IOS e já tem uma atendente virtual, chamada Lia, que responde em português, espanhol ou inglês a perguntas dos usuários.

"Por enquanto - explica Marques - ela ainda não sabe muita coisa, porque o banco de dados ainda não tem tudo. Mas as informações vão sendo passadas por produtores, veterinários, técnicos e processadas no DSA. A ideia é que os dados sejam atualizados constantemente".

Para acessar as informações, o usuário terá que se cadastrar e a partir dai ficará conectado com a atendente virtual, que poderá responder às suas perguntas. Isso é importante para a localização do usuário, pela qual o aplicativo identifica a região e pode oferecer o conteúdo mais adequado.

As notificações de doenças, ou de suspeitas de doenças, poderão ser feitas off line e a assistente Lia avisa que elas serão transmitidas ao sistema assim que o usuário se conectar a uma rede. Apesar da quantidade e da complexidade do conteúdo, o aplicativo é leve suficiente para não sobrecarregar a memória dos smartphones.

Público-alvo

Segundo Guilherme Marques, o aplicativo deve atingir, em todo o Brasil, um público-alvo de 5 milhões de produtores rurais, 120 mil veterinários e mais 18.700 servidores públicos e auxiliares técnicos da saúde animal.

"Toda e qualquer produção de conhecimento e tecnologia precisa estar numa base de dados por duas razões principais: primeiro, melhorar o conhecimento e o nível de educação no meio agropecuário; e, segundo, permitir a maior participação do produtor na formulação das politicas públicas". disse Marques.

O novo aplicativo será lançado oficialmente no próximo dia 4 de dezembro, durante o Encontro Nacional de Defesa Sanitária Animal - Endesa 2017 - em Belém, estado do Pará, com a presença do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi

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Eletrobras tem queda no lucro líquido, com R$ 550 milhões no terceiro trimestre

ter, 14/11/2017 - 17:49

A Eletrobras apresentou lucro líquido de R$ 550 milhões no terceiro trimestre deste ano, queda de 37% em relação ao lucro registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com a empresa, o resultado sofreu influência de receitas financeiras com indenizações pela renovação antecipada de linhas de transmissão de energia elétrica.

Já o lucro gerencial, que exclui os chamados fatores extraordinários, alcançou R$ 449 milhões, aumento de 267% em comparação a igual período do ano passado. No ano, o lucro é de R$ 2,272 bilhões. O presidente da estatal, Wilson Ferreira Júnior, classificou o resultado como “muito bom”. A receita, segundo Ferreira Júnior, cresceu 16%, atingindo R$ 7,574 bilhões.

A receita líquida de geração subiu 9% na comparação com o ano passado, e a de transmissão cresceu 19%. Entrada de obras, reajuste indexado à inflação e melhora de resultados no mercado livre explicam os aumentos, disse o presidente.

Wilson Ferreira Júnior informou que, para preparar as empresas do grupo para privatização, foram investidos pela Eletrobras, até setembro último, R$ 3,7 bilhões. Ele estima que os investimentos da companhia fecharão o ano em torno de R$ 5 bilhões. O valor é inferior aos R$ 8,7 bilhões investidos no ano passado. “Vai passar de cinco. Vai ser menos do que no ano passado”. Ele lembrou que, ao assumir a empresa, em julho de 2016, havia se comprometido a reduzir os investimentos em 35%.

O presidente da Eletrobras comunicou ter encerrado no terceiro trimestre o Plano de Aposentadoria Extraordinária (PAE), que permitirá à empresa economia de R$ 877 milhões por ano. O PAE teve adesão de 2.108 empregados.

A companhia fechou o trimestre com dívida bruta de R$ 44,7 bilhões, R$ 0,9 bilhão a menos que em igual período de 2016. A relação entre dívida líquida e o EBITDA (geração líquida de caixa) caiu 4,1 vezes, aproximando-se da meta de quatro vezes definida no plano de negócios.

Ferreira Júnior informou que, ainda este mês, deverá ser apresentado ao Conselho de Administração da companhia a venda de participação em 77 das 178 sociedades de propósito específico (SPEs), em que a Eletrobras tem participação minoritária. A expectativa é que a operação gere retorno contábil de R$ 4,6 bilhões.

O presidente da Eletrobras acredita que a companhia deverá pagar dividendos sobre os resultados de 2017. "Acho que sim, no ritmo que está”, disse referindo-se ao resultado apresentado no ano.

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PF investiga desvios de R$ 183 bilhões em tributos na Operação Cadeia Velha

ter, 14/11/2017 - 17:34

O delegado de Polícia Federal (PF) Alexandre Ramagem Rodrigues (E) durante entrevista na sede da Superintendência Regional da PF Tomaz Silva/Agência Brasil

O esquema criminoso investigado pela Operação Cadeia Velha levou o estado do Rio de Janeiro a deixar de arrecadar R$ 183 bilhões em tributos em um prazo de cinco anos.  A afirmação foi feita hoje (14), pelo delegado da Polícia Federal encarregado da operação, Alexandre Ramagem Rodrigues, na sede da Superintendência da Polícia Federal no estado.

“O conluio criminoso se traduzia em excessivos benefícios fiscais em favor de determinadas empresas e empreiteiras, que levaram a que o estado deixasse de arrecadar em um período de cinco anos mais de R$ 183 bilhões, ocasionando o atual colapso nas finanças do estado - com este efeito avassalador que essa corrupção sistêmica causou à administração pública”, afirmou Ramagem Rodrigues.

O esquema criminoso contava com a participação de agentes públicos dos poderes Executivo e do Legislativo (inclusive do Tribunal de Contas do Estado - TCE) e de grandes empresários da construção civil e do setor de transporte do estado.

Segundo o superintendente regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Jairo Souza da Silva, a ação de hoje tem como base informações colhidas em operações anteriores ao longo do ano, como a Calicuti, a Ponto Final e a Quinta do Ouro.

As informações da Polícia Federal e do Ministério Público indicam que entre os principais beneficiados pelo esquema estariam o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, e os deputados estaduais Paulo Melo (ex-presidente da casa) e Edson Albertassi, indicado na semana passada para ocupar uma vaga no TCE – todos do PMDB fluminense.

O superintendente da Polícia Federal no estado disse que, com a documentação já reunida pelas duas instituições, é possível concluir que o esquema de desvio de recursos públicos não contava com um líder principal, a atuação era diversificada e em várias frentes.

“Com o que já foi reunido já é possível concluir que não há um chefe-mor, mas sim um comando horizontal de uma grande confraria do crime organizado no Rio de Janeiro, mantido por agentes públicos do Executivo, Legislativo e grandes empresários, sobretudo da construção civil e da Fetranspor [Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro]”, afirmou o superintendente da PF.

Jairo Souza Silva avaliou que o estado do Rio “vem sendo saqueado por este grupo há mais de uma década, tendo como consequência a falência moral e econômica do estado: salários atrasados, hospitais sem condições, uma policia sucateada, com metade de sua frota parada e uma violência que agonia a todos nós dia a dia”.

Para Ramagem Rodrigues, “a operação deflagrada hoje constatou que o Poder Executivo, o Legislativo e o Tribunal de Contas – órgãos que presumivelmente têm o dever de ser autônomos e independentes e com a função de fiscalizar – na realidade estavam estruturados em flagrantes organizações criminosas com fim de garantir o contínuo desvio de recursos públicos e a lavagem de capitais”.

O procurador regional Carlos Alberto Gomes de Aguiar disse que, através do pagamento de propina a agentes públicos, os empresários envolvidos almejavam obter vantagens em atos de ofício. “Segmentos empresariais pagavam rotineiramente propina para agentes políticos, não só no Legislativo, mas também no Executivo e no próprio TCE, em troca de atos de ofício".

Paralelamente, segundo Aguiar, mediante a ocupação estratégica em órgãos públicos, os políticos envolvidos “ganharam força política quase insuperável e enriqueceram assustadoramente, enquanto o estado definhava nesse caos social em que se encontra”.

A Operação

A Operação Cadeia Velha foi deflagrada na manhã de hoje e envolveu agentes do Ministério Público e cerca de 150 policiais federais, por ordem do desembargador federal Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), relator da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

Foram cumpridas conduções coercitivas de Jorge Picciani e de Paulo Melo, além de seis prisões preventivas e quatro temporárias e de 21 ações de busca e apreensão.

Foram decretadas as prisões preventivas de Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor; Jacob Barata Filho, dono de 28 empresas de ônibus no Rio; e José Carlos Lavouras (que encontra-se foragido da Justiça), todos investigados na Operação Ponto Final; além de Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar da Costa Pereira e Andreia Cardoso do Nascimento.

Os presos temporários são Felipe Picciani (filho de Jorge Picciani, preso em Minas Gerais), Ana Claudia Jaccoub, Marcia Rocha Schalcher de Almeida e Fabio Cardoso do Nascimento.

Jacob Barata Filho já havia tido a prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio, responsável pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, em primeira instância, e chegou a ser preso. Posteriormente, foi beneficiado por um habeas corpus do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), do dia 17 de agosto.

Beneficiados

Segundo o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, a contabilidade paralela da Fetranspor chegou a movimentar entre 2010 e 2016 cerca de R$ 350 milhões em propinas. Planilha entregue pelo delator Álvaro Novis aponta que Jorge Picciani e o Paulo Melo estão entre os principais beneficiários e teriam recebido respectivamente R$ 49,96 milhões e R$ 38,62 milhões da Federação.

Uma das acusações que pesam contra o presidente da Alerj é a de utilizar a sua empresa Agrobilar, do ramo agropecuário, comandada por Felipe Picciani, para lavar dinheiro. A Agrobilar teria inclusive terceirizado operações de lavagem de dinheiro para outros envolvidos no esquema de propina e também de empresários envolvidos no esquema.

“As chances de manipulação, as dificuldades de se estabelecer um preço determinado não só pelo gado, mas também pelos embriões comercializados, os obstáculos às investigações, tornavam as operações uma das formas mais simples de se lavar dinheiro. Aliado a essas vantagens, há ainda a baixa tributação, a pouca fiscalização no setor”, ressaltou um dos procuradores.

Outro lado

Em nota, Jorge Picciani disse que a prisão do seu filho foi um ato de covardia com o objetivo de atingi-lo. “O que aconteceu hoje com meu filho é uma covardia feita para atingir tão somente a mim. Felipe é um zootecnista, bom pai, bom filho, bom amigo, que trabalha de sol a sol e não tem atuação política. Todos que o conhecem o respeitam e sabem do seu caráter e correção”, disse.

Na nota, o presidente da Alerj afirmou que sua família atua “há 33 anos” no ramo da pecuária, no qual ele ingressou antes mesmo de se eleger deputado. “Com trabalho duro, nos transformamos numa das principais referências em alta genética do país. Trinta e três anos não são trinta e três dias”.

O presidente da Alerj também afirmou que a indicação do nome do deputado Edson Albertassi para integrar o TCE foi do governador Luiz Fernando Pezão e que aconteceu quando os três auditores que deveriam fazer a indicação decidiram não concorrer, pelo fato de ainda estarem no período de estágio probatório, o que foi avaliado por eles como insegurança jurídica.

“Diante da determinação da Justiça, pedindo 72 horas para esclarecimentos, eu já havia inclusive suspendido a votação da indicação, que estava prevista para hoje [14] no plenário. Em toda a minha carreira jamais recebi qualquer vantagem em troca de favores", afirmou.

O presidente da Alerj também negou que a casa tenha favorecido o setor de transportes. "A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro não atua a serviço de grupos de interesse, não interfere em aumento de tarifas (que é autorizado pela Agetransp [Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro] e não votou isenção de IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] para ônibus, porque isso foi feito por decreto pelo ex-governador (Sérgio Cabral, preso em Benfica, na zona norte do Rio sob a acusação de corrupção), quando eu nem sequer tinha mandato. São portanto falsas as acusações divulgadas”, garantiu.

Em nota, a defesa de Jacob Barata Filho disse que não teve acesso ao teor da decisão que originou a operação de hoje e, por isso, não tem condições de se manifestar a respeito. “A defesa pedirá o restabelecimento das medidas que foram ordenadas pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, que já decidiu que a prisão preventiva do empresário é descabida e pode ser substituída por medidas cautelares, que vêm sendo fielmente cumpridas desde então”.

A Fetranspor informou, em nota, que "permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários às investigações da Operação Cadeia Velha, deflagrada hoje (14) pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal".

A defesa de Lélis Teixeira disse que “só se manifestará quando tiver examinado os autos”.

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Raquel Dodge avalia mudanças em resolução polêmica sobre investigação do MP

ter, 14/11/2017 - 17:25

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, informou hoje (14) que foi criada uma comissão no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para receber sugestões e avaliar mudanças na resolução do colegiado que trata de procedimentos investigatórios por integrantes do Ministério Público.

A Resolução 181/2017 foi aprovada pelo CNMP em agosto do ano passado, durante a gestão do ex-procurador Rodrigo Janot, e é alvo de contestação por meio de duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF), protocoladas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Nas ações, entre os pontos questionados, a AMB e OAB alegam que o MP não poderia realizar “acordo de não persecução penal” em casos sem violência ou grave ameaça à pessoa, desde que o acusado confesse o delito. No entendimento das entidades, a recusa em entrar com processo penal na Justiça deve estar previsto em lei.

Além disso, as associações alegam que a resolução deixa brechas para quebra do sigilo de investigados sem autorização judicial.

“Ora, dizer que nenhuma autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de função pública poderá opor ao Ministério Público a exceção de sigilo, implica dizer que o Ministério Público poderá realizar, diretamente, a quebra de qualquer sigilo, sem necessidade de requerê-la ao Poder Judiciário”, diz a AMB.

De acordo com Raquel Dodge, as mudanças foram tratadas em uma reunião nessa segunda-feira (13) com procuradores-gerais de Justiça e serão avaliadas pelo conselheiro Lauro Nogueira, relator do caso no CNMP.

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Cadeia Velha: Alerj nega benefícios a empresários do setor de transportes

ter, 14/11/2017 - 17:19

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) divulgou nota hoje (14) em que diz repudiar as acusações de procuradores do Ministério Público Federal de que a Casa teria beneficiado empresários do setor de transportes.

“O Parlamento fluminense não atua em função de interesses espúrios de quem quer que seja, até porque somos uma Casa plural, submetida à permanente vigilância e escrutínio públicos”, afirma o comunicado.

“As decisões da Alerj são tomadas em votações colegiadas, abertas ao público, com transmissão ao vivo para toda a população, e precedidas de debates nas comissões temáticas e no colégio de líderes, que reúne todos os partidos”, acrescenta a nota.

O desembargador federal Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), relator da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, ordenou as conduções coercitivas de parlamentares da Alerj à Polícia Federal, na Operação Cadeia Velha. Ele determinou também seis prisões preventivas e quatro temporárias e 21 ações de busca e apreensão nos endereços de 14 pessoas físicas e sete jurídicas. 

Os investigados, com prisão preventiva decretada, são donos de empresas de ônibus: Lélis Teixeira, Jacob Barata Filho, dono de 28 empresas de ônibus no Rio, e José Carlos Lavouras, investigados na Operação Ponto Final, além de Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar da Costa Pereira e Andreia Cardoso do Nascimento.

Já Felipe Picciani [filho de Jorge Picciani, presidente da Alerj], Ana Claudia Jaccoub, Marcia Rocha Schalcher de Almeida e Fabio Cardoso do Nascimento tiveram a prisão temporária decretada.

Na operação de hoje, também foram ordenadas as conduções coercitivas dos deputados estaduais Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi (todos do PMDB-RJ).

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Ministro do STF devolve à PGR delação de publicitário de Cabral e Pezão

ter, 14/11/2017 - 17:18

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski devolveu hoje (14) à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedido de homologação do acordo de delação premiada do publicitário Renato Pereira, responsável por campanhas eleitorais do PMDB do Rio de Janeiro, entre elas as do ex-governador Sérgio Cabral e do atual governador, Luiz Fernando Pezão. Na decisão, Lewandowski pediu que algumas cláusulas sejam revistas pela PGR.

Ao negar momentaneamente o pedido para homologar a colaboração, o ministro não concordou com cláusulas que foram fechadas pela PGR durante a gestão do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, por entender que a maioria dos benefícios não pode ser concedida pelo Ministério Público. Para Lewandowski, o perdão de penas privativas de liberdade e a suspensão do prazo prescricional somente podem ser determinadas por meio de sentença judicial.

No acordo fechado com a PGR, Renato Pereira recebeu perdão de pena em todos os crimes que confessou e foi penalizado somente por supostos desvios na campanha eleitoral de Pezão, em 2014. Pela conduta, Pereira deveria cumprir quatro anos de prisão, divididos em um ano de recolhimento noturno e três anos de prestação de serviços comunitários, além do pagamento de R$ 1,5 milhão pelos danos causados pelos crimes.

Vazamento

Na mesma decisão, Lewandowski decidiu retirar o segredo de Justiça do processo e determinou que o novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segóvia, investigue o vazamento do conteúdo das delações de Pereira antes de sua decisão.

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Crise provocou desemprego maior entre os negros, diz Dieese

ter, 14/11/2017 - 17:12

O impacto da crise econômica e da alta do desemprego nos últimos anos foi maior entre a população negra. De 2015 para 2016, a taxa de desocupação entre os negros na Região Metropolitana de São Paulo aumentou de 14,9% para 19,4%, enquanto a dos não negros subiu de 12,0% para 15,2%.

Assim, a diferença entre os dois grupos, que era de 2,9 pontos porcentuais, em apenas um ano cresceu para 4,2. As conclusões se baseiam em dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de São Paulo (PED-RMSP), do Dieese.

O estudo reafirma também a desvantagem salarial dos trabalhadores negros. Em geral, eles recebem apenas 67,8% do que ganham os brancos. Ou seja, a média salarial dos não negros é quase 50% maior. Uma das razões dessa diferença é a maior presença de brancos nas funções de melhor remuneração.

A pesquisa mostra que há uma inserção mais intensa dos negros em segmentos onde tradicionalmente os salários são mais baixos (como construção, trabalho autônomo e doméstico) e, menor, naqueles onde os rendimentos são maiores, como indústria, alguns ramos dos serviços, setor público e profissionais universitários autônomos, entre outros.

Nível de escolaridade

O padrão de escolaridade explica esse aspecto. Em 2016, o tempo médio de estudo da população a partir dos 25 anos de idade era de 10,2 anos, mas a média dos negros (9,2 anos) era quase dois anos mais curta que a dos não negros (10,8). Essa diferença se ampliava consideravelmente quando considerados os profissionais com curso superior. Enquanto apenas 10,6% dos negros completaram a faculdade, entre os não negros o índice era de 25,6%.

Essa defasagem explica a baixa participação de negros em cargos de chefia e mostra dois obstáculos a enfrentar: o de chegar ao ensino superior e, quando isso ocorre, o de crescer na carreira.

De qualquer forma, segundo a análise do Dieese, as diferenças já foram maiores e têm caído com o aumento do padrão de escolaridade do conjunto da população. Essa melhoria é percebida com maior vigor entre os negros, cujo tempo médio de estudo aumentou em três anos de 2000 a 2016, enquanto entre os não negros a alta foi de 1,7 ano.

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Michel Temer deve trocar 17 ministros, diz Romero Jucá

ter, 14/11/2017 - 17:03

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse hoje (14), pelo Twitter, que o pedido de demissão de Bruno Araújo do Ministério das Cidades acabou por “precipitar” o debate sobre a reforma ministerial dentro do governo. De acordo com Jucá, o presidente Michel Temer deverá trocar 17 dos 28 ministros.

Senador Romero Jucá disse, pelo Twitter, que o presidente Michel Temer trocará 17 ministrosWilson Dias/Agência Brasil

“A saída do ministro da Cidades precipita a discussão da reforma ministerial, tendo em vista que há ministério vago. Temer está avaliando e discutindo como vai fazer. Será uma reforma ampla, 17 ministérios vagos no prazo que o presidente determinar. Ele quem vai definir o ritmo”, publicou o senador em sua conta no Twitter.

Saída 

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, entregou o cargo hoje (13) ao presidente Michel Temer. Em carta entregue ao presidente, Araújo agradece a confiança durante seu período à frente da pasta e diz que não há mais apoio dentro do seu partido, o PSDB, para se manter no cargo. “Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir essa tarefa”, afirmou.

No documento, Araújo elenca algumas ações do ministério durante sua gestão e encerra com um elogio ao governo Temer.

“Tenho a convicção, Sr. Presidente, que a serenidade da história vai reconhecer no seu governo resultados profundamente positivos para a sociedade brasileira. Receba minha exoneração e meus agradecimentos”, finalizou Araújo, na carta, cuja autenticidade foi confirmada por sua assessoria.

Araújo é deputado federal pelo PSDB de Pernambuco e assumiu o ministério em maio do ano passado. Ele participou da criação de programas como o Avançar e o Cartão Reforma. 

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Jungmann discute em Washington criação de autoridade sul-americana de segurança

ter, 14/11/2017 - 16:04

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, se reuniu em Washington com o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos Estados Unidos, Thomas A. Shannon Jr., para discutir a possibilidade de criação de uma autoridade sul-americana de segurança, para combater a criminalidade, principalmente na região de fronteira.

Segundo o ministro da Defesa, no Brasil, o crime organizado se nacionalizou e se transnacionalizou, o que, para Jungmann, representa um risco à sociedade, às instituições e à democracia.

Shannon, que esteve à frente da embaixada norte americana no Brasil de 2011 a 2013, ressaltou a importância do compartilhamento de informações, experiências e inteligência entre governos no combate ao crime organizado internacional.

Durante o encontro, Jungmann lembrou ainda que os Estados Unidos são um dos 23 países que participaram do Amazonlog2017, exercício multinacional interagências de logística humanitária, que ocorreu de 6 a 13 deste mês, em Tabatinga (AM), na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

O evento, inédito na América do Sul, contou com quase 2 mil participantes. O objetivo foi desenvolver diretrizes para ações humanitárias, com resposta rápida a adversidades causadas por ondas migratórias, catástrofes e acidentes.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-11/amazonlog-reforca-...

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Pezão diz que base na Alerj é forte e deputados saberão se explicar

ter, 14/11/2017 - 16:00

"Nossa base é muito forte. Tenho certeza que os deputados vão saber se explicar. Já ocorreu outras vezes e eles se explicaram. Tem que se dar o direito de defesa a essas pessoas", disse o governadorFernando Frazão/Agência Brasil

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, minimizou hoje (I14) o impacto da Operação Cadeia Velha na base de seu governo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), e disse ter certeza de os deputados que são alvos da operação "saberão se explicar".

"Nossa base é muito forte. Tenho certeza que os deputados vão saber se explicar. Já ocorreu outras vezes e eles se explicaram. Tem que se dar o direito de defesa a essas pessoas", disse o governador.

Na manhã de hoje, a Polícia Federal cumpriu mandados de condução coercitiva contra três parlamentares do PMDB na Alerj e prendeu donos de empresas de ônibus do Rio de Janeiro. Foram conduzidos à superintendência da PF o presidente da assembleia, Jorge Picciani, o ex-presidente da Alerj e ex-secretário de Pezão Paulo Melo, e Edson Albertassi, que foi indicado pelo governador para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Felipe Picciani, filho do presidente da Alerj, foi preso preventivamente.

As investigações apuram o uso da presidência e outros postos da Alerj para a prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A organização criminosa descrita nas investigações teria começado no governo de Sérgio Cabral.

Ao falar sobre a operação deflagrada hoje, Pezão disse ainda que é preciso ter calma e esperar o julgamento sobre Albertassi para dizer se retira sua indicação ao tribunal de contas.

"Eu indiquei o deputado Albertassi e não tinha nada que o desabonasse. Vamos esperar. Investigação não quer dizer que ele esteja condenado", disse.

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PRF encontra 2,8 toneladas de maconha em fundo falso de caminhão no Paraná

ter, 14/11/2017 - 15:25

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 2,8 toneladas de maconha na BR-163, em Marechal Cândido Rondon, na região oeste do Paraná. A droga estava em um fundo falso de um caminhão destinado ao transporte de frangos. A apreensão de 2,8 toneladas de maconha é a terceira maior feita este ano pela PRF no estado.

Segundo a PRF, a maior foi registrada no município de Toledo, no dia 26 de julho, quando 4,3 toneladas de maconha foram apreendidas. A segunda maior ocorreu em Céu Azul, em 11 de agosto (4 toneladas).

A maconha estava em um fundo falso de um caminhão destinado ao transporte de frangosDivulgação/Polícia Rodoviária Federal

Além da droga, os agentes da PRF encontraram uma metralhadora, 450 munições de diversos calibres e quatro frascos de anabolizantes. A ação ocorreu nessa segunda-feira (13).

O motorista, que foi preso em flagrante, disse que vinha de Caarapó, em Mato Grosso do Sul, e que entregaria a maconha, a arma, as munições e os anabolizantes em Sorocaba, no interior de São Paulo.

Ele foi conduzido para a Delegacia da Polícia Federal em Guaíra, no Paraná. O motorista deverá responder pelos crimes de tráfico de drogas, tráfico internacional de arma de fogo e importação ilegal de medicamentos, segundo a PRF.

 

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STF retira da primeira instância investigação sobre irmã e primo e de Aécio

ter, 14/11/2017 - 15:11

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou hoje (14) a decisão individual do ministro Marco Aurélio, que determinou o desmembramento da investigação aberta contra Andreia Neves e Frederico Pacheco, irmã e primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG). O ex-assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), Mendherson Sousa Lima, também foi beneficiado pelo entendimento.

Com a decisão, tomada por 4 votos a 1, os acusados voltarão a ser investigados pelo Supremo. Durante o julgamento, os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber aceitaram recurso do Ministério Público Federal (MPF) e votaram conta o entendimento do relator, Marco Aurélio. De acordo com os ministros, o caso deve julgado pela Corte por haver conexão entre os crimes investigados.

Conforme decisão individual do relator, assinada em junho, os acusados seriam julgados pela primeira instância da Justiça de São Paulo, local onde Frederico e Mendherson foram gravados em ações controladas da Polícia Federal (PF) a partir das delações da JBS. Com base nas acusações, todos foram denunciados pelo crime de corrupção passiva pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Em junho, o colegiado também determinou que Andrea Neves, Frederico Pacheco e Mendherson Sousa Lima passem a cumprir prisão domiciliar. Eles estavam presos na Operação Patmos, da Polícia Federal, deflagrada a partir das delações da JBS.

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Gabarito oficial do Enem 2017 é divulgado

ter, 14/11/2017 - 15:06

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou há pouco o gabarito oficial das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017, realizadas nos dias 5 e 12 de novembro. 

Com o gabarito, os candidatos podem saber quantas questões acertaram. 

Correção das provas

A correção das provas é feita usando a metodologia da Teoria de Resposta ao Item (TRI), em que o valor de cada questão varia conforme o percentual de acertos e erros dos estudantes naquele item.

Dessa forma, um item em que grande número dos candidatos acertarem será considerado fácil e, por essa razão, valerá menos pontos. Já o estudante que acertar uma questão com alto índice de erros ganhará mais pontos por aquele item.

Por isso, não é possível calcular a nota final apenas contabilizando o número de erros e acertos em cada uma das provas. Dois candidatos que acertarem o mesmo número de questões podem ter pontuações diferentes.  O estudante só tem como saber a nota final no Enem quando o resultado sair.

A correção é feita por meio de um sistema de reconhecimento no qual a Fundação Getulio Vargas e a Cesgranrio extraem os dados com as respostas das questões objetivas de cada participante, durante a etapa de digitalização. Por isso, é imprescindível que o preenchimento do cartão-resposta tenha sido realizado com caneta esferográfica de tinta preta.

O Boletim de Desempenho deverá ser disponibilizado aos participantes em 19 de janeiro de 2018.

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Mulheres se sentem menos seguras no Complexo do Alemão, diz estudo

ter, 14/11/2017 - 14:57

Segundo o levantamento, os impactos da militarização são sentidos de forma diferente dependendo do sexo do morador: 46,4% das mulheres entrevistadas disseram não se sentir seguras na comunidade VALTER CAMPANATO-ABR

As mulheres moradoras do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, se sentem menos seguras que os homens na comunidade por causa da violência. É o que mostra o estudo “Ninguém entra, ninguém sai. Mobilidade urbana e direito à cidade no Complexo do Alemão”, do Brics Policy Center, organização vinculada ao Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Segundo o levantamento, os impactos da militarização da vida na favela são sentidos de forma diferente dependendo do sexo do morador: 46,4% das mulheres entrevistadas disseram não se sentir seguras na comunidade por conta dos constantes tiroteios. Entre os homens, o percentual é 34,2%. A pesquisa ouviu 163 pessoas.

“A diferença entre o índice de sensação de insegurança proporcional entre mulheres e homens é sintomático de como a sensação de (in)segurança, em um contexto de violência extrema, é atravessada por um corte de gênero significativo, na qual as mulheres se sentem mais vulnerabilizadas que os homens”, diz a publicação.

Mobilidade

De acordo com o estudo, o ônibus é o meio de transporte mais utilizado pelos moradores do Complexo do Alemão para o acesso à cidade: 52,2% dos entrevistados responderam que utilizam ônibus; 12,4% usam mototáxi; 12% kombi; 10% carro; 7,2% metrô ou trem; 4,3% moto; 1% bicicleta e 1% anda a pé.

Apesar de ser o meio de transporte mais utilizado, 29,1% dos entrevistados afirmaram ser o ônibus de péssima qualidade; 17,28% disseram ter uma qualidade ruim; 34,57% responderam ser regular; 16,67%, boa e apenas 2,47% disseram ser ótima.

Segundo a pesquisa, muitos entrevistados se queixaram que com a reestruturação de algumas linhas que ligavam a zona norte à zona sul do Rio, muitos ônibus que passavam nas adjacências do Complexo do Alemão mudaram de rota e não chegam até a zona sul, fazendo com que o morador tenha que pegar mais de um ônibus para chegar a essa região da cidade.

“Em outras palavras, mais da metade dos entrevistados têm um acesso ao serviço público de transporte cada vez mais precarizado, o que contribui para restringir não só a qualidade destes serviços, mas, sobretudo, a qualidade do seu acesso à cidade do Rio de Janeiro”, aponta o texto.

Ao serem perguntados sobre o meio de se locomoverem dentro do Complexo do Alemão, 47,8% dos entrevistados afirmaram andar a pé para ir de um lugar ao outro da comunidade; 31,3% disseram utilizar mototáxi; 9,3% afirmaram usar kombi; 3,8% utilizam carro próprio; outros 3,8% usam bicicleta; 0,5% moto e 3,3% não responderam.

“A comunidade não conta com o serviço público de transporte coletivo e recorre a outros meios que suprem a falta de ônibus dentro dos limites territoriais da comunidade”, mostra o estudo.

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