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Atualizado: 3 minutos 59 segundos atrás

Empresas monitoram internautas pelos navegadores

dom, 12/08/2018 - 11:15

Nos últimos anos, dados pessoais entraram no centro de disputas econômicas e políticas. Essas informações passaram a ser chamadas de “o novo petróleo” e organizações internacionais classificam como o principal insumo de uma “4ª revolução industrial”. Na política, as denúncias de interferências em processos políticos e eleições por grandes plataformas colocou em evidência o poder da coleta desses registros para direcionar anúncios e mensagens.

Neste cenário, emerge uma disputa silenciosa entre as diversas iniciativas de coleta de dados e as tentativas de se proteger dessa prática, seja por meio de legislações seja por condutas cotidianas. Navegadores usados em desktops e smartphones são um dos canais por meio dos quais cidadãos têm sido monitorados.

O alerta foi dado por Veridiana Alimonti, representante da entidade internacional Eletronic Frontier Foundation (EFF), na nona edição do “Seminário sobre Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais”, evento promovido pelo Comitê Gestor da Internet nesta semana em São Paulo e que reuniu especialistas internacionais no tema.

No encontro, a especialista em políticas digitais, que também já integrou o comitê, chamou a atenção para as formas de vigilância das pessoas por meio de sistemas como Chrome, Firefox, Safari e Internet Explorer. Por meio de diversos mecanismos, empresas coletam e reúnem informações sobre pessoas sem que elas saibam.

Esses registros permitem que, ao acessar determinado site ou serviço (como uma página de comércio eletrônico), o site identifique de quem se trata, abrindo espaço para formas de segmentação e até mesmo discriminação. Um exemplo desse tipo de prática é a diferenciação de preços pelo CEP do comprador.

Um dos mecanismos utilizados nesse monitoramento são os conhecidos cookies, instalados em dispositivos ao acessar um site. Os cookies são pequenos “pedaços de código” (ou mini-programas) criados para registrar dados da navegação das pessoas e repassar a empresas com fins de rastreamento.

Esse tipo de recurso é utilizado em geral por agências de marketing digital, cuja adoção ocorre para que os anúncios “sigam” os usuários pelos sites pelos quais navegam. Nesses casos, o usuário pode apagar os cookies instalados. Cada navegador oferece essa funcionalidade em determinado local das suas configurações.

Outra técnica de vigilância é conhecida como “supercookie”. Nela, provedores incluem códigos nos cabeçalhos de navegação para cada cliente, mas que não são vistos pelo usuário. Assim, quando uma pessoa faz um acesso, o site pode ler o identificador e saber que se trata de determinado computador ou domicílio.

“Impressão digital” dos navegadores

Contudo, há um sistema de rastreamento mais perigos que os cookies, mostrou Veridiana Alimonti no seminário do CGI, conhecido pelo nome em inglês “fingerprinting”, termo que designa uma espécie de “impressão digital” formada no navegador de cada pessoa. Quando alguém acessa um site, empresas conseguem atribuir uma identificação a um navegador em um computador por meio da combinação de várias informações, como elementos da configuração do navegador e do computador, fuso horário, entre outros.

“Sites podem fazer isso sem serem detectados. Essa informação não está no seu computador, mas nas empresas. Isso pode ser usado, inclusive, para recriar os cookies. Essa técnica não oferece nenhuma funcionalidade útil aos usuários e na prática cria um potencial identificador global por meio do qual se pode acompanhar a navegação dos usuários e criar perfis de forma mais obscura”, analisou a especialista.

Navegadores mais seguros

Internautas têm hoje à disposição diversos navegadores. Entre os mais famosos estão Google Chrome, Internet Explorer, Safari (da Apple) e Mozilla Firefox. Mas há outros menos conhecidos como Tor, Brave e Opera. Segundo ranking realizado pelo site ExpressVPN, especializado em publicidade, o navegador mais seguro é o Tor Browser, seguido pelo Firefox e pelo Brave.

“Ele é um Firefox com vários consertos relacionados à segurança e privacidade. Além de encaminhar todo o tráfego através da rede Tor, ele bloqueia funcionalidades nos sites que podem ser usadas para te identificar. Os sites que tentarem monitorar você não vão conseguir diferenciar seu acesso do das milhões de pessoas que usam Tor diariamente. Alguns sites não carregam bem nele, mas é a melhor alternativa”, recomenda o diretor de tecnologia da organização Coding Rights e membro do conselho editorial do Boletim Antivigilância, Lucas Teixeira.

O Mozilla lançou recentemente o Firefox Focus para dispositivos móveis, com alguns mecanismos de proteção contra rastreamento. Ele permite bloquear rastreadores de anúncios, de análise, de redes sociais ou de conteúdos. Além disso, deixa o botão de remoção do histórico de navegação na tela inicial, facilitando a operação.

Consumidor critica limitação à internet - Arquivo/Agência Brasil

O Firefox para desktops possui alguns plugins (extensões) para evitar coletas indevidas. Um exemplo é o chamado “Facebook Container”, que “isola” a aba da rede social e impede que ela possa registrar o que o usuário faz em outras abas. É por meio dessa vigilância, por exemplo, que o Facebook usa o dado de uma visita que você fez em um outro site (como uma busca sobre uma cidade) para oferecer anúncios (como a venda de passagens para aquela cidade).

Um dos mecanismos anunciados pelos navegadores como forma de garantir um ambiente mais seguro são as abas “privativas” (ou denominação semelhante). Esses recursos, entretanto, segundo Lucas Teixeira, são pouco efetivos, valendo apenas para evitar que o site acessado fique registrado no histórico de navegação e não guarde cookies depois de fechada a janela, mas não protege contra formas mais sofisticadas de monitoramento.

Ferramentas de proteção

A Eletronic Frontier Foundation criou um projeto para alertar usuários sobre técnicas de rastreamento por meio de navegadores, chamado Panoptclick. Acessando o site, é possível fazer um teste para verificar se o seu Chrome, Microsoft Edge ou Firefox estão protegidos desse tipo de mecanismos.

Além do projeto, a Eletronic Frontier Foundation também disponibiliza um plugin (extensão) que protege navegadores de mecanismos de rastreamento que são instalados por sites. O recurso é chamado “Privacy Badger” (Texugo da Privacidade, na tradução do termo em inglês).

Na avaliação de Lucas Teixeira, esta é uma boa ferramenta. Ela não elimina totalmente a tentativa de inserir “impressões digitais” nos navegadores (fingerprinting), mas evita a instalação de vários rastreadores.

O especialista alerta que, mesmo com um comportamento seguro em relação aos navegadores, é preciso estar atento também com outros programas, especialmente aplicativos em smartphones. Os usuários devem desabilitar autorizações para usos diversos, como câmeras e microfones, como forma de evitar coleta maciça de dados por esses sistemas e dispositivos.

 

Mega-Sena acumula e pode pagar R$ 6,5 milhões

dom, 12/08/2018 - 09:27

Ninguém acertou as seis dezenas sorteadas no concurso 2067 da Mega-Sena, realizado na noite de ontem (11). O prêmio para o próximo sorteio pode chegar a R$ 6,5 milhões. 

Os números sorteados foram: 02 - 11 - 13 - 26 - 32 - 59.

Os sorteios da Mega-Sena são realizados duas vezes por semana, às quartas e aos sábados. 

A aposta mínima, de 6 números, custa R$ 3,50 e pode ser feita em qualquer casa lotérica do país. 

 

Bienal do Livro aproxima autores do público com bate papos

dom, 12/08/2018 - 09:17

A 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acaba neste domingo (12), é a oportunidade também de participar de conversas com escritores, atores e intelectuais. Ziraldo, Mauricio de Sousa e Manuel Filho são os destaques neste domingo com o lançamento do livro Mônica e Menino Maluquinho na Montanha Mágica.

Ontem (11), as atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres foram um dos destaques da programação. Elas falaram sobre o livro Fernanda Montenegro: itinerário fotobiográfico, que traz a trajetória pessoal e profissional da atriz, e emocionaram o público ao contar histórias marcantes, entre elas, alguns episódios ocorridos na ditadura militar.

Para Fernanda Torres, a troca de correspondências entre a mãe e o ator Paulo Autran, já no fim da vida dele, é um dos momentos mais emocionantes. “São duas cartas impressionantes de dois companheiros. Eles não fizeram tanto teatro juntos, mas são companheiros de estrada e uma hora se encontraram em uma novela chamada Guerra dos Sexos, em que uma cena antológica foi feita.”

Fernanda Montenegro relembrou a famosa cena “do bolo na cara”. “A gente não sabe como saiu tão bem porque não se ensaiou. Eles puseram a mesa com todos doces, pudins, leites, chocolates, não tínhamos uma dupla roupa. Caso não funcionasse, a gente tinha que parar tudo, botar outra roupa, lavar a cara, fazer cabelo.” Para a atriz, aquele foi “um momento de comunhão de atores e de intenção cênica”.

Ditadura

Fernanda Montenegro lembrou os tempos da ditadura militar no Brasil, o início com o golpe de 1964, os períodos de luta armada, de censura e do Ato Institucional número 5 – quando os mandatos parlamentares foram cassados, instituída a ingerência direta nos estados e municípios e a suspensão das garantias dos direitos constitucionais.

A atriz contou sobre a perseguição à liberdade de expressão e que havia diversos grupos de contestação política contra os militares, que se reuniam em assembleias gerais.

“Nessas assembleias, houve uma hora que quem dirigia a mesa chegou e disse 'acabo de receber um telefonema dizendo que há uma bomba dentro deste teatro'. Fernando [Torres, marido] e eu nos olhamos e dissemos 'vamos para casa'. Lélia Abramo, maravilhosa, corajosa, trotskista, levanta-se e grita 'não vamos sair daqui, vamos morrer pela nossa causa'. Hoje vocês devem perceber de que crise nós saímos”, disse Fernanda Montenegro.

Fernanda Torres acrescentou que boa parte dos relatos da mãe estão documentados. “Tem muitas cartas, documentos, a ligação com o [Gianfrancesco] Guarnieri que escreveu Eles não Usam Black-Tie. E uma das histórias maravilhosas e que falam muito sobre esse período é da Lélia Abramo. Tem uma fotografia nesse livro que é um encontro no teatro Ruth Escobar, onde a classe se reuniu pós AI-5.”

Otimista, Fernanda Montenegro afirmou que apesar do momento delicado em que o país vive, está confiante em dias melhores. “Agora eu digo o seguinte: vamos sair dessa crise [atual]. Mas eu não tenho dúvida. Estou a caminho de 90 anos, eu já vi tanta crise, tanto buraco sem fundo, mas é aquilo que o poeta diz 'acorda e canta'”.

A atriz recomendou ao público: “Então, minha gente, vamos acordar e cantar. Temos que ter esperança. Esperança às vezes é uma palavra meio esquisita porque parece que a gente senta e espera. Eu estou falando de uma esperança ativa, muito ativa. Basta a gente perseverar que a gente muda esse país”. A atriz foi muito aplaudida pelo público.

Serviço

Neste último dia da Bienal do Livro, no Pavilhão do Anhembi, há o lançamento do livro Mônica e Menino Maluquinho na Montanha Mágica, a partir das 17h, no estande da editora Melhoramentos. As senhas podem ser retiradas pelo público a partir das 16h.

Os ingressos para a Bienal do Livro custam R$ 25 (inteira) e R$ 12 (meia).

Maduro diz que é "deplorável" reação da UE sobre atentado

dom, 12/08/2018 - 09:00

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, considerou "deplorável" o comunicado emitido pela União Europeia (UE) em relação ao atentado que sofreu, quando dois drones explodiram em um ato público que liderava e do qual saiu ileso.

"Verdadeiramente é deplorável o comunicado da União Europeia, protegendo terroristas, no seu comunicado protegem terroristas, no seu comunicado não são capazes de condenar o atentado que tinha como objetivo assassinar o presidente deste país", disse Maduro referindo-se ao documento emitido há dois dias.

Na nota, a União Europeia pede que seja feita "uma investigação exaustiva e transparente" sobre o incidente ocorrido no último dia 4 "a fim de esclarecer os fatos, em pleno respeito do Estado de direito e dos direitos humanos". Maduro questionou esta resposta pois, alertou, o atentado "poderia ter atingido o assassinato em massa das mais altas autoridades militares e civis". 

Grupo de Lima

Ontem (11) o Brasil e mais 11 nações que compõem o Grupo de Lima  (Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru) condenaram a repressão e a perseguição política na Venezuela.

O grupo apela para o respeito à democracia e aos direitos humanos, a libertação de presos políticos e a busca por solução interna para crise que se passa no país. Também sugere a realização de “eleições livres, democráticas e transparentes”.

 

*Com informações da Agência EFE

Próximo presidente encontrará reforma tributária pronta para votar

dom, 12/08/2018 - 08:00

Após as eleições, comissão especial da Câmara dos Deputados terá pronta para votar nova legislação tributária. A proposta promete racionalizar, tornar mais justa e eficiente a cobrança de impostos e contribuições no país.

A promulgação da Proposta de Emenda Constitucional nº 293/04, no entanto, só poderá ocorrer após o fim da vigência da intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro (Decreto nº 9.288/18), prevista para 31 de dezembro de 2018. O calendário de tramitação final coincide com o início do mandato do novo presidente a ser eleito em outubro.

O próximo mandatário poderá se beneficiar da convergência, segundo especialistas, em torno das necessidades de mudança na lei tributária, para simplificar a cobrança, acabar com a guerra fiscal entre os estados e diminuir os chamados “efeitos regressivos” - que tendem a onerar os contribuintes de renda menor.

Esses problemas são apontados por especialistas de entidades e órgãos diferentes como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal , o Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), responsável pelo o cálculo do Impostômetro.

IVA

Nas propostas há diferenças quanto à abrangência da reforma, prazos, gradualismo, repartição da arrecadação, peso das alíquotas e autonomia das unidades da Federação para tributar. É quase senso comum a criação do Imposto de Valor Adicionado (IVA).

Alexandre Ywata, diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, defende a adoção do IVA e explica como funciona o imposto. “A empresa tem sua receita em função da venda de seu produto ou serviço. Dessa receita que será tributada, desconta-se antes o gasto com os insumos oferta daquele bem (matéria prima, transporte, energia, consultorias). Assim, uma empresa que teve faturamento de R$ 2 milhões e que tem gastos de R$ 1,8 milhão com insumos, e terá tributação em cima de R$ 200 mil”.

Na PEC, em fase final de acolhimento de emendas, o IVA substitui o ICMS, IPI, ISS, Cofins, salário-educação.

A reforma descrita na proposta de emenda constitucional também acaba com o IOF e ainda estabelece um imposto seletivo para arrecadação federal sobre energia elétrica, combustíveis líquidos e derivados, comunicação, cigarros bebidas e veículos; entre outras medidas.

O relator da proposta, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), afirma que não haverá aumento da carga tributária e nem perda de arrecadação para a União e para os estados. No caso dos municípios, esses receberão mais tributos. Hauly acredita que haverá mais recursos com aumento da eficiência de arrecadação, diminuição de litígios e da burocracia.

“Ao simplificar e eliminar nove tributos da base de consumo substituir pelo IVA e um apêndice, vamos diminuir totalmente a burocracia”, prevê.

Para Bernardo Appy, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e hoje à frente do CCiF, a reforma tributária sobre bens e serviços “é a medida com maior impacto no aumento da produtividade num horizonte de 10 a 20 anos”. Por isso, “deveria estar na agenda de qualquer governo que deseja aumentar a renda dos brasileiros nas próximas décadas”.

O ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, enfatiza que o próximo presidente deverá se mobilizar para viabilizar melhoria na legislação tributária. “Se não houver a intervenção direta do [Poder] Executivo nada anda. É fora de propósito imaginar que o Congresso tenha capacidade de iniciativa para deflagrar modificações desse porte”.

Caso a reforma tributária venha a ser aprovada como descrita na PEC, o novo presidente terá de atuar no Parlamento pela aprovação da legislação complementar que definirá, entre outras coisas, alíquotas dos novos impostos. O novo governo também deverá cuidar da criação e implantação das plataformas eletrônicas para declaração de ganhos e arrecadação dos novos impostos.

Gabinete de crise investiga explosão na Usiminas em Ipatinga

sab, 11/08/2018 - 21:46

A explosão de um gasômetro na Usiminas, em Ipatinga (MG), a 220 quilômetros de Belo Horizonte, levou à instauração de um gabinete de crise para apurar o acidente. O Ministério Público de Minas Gerais e representantes de órgãos ambientais se uniram para investigar a dimensão da explosão e os impactos sobre a natureza.

O promotor responsável pelo trabalho, Rafael Pureza Nunes da Silva, afirmou hoje (11) à Agência Brasil que um inquérito civil público será instaurado para verificar os danos ambientais. A ação será conduzida pela Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Ipatinga.

Segundo o promotor, foram feitas duas vistorias técnicas na região da Usiminas: uma ao longo do dia hoje e outra ontem (10) à noite, depois que houve o acidente. De acordo com ele, ainda não há uma conclusão sobre as análises nem prazo para finalizar o trabalho.

“Não trabalhamos com prazos. Queremos verificar a dimensão do acidente e os danos causados ao meio ambiente e às pessoas. A nossa preocupação é avaliar todos os detalhes”, disse Rafael Silva.

O promotor esteve no Hospital Márcio Cunha, no qual os feridos foram atendidos. Também foi até o local da explosão e disse ter observado que todas as 34 vítimas foram socorridas e que a situação estava sob controle.

O gabinete de crise para investigar o acidente é coordenado pelo Ministério Público, mas conta também com representantes da  Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais, do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (Nucrim) e do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma).

A explosão em um dos quatro gasômetros da Usiminas ocorreu ontem, por volta das 12h40, segundo a empresa. A Usiminas informou que investiga as causas do acidente, assim como assegurou que as normas de fiscalização e conduta para a manutenção do sistema de gasômetros são seguidas pela empresa.

Estudantes do Pedro II são premiados em olimpíada internacional

sab, 11/08/2018 - 20:24

Na semana em que o Brasil recebeu o mais importante evento mundial da matemática, o  Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2018, na sigla em inglês), com a entrega dos principais prêmios da área e da Medalha Fields, considerada o "Prêmio Nobel” da matemática, um grupo de 220 estudantes brasileiros cruzava o globo terrestre em direção a Bangcoc, na Tailândia, para representar o país na Asia International Mathematical Olympiad (Aimo).

Segundo a Rede do Programa de Olimpíadas de Conhecimento (POC), 110 estudantes brasileiros foram premiados na Aimo, a maior competição internacional de matemática, que reúne 2 mil estudantes do ensino fundamental e médio de 14 países. Os colégios são convidados a participar de acordo com o resultado na Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras, a edição brasileira da Mathématiques Sans Frontières, criada na França em 1989.

No Rio de Janeiro, uma delegação se destacou: a do Colégio Pedro II, uma instituição pública federal. Foram 29 estudantes de 13 a 18 anos, todos premiados, dos campi Centro, Humaitá II, São Cristóvão III e Tijuca II, que trouxeram na bagagem oito menções de honra ao mérito, 14 medalhas de bronze, cinco de prata e duas de ouro, entre as três conseguidas pelo Brasil. A melhor prova entre os brasileiros foi de Marlon Fagundes Pereira Júnior, do campus Tijuca II, que ganhou o prêmio Star of Brazil. O grupo de estudantes e de professores da instituição retornou na quarta-feira (8) ao Brasil.

Oportunidade

Em entrevista à Agência Brasil, alunos e professores disseram que foi uma experiência única e que as premiações superaram muito a expectativa. Eles citaram dificuldades, como a ansiedade, a dificuldade com o idiona, já que a prova foi em inglês, e a falta de esperança de bons resultados.

Aos 14 anos, Marlon, do 9º ano, já tinha ido para a Índia, no ano passado, participar de uma competição de matemática, mas não obteve o ótimo resultado alcançado agora. “Essas viagens, além de estudos, também servem pra gente aprender mais sobre a cultura, especialmente no caso dos países da Ásia, e são uma experiência que podemos levar para toda a vida”, diz Marlon, que pensa em seguir carreira na pesquisa em matemática. “Todo mundo que queira seguir a carreira de matemática, que vá em frente, porque é uma área muito bonita. É preciso não ver a matemática como um bicho de sete cabeças, mas como algo com que você pode se divertir”.

Sobre o prêmio pela melhor pontuação do país, o jovem afirma que não esperava nem ganhar medalha. “Eu dizia para um amigo, ‘acho que não vou ganhar nada, porque há muita gente que se preparou a vida toda para essa olimpíada’. Nessa hora, apareceu meu nome no telão e saí correndo, com o professor atrás com a bandeira. Foi uma grande surpresa, uma mistura de confusão e felicidade, serve como grande estímulo”.

Marina Sargineto Jucá, do 2º ano da Tijuca, levou um trabalho em grupo e trouxe o bronze da Tailândia. “A competição tem duas horas, em inglês, toda discursiva. A prova é um nível acima. O inglês acrescenta mais um desafio, porque além da matemática e do tempo, há o inglês e o nervosismo atrapalha. Ir em grupo ajuda na confiança, a gente estudou em grupo também, fazendo as provas antigas.

Segundo Thamires Nascimento Monteiro, do 1º ano de São Cristóvão, a turma não estava com esperança de ter bons resultados na prova. “A gente acreditava que não ia passar, porque todo mundo sabe que os asiáticos estudam bastante, são muito focados, estávamos com muito medo. Depois da prova a gente achava que não tinha ido muito bem, mas quando o resultado saiu vimos que foi o contrário do que imaginávamos”.

Olimpíadas de conhecimento

A trajetória desses estudantes até a Aimo passa pelas olimpíadas de conhecimento, principalmente a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), a Canguru e a Matemática sem Fronteiras. A coordenadora-geral do Departamento de Matemática do Colégio Pedro II, Maria Helena Baccar, explica que todos os campi são estimulados a participar de todas as olimpíadas possíveis.

“Em cada campi temos um ou dois professores responsáveis por cuidar disso. É um trabalho muito grande e dura o ano todo. Obmep, Omerj, Canguru, Matemática Sem Fronteiras, que organiza essa internacional, a OBM, que está dentro da Obmep, tem a Tubarão e da Unicamp, a Omif, dos institutos federais para os campi que têm ensino médio integrado ao técnico”.

Lavínia Ponso e Vasconcelos, do 2º ano de Humaitá, diz que a medalha de bronze fez com que acredite que a matemática é um caminho a ser seguido profissionalmente. “O significado disso para mim é imenso. Me inspirei muito com essa medalha, essa viagem, essa olímpiada, a acreditar que vale a pena”.

Outro ouro da turma, Francisco José Martins de Lima, do 3º ano de São Cristóvão, participa de olimpíadas de matemática e coleciona medalhas desde 2013. “A Obmep me despertou mais para ver o quanto a matemática é incrível. Quando ganhei a medalha da Obmep, vi esse mundo se abrindo e agora cheguei a um nível que jamais esperava alcançar”, afirma ele, que teve na viagem a Bangcoc sua primeira experiência internacional. Francisco diz que gostaria de voltar para o colégio como professor de matemática.

Tesponsável pelo Programa de Iniciação Científica em matemática no campus Centro, Josimar Silva destaca que em 25 anos de carreira é possível notar a contribuição que as olimpíadas trazem para os alunos e para a quebra do estigma que a matemática tem.

“A gente vai conseguir reverter essa coisa de a matemática ser uma disciplina chata, dura, ruim, e tentar trazer o caráter lúdico que a matéria tem naturalmente. Matemática é um barato e a gente acredita que, com isso, essa coisa vai reverberar e a gente acabará divulgando a matemática mais bacana, mais prazerosa, mais lúdica mesmo”.

A coordenadora das olimpíadas no campus Centro, Ana Patrícia Trajano de Souza, lembra que, além de despertar o interesse para as matérias, as competições conectam mais os jovens à escola. “Alguns vão ser depois monitores, acabam se integrando também a outras coisas no colégio, passam a ser referência dentro da sala, os colegas se juntam, pedem mais ajuda, porque às vezes o diálogo com outros alunos ajuda”.

Luiza Costa Pacheco, do 3º ano da Tijuca, prata na Aimo, diz que os colegas achavam “surreal” alguém gostar de matemática. “Eu tenho ajudado e depois que eles aprendem, percebem que dá pra entender matemática e se tiver um esforço, é até tranquilo. Pararam de ver a matéria como algo estranho”.

Thales Araújo de França, do 3º ano do Centro, só se arrepende de não ter começado antes a participar das olimpíadas, já que fez a primeira prova em 2016, ganhando um bronze na Obmep. “Ganhei medalha de prata agora, queria fazer a Aimo de novo no ano que vem, mas o 3º ano bateu à porta, então essa coisa de chegar mais tarde na matemática complicou agora. Mas tudo bem, a faculdade está aí, pretendo fazer engenharia mecânica ou matemática. Vou aproveitar as olimpíadas que ainda vão ocorrer, como a Unicamp, Obmep, Omerj, e vamos ver no que vai dar”.

Ensino público

A professora Maria Helena explica que o colégio garantiu a verba para a viagem dos estudantes e o departamento oferece aulas preparatórias. “A aula que a gente dá já é uma preparação, mas para os alunos que têm interesse, também fornecemos aulas preparatórias, dependendo do campus. Estamos dando condições para os alunos, com aquela educação pública que a gente acredita ser de qualidade”.

Para o professor Josimar, há 15 anos no Pedro II, é importante ver oportunidades como a viagem à Tailândia como um investimento em educação, e não um gasto para o erário.“O investimento que é feito, muitas vezes é visto como custo, mas, na verdade, é um investimento, e a gente não consegue dimensionar o valor disso. Porque o impacto que vai causar nas crianças que estão vendo tudo isso acontecer, a maneira como vão olhar o ensino da matemática, como esses jovens que estão aqui agora vão lidar com o ensino dos seus filhos, isso não tem como calcular”.

O professor Luis Amorim Duarte, da Tijuca, explica que vários projetos são implantados por vontade e persistência do próprio corpo docente. “Existem aptidões, as pessoas se envolvem mais com áreas afins. Você poder oferecer a cada um, que vai se tornar um cidadão, que quer estudar matemática a fundo, ou estudar mais ciências sociais, isso é importante. A gente tem a oportunidade de sair um pouco do currículo básico”.

O professor Wallace Salgueiro, da Tijuca, diz que os bons resultados dos estudantes estimulam também os docentes a continuar com os projetos. “A gente fica extremamente estimulado, tanto que no próximo ano vamos ter três professores dando aulas de aprofundamento para olimpíadas, hoje é só um”.

De acordo com ele, outras disciplinas também começaram a incentivar os estudantes a participar das olimpíadas, como ciências, química, física, história, filosofia, levando a um ciclo virtuoso que estimula o aprendizado no ensino público. “De fato, é importante mostrar que o ensino público no Brasil tem ótimas referências. A gente mostra que é possível, é a prova cabal de que tem solução sim o ensino público de qualidade para o país”.

Maria Luisa Mendes, do 8º ano do Centro, diz que começou a fazer as olimpíadas com o objetivo de treinar para uma seleção para outra escola. “Eu ficava muito nervosa ao fazer prova. Minha mãe sugeriu que eu fizesse para treinar. Vi que foi dando frutos, que ia passando de fase mesmo sem estudar, então pensei ‘talvez eu deva continuar fazendo isso’.

Confira a lista dos estudantes do Colégio Pedro II na AIMO:

Campus Centro:

• Daniel Iorio Alves (honra ao mérito)
• Gustavo Santos Gonçalves (prata)
• Lucas de Melo Brito (bronze)
• Maria Eduarda Pureza Guimarães (honra ao mérito) 
• Maria Luiza Imenes Nobre de Almeida (honra ao mérito)
• Mariana Paixão Batista  (honra ao mérito)
• Sophia Lay (prata)
• Thales Araújo de França (prata)

Campus Humaitá II:

• Ernesto Rui Alpes Gurgel do Amaral (bronze)
• João Vitor Leal de Souza (bronze)
• Lavínia Ponso e Vasconcelos (bronze)
• Lucas Rodrigues de Miranda  (bronze)
• Pedro Miguel Moraes Vilella da Costa Braga Santiago (honra ao mérito)
• Tárik Haddad (honra ao mérito)
• Yan Gabriel Inagaki de Souza (bronze)

Campus São Cristóvão III:

• Aline Alvarenga Sanches (prata)
• Ana Clara de Oliveira Campos (bronze)
• Davi Silvério Mascarenhas (bronze)
• Francisco José Martins de Lima (ouro)
• Ícaro Gabriel Moura Dias (honra ao mérito)
• Lucas de Lyra Monteiro (bronze)
• Thamires Nascimento S. Monteiro (bronze)

Campus Tijuca II:

• Carlos Eduardo Farias da Costa (bronze)
• Felipe de Faria Teixeira (bronze)
• Guilherme Scorza da Silva (bronze)
• Luiza Costa Pacheco (prata)  
• Marina Sangineto Jucá (bronze)
• Marlon Fagundes Pereira Júnior (ouro, melhor prova do Brasil, prêmio Star of Brazil)
• Polyana Ferreira Freire (honra ao mérito)

 

Avião cai em área residencial em Goiânia

sab, 11/08/2018 - 18:55

Um avião de pequeno porte caiu hoje (11) em uma área residencial na cidade de Goiânia. Três pessoas estavam a bordo, dois adultos e uma criança. O piloto está em estado grave, enquanto o outro integrante teve ferimentos na perna. As informações foram dadas à Agência Brasil pelo Corpo de Bombeiros de Goiás.

Segundo a encarregada do caso no Corpo de Bombeiros, tenente Carlane Calixto, as três pessoas que estavam dentro do avião foram encaminhadas ao Hospital Estadual de Urgências da Região Noroeste de Goiânia (Hugol). Ela não soube informar o estado da criança. A Agência Brasil tentou contato com o hospital, mas não conseguiu mais informações sobre a situação dos feridos.

A aeronave caiu no muro que separava duas residências, no setor Jardim Bela Vista. Não havia nenhum morador no interior. Uma das casas foi atingida, com danos na estrutura. A outra não teve maiores prejuízos. O dono da residência danificada já chegou ao local. A área foi isolada pelo Corpo de Bombeiros. Como se trata de um veículo particular, a retirada dos destroços cabe a seus proprietários.

Ônibus cai em abismo no Peru, mata 8 e fere 40 pessoas

sab, 11/08/2018 - 18:25

Um ônibus caiu em um abismo na região de San Isidro, distrito de Hermilio Valdizán, no Peru. No acidente, oito pessoas morreram e 40 ficaram feridas. As causas ainda estão sendo investigadas.

A Andina, agência pública de notícias do Peru, informa que a Polícia Nacional, o Corpo de Bombeiros e seguranças locais fizeram os resgates no local do acidente.

O ônibus caiu e ficou entre árvores, a uma distância de 100 metros da pista.

*Com informações da Andina, agência pública de notícias do Peru

Brasil e mais 11 países condenam repressão política na Venezuela

sab, 11/08/2018 - 17:51

O Brasil e mais 11 países (Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru), que formam o chamado Grupo de Lima, emitiram declaração hoje (11) condenando a repressão e a perseguição política na Venezuela.

O grupo apela para o respeito à democracia e aos direitos humanos, a libertação de presos políticos e a busca por solução interna para crise que se passa no país. Também sugere a realização de “eleições livres, democráticas e transparentes”.

A reação dos 12 governos ocorre no momento em que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aponta como responsáveis pelo suposto atentado contra ele, no último dia 4 em Caracas, os deputados de oposição Juan Carlos Requesens e Julio Borges.

O governo da Venezuela divulgou que drones foram utilizados na tentativa de atingir o presidente da República. Também informou que 19 pessoas foram presas, Requesens foi detido e há uma ordem de prisão contra Borges.

Inquietação

A declaração conjunta do Grupo de Lima afirma que os 12 países "expressam sua profunda inquietude pela utilização de instituições de segurança e aplicação da lei do Estado venezuelano para perseguir adversários políticos, o que demonstra mais uma vez a ruptura da ordem democrática e a violação da Constituição daquele país, contrariando a vontade do povo venezuelano”.

O Brasil e demais países apelam para a “libertação imediata”  de todos os presos políticos na Venezuela e exigem o respeito às “garantias e às liberdades políticas” dos cidadãos venezuelanos, assim como a “convocação de eleições livres, transparentes e democráticas”.

Reação

Na declaração conjunta, os países que compõem o Grupo de Lima são categóricos. “Diante das recentes ações de repressão empreendidas contra os deputados da Assembleia Nacional da República Bolivariana da Venezuela, repudiam qualquer tentativa de manipular o incidente ocorrido em 4 de agosto para perseguir e reprimir a dissidência política.”

Em outro trecho, a declaração afirma que o Brasil e os demais 11 países “condenam e rechaçam firmemente a violação do devido processo legal e das normas internacionais em matéria de aplicação da lei e de respeito aos direitos humanos, durante a detenção arbitrária, ilegal e sem investigação prévia” do deputado Requesens e do mandado de prisão emitido contra Borges.

Para o Grupo de Lima, há violações à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, à Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e à Carta da Organização dos Estados Americanos.

Atentado

A declaração recomenda ainda que seja feita uma investigação “independente, exaustiva e transparente” sobre a suspeita de atentado contra Maduro há uma semana. “Com o objetivo de esclarecer os fatos de maneira imparcial, com absoluto respeito ao estado de direito e aos direitos humanos.”

O Brasil e as 11 nações reiteram que a declaração conjunta não é uma ingerência na Venezuela, nem tentativa de interferência, pois a defesa é que a solução para a crise no país deve ser tomada internamente.

“[O  Grupo de Lima] ao reiterar que só os venezuelanos podem encontrar a solução para a grave crise que afeta esse país irmão, reafirma seu compromisso de seguir tomando medidas e iniciativas para contribuir para a restauração das instituições democráticas, o respeito aos direitos humanos e a plena vigência do estado de direito na Venezuela.”

Após quase duas décadas, Acre confirma dois casos de sarampo

sab, 11/08/2018 - 17:37

Uma menina de nove meses está internada no Hospital da Criança, em Rio Branco, devido a complicações respiratórias em decorrência do sarampo. A segunda pessoa infectada é uma adolescente de 13 anos, do município de Capixaba. Segundo a Secretaria de Saúde do estado, ela já está fora de risco de complicações.

Os dois casos foram confirmados nessa sexta-feira (10), após exames clínicos feitos pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Acre. O material ainda será submetido a nova análise da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mais 14 casos suspeitos da doença estão sob investigação.
 

Vacinação contra o sarampo (Divulgação Organização Mundial da Saúde/Direitos Reservados)

Há 18 anos, o Acre não registrava nenhum caso de sarampo. O secretário adjunto de Atenção à Saúde, Raicri Barros, alerta que a vacinação é a principal medida para impedir que a doença não se torne um surto no estado.

“O estado está abaixo da cobertura ideal, em torno de 76%, quando o preconizado é 95%. Buscamos, ao longo desse período, expedir orientações, intensificar treinamentos, mas depende essencialmente da sociedade. Identificamos esses casos. É uma situação preocupante, de saúde pública. Sigam as orientações. Procurem uma unidade básica mais próxima. Levem as crianças. Verifiquem as cadernetas. Nas cadernetas vocês não vão encontrar vacina contra sarampo, mas sim a tríplice viral. Poliomelite é outra preocupação", disse Barros.

Público-alvo

Crianças de um a cinco anos são o publico-alvo da vacinação. No Acre, a campanha contra o sarampo começou no dia 30 de julho e mais de 180 postos fixos e móveis estão disponíveis para a população, com mais de 700 profissionais envolvidos. As ações serão intensificadas no próximo sábado (18), Dia D de Vacinação.

A Secretaria de Saúde lembra que a doença é altamente contagiosa e nos primeiros sintomas a pessoa deve ser levada a uma unidade de saúde. Tosse, coriza, inflamação nos olhos, dor de garganta, febre e irritação na pele, com manchas vermelhas, estão entre os principais sintomas.

O Brasil já registra mais de 1.000 casos confirmados de sarampo, a maioria no Amazonas e em Roraima.

Cervejas artesanais brasileiras obtêm reconhecimento internacional

sab, 11/08/2018 - 16:58

O sucesso internacional de um estilo de cerveja cuja fórmula foi desenvolvida no Brasil é responsável pelo bom momento vivido pelas cervejarias artesanais no país. Desenvolvida por produtores de Santa Catarina a partir de um dos mais tradicionais estilos da Alemanha, a Berliner Weisse, a chamada Catharina Sour é a primeira receita tipicamente brasileira incluída no catálogo da Beer Judge Certification Program (BJPC).

Considerada uma das principais organizações mundiais de certificação de juízes cervejeiros, a BJPC publica um guia de estilos da bebida que serve de parâmetro para os produtores caseiros, artesanais e industriais. Com o reconhecimento da Catharina Sour, fabricantes de todo o mundo poderão inscrever seus produtos em concursos que julgam a qualidade da bebida. Em 2016, uma das primeiras cervejarias brasileiras a apostar na fórmula, a Blumenau, faturou uma medalha de prata no Prêmio Internacional de Cerveja da Austrália, uma das mais importantes competições da atualidade.
 

Cervejaria artesanal - (José Cruz/Agência Brasil)

“Temos registro de mais de 50 rótulos batizados com esse estilo. Já há produtores de Catharina Sour no Canadá, nos Estados Unidos, na Argentina”, disse à Agência Brasil o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli, explicando que, preservadas as principais características físico-químicas e sensoriais da fórmula original, cada produtor tem liberdade para “brincar e experimentar” novas misturas, o que favorece a diversidade de sabores. Tanto que já há Catharina Sour com adição de maçã, jabuticaba, pêssego, manga, entre outras frutas.

Levemente ácida e com acentuado sabor de frutas que pode lembrar um espumante, a Catharina Sour começou a ser testada comercialmente entre os anos de 2014 e 2016, quando as microcervejarias e importadoras já se destacavam por conquistar crescente espaço no mercado cervejeiro nacional. Esse mercado, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), só fica atrás da China e dos Estados Unidos quando considerada a produção das grandes fabricantes brasileiras. De acordo com a entidade, a produção nacional total já ultrapassa os 14,1 bilhões de litros anuais.

O segmento das chamadas cervejas especiais (artesanais, importadas e `premium´) cresceu em consequência dos bons resultados da economia brasileira em anos recentes, principalmente entre consumidores das classes A e B, que, conforme lembra Lapolli, experimentaram uma mudança no padrão de consumo que favoreceu diversos segmentos. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estima que, entre 2012 e 2014, as cervejas especiais ampliaram sua fatia de mercado de 8% para 11%.

Cervejarias

O número de cervejarias artesanais em atividade é incerto. Responsável por autorizar o funcionamento desses empreendimentos, o Ministério da Agricultura não faz distinção entre o porte das empresas. No fim de 2017, havia 679 cervejarias registradas no ministério – número 37,7% superior aos 493 registros de 2016.

“No Brasil, o número de cervejarias cresceu bastante e continua crescendo, apesar da crise. Claro que, em um cenário mais favorável, poderíamos ter alcançado resultados ainda melhores”, comentou Lapolli, acrescentando que o desafio do segmento é tentar “democratizar” o consumo do produto artesanal. O que, segundo ele, demanda mais investimentos e um olhar diferenciado por parte do Poder Público.

“Infelizmente, nossos preços ainda não são acessíveis a todos os consumidores. Principalmente devido à falta de escala da produção artesanal e ao desconhecimento por parte de nosso público potencial. Mas, principalmente, devido às regras tributárias que não diferenciam um grande fabricante e um produtor artesanal industrial, cobrando de ambos os mesmos cerca de 50% em tributos”, disse o presidente da Abracerva. A entidade tem atuado junto aos poderes Executivo e Legislativo, tentando obter uma atenção especial do Poder Público.

“Temos alguns projetos tramitando no Congresso Nacional que visam à redução da carga tributária. E até hoje não há uma regulamentação, um conceito legal sobre o que seja a produção artesanal. Uma cervejaria pequena, que produza 3 mil litros mensais, tem que estar inscrita no Ministério da Agricultura e cumpre as mesmas exigências de uma fábrica que produza 30 milhões de litros mensais”, acrescentou o presidente da Abracerva.

De acordo com Lapolli, embora só detenha 1% do mercado consumidor, as cervejarias artesanais empregam cerca de 10% da mão de obra do setor. Já a CervBrasil contabiliza que, incluídas as grandes fabricantes da bebida, o setor cervejeiro gera R$ 21 bilhões de impostos anuais, respondendo por 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e por cerca de 100 mil empregos diretos.

Produtores

Porteiro de um condomínio de Santos (SP), Alcemir Emmanuel e o jornalista e produtor musical Eugênio Martins Júnior decidiram aprender a fazer sua própria cerveja ao perceber que as marcas populares já não os satisfazia. Com o tempo, perceberam que a receita agradava os amigos. Enxergaram uma oportunidade e decidiram arriscar. Sem recursos financeiros, obtiveram um investimento de R$ 12 mil de uma startup e registraram a marca Cais, nome alusivo ao Porto de Santos.

“Éramos, basicamente, dois caras cansados de beber cerveja ruim. Quando dei por mim, tinha virado uma espécie de caçador de cervejas artesanais nacionais. Ia a vários eventos, o que saía caro. Como nos eventos sempre tem estandes com palestras e cursos, acabou sendo um caminho meio natural aprender a fazer minha própria bebida”, contou Emmanuel à Agência Brasil. Hoje, produzem 600 litros por lote encomendado a outra microcervejaria e estão presentes em 20 estabelecimentos da Baixada Santista. “Todo o dinheiro que entra nós reinvestimos. Ainda não dá para viver da cerveja, mas espero que, em breve, isso se torne possível”.

O servidor público brasiliense Fábio Bakker também não consegue viver exclusivamente do negócio aberto com outros dois amigos, mas afirma já ter outras compensações. “A atividade ainda não me sustenta, mas quando me perguntam o que eu faço, me identifico como cervejeiro. Porque isso é algo que faço por gosto, que está associado à produção artesanal, à valorização dos produtos, sabores e da cultura local”, declarou Bakker, que, por formação, é engenheiro florestal.

Para lançar a marca Criolina (nome de uma conhecida festa de Brasília, produzida por um dos sócios) em 2015, Bakker e os amigos investiram cerca de R$ 150 mil. Também começaram como “ciganos”, ou seja, terceirizando a produção para outros microfabricantes. Hoje, estão em 43 pontos de venda do Distrito Federal, além de Goiânia (GO), Palmas (TO), além de uma rede de supermercados. Com o sucesso, planejam investir mais R$ 800 mil para equipar o galpão onde já realizam eventos com todo o equipamento necessário para produzir em parceria com outras marcas. Os amigos já empregam sete pessoas.

“Temos ambição de ampliar nossa produção, fazer parcerias com outras fabricantes ciganas”, anunciou Bakker, garantindo que a recente crise econômica não chegou a prejudicar os planos da Criolina. “Há sustos, lógico, mas isso é comum a todo tipo de empreendimento. O mercado das cervejas especiais ainda é incipiente e tem um enorme potencial de crescimento. E pode se aproveitar dessa mudança de padrão de consumo, da curiosidade de uma parcela dos consumidores que, hoje, está mais atenta à procedência daquilo que consome. A cerveja artesanal rompe com a ideia do globalismo e valoriza o sabor local”, acrescentou o cervejeiro.

Fachin autoriza Cristiane Brasil a visitar o pai Roberto Jefferson

sab, 11/08/2018 - 15:56

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) a visitar seu pai, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, neste domingo (12).

Pai e filha são investigados no âmbito da Operação Registro Espúrio, cuja terceira fase foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) no começo de julho deste ano, para aprofundar a apuração de suspeitas de fraudes na concessão de registros sindicais pelo Ministério do Trabalho, pasta que há tempos é comandada pelo partido. A terceira fase da operação levou o então ministro do Trabalho, Helton Yomura, a pedir exoneração do cargo.

O pedido para visitar o deputado federal cassado neste Dia dos Pais foi protocolado pela defesa da parlamentar que, a exemplo de outros investigados, está proibida de se reunir ou conversar com outros suspeitos, bem como com servidores do Ministério do Trabalho.

No mês passado, Fachin já tinha autorizado Cristiane Brasil a participar da reunião da executiva nacional do PTB, que aconteceu no dia 18. O ministro, no entanto, estabeleceu que, mesmo durante o evento partidário, a deputada deveria observar todas as demais restrições impostas por ordem cautelar.

Na ocasião, Fachin também exigiu que a congressista entregasse um relatório escrito documentando tudo o que fez durante a reunião, além de uma declaração de que não manteve conversas particulares nem encontros reservados com os demais investigados no Inquérito 4.671.

Paciente é baleada dentro de hospital em Niterói

sab, 11/08/2018 - 15:39

Uma paciente que estava internada no Hospital Santa Martha, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, foi atingida por uma bala perdida na madrugada de hoje (11).

Segundo a Polícia Militar (PM), agentes do 12º BPM (Niterói) foram acionados pela Central 190 para verificar a ocorrência em um hospital no Beltrão, no bairro Santa Rosa. A equipe foi informada de que a vítima estava em um leito no 3º andar, quando foi atingida no rosto por um tiro, tendo sido socorrida no próprio hospital. A ocorrência foi registrada na 77ª DP (Icaraí).

Em nota, a PM informou que durante a madrugada, policiais coibiram um baile funk, organizado por traficantes no Morro Souza Soares, comunidade próxima ao hospital. “Ao chegarem à comunidade, às 2h da manhã, as equipes foram atacadas por criminosos que, após breve confronto, fugiram, deixando para trás 40 pinos de cocaína, 36 trouxinhas de maconha e 38 vidros de lança-perfume”. A operação terminou às 3h e o material apreendido foi levado para a 77ª DP..

Policial ferido

Em outra troca de tiros, no início da manhã, policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte do Rio, foram atacados na localidade Terreirinho. Segundo a PM, houve confronto e dois PMs foram feridos.

Um foi atingido por estilhaços e já foi liberado com curativos feitos na própria UPP. O outro levou um tiro de raspão na cabeça e foi levado ao Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), onde foi atendido na emergência, medicado e está em observação, sem risco de morrer. Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) fizeram uma operação na comunidade de manhã.

Mamaço no Rio marca Mês de Aleitamento Materno

sab, 11/08/2018 - 15:27

Como parte das ações do Agosto Dourado, mês dedicado à promoção do aleitamento materno, a Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro (Soperj) promoveu hoje (11) um “mamaço” nos jardins do Palácio do Catete, na zona sul do Rio.

Além do encontro de mães amamentando em ambiente público, houve atividades lúdicas para crianças e roda de conversa com profissionais de saúde. A presidente do Comitê de Aleitamento Materno da Soperj, Carmem Elias, destacou a importância da questão no país, já que o Brasil está longe da recomendação da Organização Mundial da Saúde de prevalência de 90% do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade.
 

Profissionais de saúde orientam sobre amamentação (Fernando Frazão/Agência Brasil)

“Nas décadas de 70 e 80, ninguém aleitava no país, tínhamos média de dias de aleitamento materno. Ainda estamos longe do que gostaríamos, mas avançamos. A última pesquisa é de 2013, no Brasil temos em torno de 36% de prevalência, aumentamos sim e temos que nos orgulhar da prevalência do aleitamento prolongado”.

Segundo Carmem Elias, aumentou o entendimento de que aleitar os seis meses exclusivos e prolongar por dois anos ou mais tem benefícios para o bebê e para a mãe. “Esses benefícios de nós falávamos, hoje temos essa comprovação científica, de que aleitar evitar câncer de mama e de ovário, além de leucemia no bebê. Os comitês científicos das sociedades de pediatria estão buscando na indexação médica artigos de outras áreas sobre aleitamento materno e a relação com adolescentes, com alergias, por exemplo”.  

O Mês do Aleitamento Materno foi instituído no ano passado pela Lei Federal 13.435, mas a Semana Mundial do Aleitamento Materno existe desde 1992 e é comemorada de 1º a 7 de agosto em mais de 120 países. O tema deste ano é “Aleitamento materno: a base da vida”.

A estudante de psicologia Érica Gomes, de 27 anos, foi com a filha Teodora, de 5 meses, trocar experiências com outras mães e ouvir as dicas dos profissionais de saúde. Ela informou que faz estágio no Hospital Geral de Bonsucesso, onde a filha nasceu, e teve no local a ajuda necessária para amamentar desde o começo.

“Há uma equipe que ensina a fazer a pega, tive todo o suporte lá com a questão da ordenha. Aprendi lá, quando voltei ao trabalho, depois de um mês e meio. Surgiram algumas questões e fui perguntando, Minha prima estuda enfermagem na Uerj [Universidade do Estado do Rio de Janeiro] e me orientou bastante sobre a ordenha, me mandava material para ler”.

Érica contou que precisou introduzir uma fórmula na alimentação da filha depois dos quatro meses, devido a uma alergia, mas pretende continuar amamentando. “Quando vou trabalhar, há dias em que ela precisa tomar a fórmula, quando estava de quatro para cinco meses ela não ganhou peso, a gente descobriu que teve alergia ao leite, então tive que entrar com a fórmula. Eu queria ter dado amamentação exclusiva até os seis meses, me frustro muito de não ter conseguido, porque eu precisava voltar a trabalhar. Mas, em qualquer lugar, onde eu estiver, se ela quiser eu dou o peito, do jeito dela, no momento dela”.

Bancos de leite

A presidente do Comitê de Aleitamento Materno da Soperj lembrou que o Brasil é referência mundial em bancos de leite e já exportou a tecnologia para países como Portugal, França, Chile, México, que estão absorvendo e replicando o modelo brasileiro, comandado pela Fiocruz, com procedimentos como a análise bacteriológica.

“É um alimento completo, vivo; seu conteúdo, suas propriedades são indiscutíveis, mesmo da própria mãe como por meio dos bancos de leite, da doação. A rede brasileira passou a ser a rede global de bancos de leite, estamos exportando a tecnologia para a América do Sul, América Central, Europa e agora entrando na África. A gente consegue, por meio da doação, manter, a qualidade ouro do leite materno”.

Também dentro da programação do Agosto Dourado, a Soperj fará, no dia 15, o 1º wokshop de Amamentação, no Hotel Atlântico Copacabana, voltado para os profissionais de saúde, com o objetivo de reforçar a necessidade de maior conscientização de toda a sociedade para a importância do aleitamento materno.

De acordo com a médica, o aleitamento reduz em seis vezes o risco de morte por diarreia, previne infecções respiratórias, anemias e alergias, além de fortalecer o sistema imunológico e o vínculo afetivo, reduzindo também a depressão pós-parto nas mães.

Filmes dirigidos por mulheres são maioria em mostra de Brasília

sab, 11/08/2018 - 14:19

Pela primeira vez desde a sua criação, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro terá maior presença de diretoras mulheres entre os filmes selecionados. Na 51ª edição do festival, que acontece entre 14 e 23 de setembro na capital federal, 52,4% das diretoras são mulheres, 9,5% se inscreveram sob a categoria não binária (outros) e apenas 38,1% dos selecionados são homens. No processo de inscrição para o festival, a maior parte da produção era dirigida por homens (68%) em relação às mulheres (28%). Em anos anteriores, o festival chegou a ser criticado pela baixa presença de diretoras.

A maior presença de mulheres também aparece em relação à equipe do festival. As mulheres representam 75% do quadro de trabalho e os homens correspondem a 25% da força produtiva do evento.
 

Os diretores de cinema Ary Rosa e Glenda Nicácio - (Divulgação Festival de Brasília do Cinema Brasileiro)

Para o secretário de Cultura do Distrito Federal, Guilherme Reis, essa é uma realidade que está se impondo também no cenário do audiovisual. “O cinema sempre  foi uma indústria muito masculina, na produção e nos sets, e isso vem mudando radicalmente nos últimos anos. O Brasil vive esse momento de política afirmativa, e as mulheres estão garantindo seu espaço de trabalho, isso estará refletido nas telas fortemente este ano”, ressaltou.

Café com Canela

Ganhadora do prêmio de melhor longa-metragem popular na edição passada do festival com o filme Café com Canela (BA), Glenda Nicácio tem um novo filme na mostra competitiva deste ano, Ilha, dirigido em parceria com Ary Rosa, assim como o trabalho anterior.

Ela considera que a questão de gênero é uma pauta importante e deve extrapolar a esfera da discussão apenas entre as mulheres, no ambiente dos festivais e na produção audiovisual de um modo geral. “Entre as mulheres, existe o consenso de que é preciso mais espaço, mais visibilidade, igualdade de salários e a ocupação de funções que sejam de diretoria dentro das equipes. Muitas vezes, você tem funções específicas que são marcadas para serem de mulheres e quando você consegue colocar uma curadoria, onde a maioria dos filmes é dirigido por mulheres, isso reverbera de outra forma”, afirmou a diretora em entrevista à Agência Brasil.

Glenda disse estar curiosa para ver as produções das outras diretoras durante o festival. Para ela, essa curadoria permite pensar na diversidade do olhar feminino e apontar o que o cinema feito por mulheres traz de novidade. “Acho que isso indica outros caminhos, outras formas de produção, de interação e de como lidar com a representação. Faz a gente se aproximar de um outro cinema que a gente ainda não conhece”.

O filme Café com Canela, que teve todo o elenco formado por negros, tem como protagonistas duas mulheres que se ajudam em momentos cruciais da vida, um filme que trata de encontro. Já em Ilha que contou com parte da mesma equipe do filme anterior, a temática do encontro também está presente, porém de forma mais dura.

“ Essas questões políticas estão atravessando a vida do país e também a nossa vida de forma criativa. Então estamos, mais uma vez, tratando de encontros, mas acho que agora são encontros em tempos difíceis, em tempos duros. Ele se apresenta um pouco mais denso do que o Café com Canela nesse sentido”, contou a diretora.

A Passagem do Cometa

Alice Andrade Drummond, que esteve na edição passada do festival como diretora de fotografia do curta-metragem A Passagem do Cometa (SP), de Juliana Rojas - que retrata a sala de espera de uma clínica de aborto clandestina - volta este ano como diretora do curta Mesmo com Tanta Agonia (SP), feito por meio de um edital afirmativo para mulheres. Ela, que trabalha mais em cinema como diretora de fotografia, considera que essa é uma área ainda mais masculina que a própria direção no cinema.

“É absurdo, tanto na fotografia quanto na direção, a participação de mulheres. Se forem as mulheres negras então, é mais absurdo ainda. Acho mais do que fundamental que o festival abra espaço, tem que abrir mesmo. Você vê os filmes mais antigos, só tem homem em todos os lugares, em todas as posições. Mulher, às vezes, ficava com a arte ou montagem, figurino, maquiagem e olhe lá”, lembrou Alice.

Ela dirigiu seu primeiro curta-metragem em 2015 e sente que, já naquele momento, as mulheres estavam ganhando espaço no cinema, mas acha que essas conquistas ainda estão muito incipientes. “É uma coisa que está ocorrendo há um tempo, eu acho que já está tendo espaço, mas ainda no começo, porque a gente sofre machismo de todos os lados o tempo inteiro trabalhando”.

A ideia do filme Mesmo com Tanta Agonia surgiu em 2015, quando Alice assistiu a algumas reportagens na televisão, em uma sequência que a inquietou. Uma delas foi o atropelamento de um ambulante na estação de trem de Madureira, no Rio de Janeiro, durante o horário de pico, em que os trens seguiram seu curso apesar da vítima, além do noticiário sobre uma festa infantil.

“Me chocou muito o jeito como as reportagens foram encadeadas, porque uma era muito trágica e outra era feliz e animada. Decidi escrever sobre como é tão natural e cotidiano numa metrópole esse tipo de acontecimento, para não esquecer e não deixar isso sair da memória das pessoas”, contou.

Prêmio Leila Diniz

Para celebrar figuras femininas que marcaram o cinema brasileiro, o Festival de Brasília criou, para a edição deste ano, o Prêmio Leila Diniz. O objetivo é destacar mulheres cujas práticas e trabalhos são fundamentais para o cinema nacional. “Não é um prêmio para atrizes, porque a ideia da Leila não é a da estrela que brilha por estar na frente das telas, é a ideia realmente de pessoas que fazem diferença na representação e na presença feminina no audiovisual como um todo”, disse o diretor artístico do festival, Eduardo Valente.

Leila Diniz participou do Festival de Brasília em 1966 com o longa-metragem Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos Oliveira.

Neste ano, o prêmio será concedido a duas mulheres: Íttala Nandi e Cristina Amaral. Após importante trajetória no teatro, Íttala estreou como atriz no cinema com O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, filme que ganhou o prêmio principal do Festival de Brasília há 50 anos. Além de vários outros papeis marcantes nos palcos, telas e na TV, Íttala também dirigiu documentários e trabalhou como produtora e dramaturga, tendo ainda sido professora e coordenadora de cursos de cinema.

Cristina Amaral será premiada pela sua importância como montadora de cinema, carreira na qual atua há mais de 40 anos. Entre suas parcerias mais constantes e profícuas incluem-se trabalhos com Andrea Tonacci, Carlos Reichenbach e Edgard Navarro. Cristina recebeu inúmeros prêmios, inclusive o Candango em Brasília, por Sua Excelência o Candidato e Alma Corsária.

Cinema negro ganha força no Festival de Brasília

sab, 11/08/2018 - 14:13

O Festival de Brasília recebeu este ano inscrições de maior número de filmes dirigidos por negros e conta com nova premiação, específica para contemplar a temática negra no cinema. O Prêmio Zózimo Bulbul foi anunciado durante a apresentação dos selecionados para a edição deste ano, que acontece entre os dias 14 e 23 de setembro na capital federal.

Cena do filme Eu, minha Mãe e Wallace - (Divulgação/Festival de Brasília do Cinema Brasileiro)

“O prêmio vai destacar um filme dentro da programação, a partir de critérios da presença e força da representação das personagens, da história e de uma série de questões que serão discutidas pelo júri para buscar esse destaque do filme a partir das questões negras, presentes na tela das produções que serão exibidas”, anunciou o diretor artístico do festival, Eduardo Valente, na última quarta-feira (8).

Este ano foram inscritos mais filmes sobre a temática ,e eles aparecem também com um percentual maior entre os filmes selecionados, segundo o diretor. Dos filmes inscritos para esta edição do festival, 68% foram dirigidos por brancos e 11% por negros. Com relação aos filmes selecionados para a mostra competitiva, os percentuais ficam em 61% de brancos, 28% de negros e 9% que não quiseram declarar.

Debate

A edição anterior  do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi marcada por forte discussão sobre a representação de pessoas negras nas telas de cinema, assim como sua participação nas diferentes etapas da realização de uma obra audiovisual, em especial no roteiro e direção.

O debate aumentou com o longa-metragem Vazante, de Daniela Thomas, criticado pelo papel secundário atribuído aos personagens negros, em uma trama com recorte histórico que aborda o período da escravidão no Brasil.

Valente acredita que a discussão específica sobre o filme de Thomas ganhou dimensão maior por uma série de circunstâncias, mas considera que o debate dessa questão já se desenhava pelo menos desde a edição anterior, de 2016, que contou com uma mesa de discussão sobre a produção das minorias étnicas e raciais.

“A dimensão principal, que nos chamou a atenção positivamente e que acho que teve a ver um pouco com o que aconteceu no ano passado - não quero superdimensionar por entender que aquilo é parte de um processo -, foi o aumento realmente percentual, a força e de qualidade inclusive da produção apresentada por profissionais negros atrás das câmeras”, afirmou Valente.

Prêmios

O diretor artístico relaciona o aumento das produções inscritas por diretores negros este ano ao fato de filmes com essa temática terem sido premiados na edição do ano anterior e considera essencial que esses trabalhos estejam em primeiro plano nos festivais de cinema.

“A gente acha que isso tem uma força simbólica de representação da autoimagem, de possibilidade de quebrar esse quadro histórico de invisibilidade.O festival não pode estar distante dessa dimensão essencial, que é uma demanda do próprio criador negro, interessado em mudar essa capacidade de se perceber capaz ou em igualdade de condições no sentido criativo”, acrescentou.

O diretor Marcos Carvalho acredita que a nova premiação proporciona maior confiança aos profissionais negros e incentiva a inscrição desses filmes nos festivais. “Isso aumenta a crença no realizador negro, de que é possível inscrever e ver seu filme selecionado, porque sempre existe uma desconfiança muito grande de eventuais panelas. É uma iniciativa que combina com o atual contexto, tanto de filmes que estão sendo exibidos em Brasília, o debate que aconteceu no ano passado, e essa efervescência do cinema e da cultura negra de forma geral”.

Ao lado de seu irmão gêmeo Eduardo Carvalho, ele recebeu o prêmio de melhor direção no ano anterior com o curta-metragem Chico (2016-RJ). Os irmãos Carvalho participam novamente desta edição com outro curta, o filme Eu, Minha Mãe e Wallace.

“A gente participou no ano passado e saiu de lá extremamente animado, foi uma experiência muito enriquecedora. A gente estava sem nenhum projeto, e desenvolvemos esse curta com o objetivo de tentar chegar em Brasília novamente, vimos as datas e traçamos esse objetivo com a equipe”, contou Marcos Carvalho à Agência Brasil.

A exibição de Chico na mostra competitiva do ano anterior marcou a estreia dos irmãos Carvalho no Festival de Brasília. Com 25 anos, eles  estão começando a trajetória nos festivais de cinema. “A gente tá começando a entender esse clima agora, vai ser interessante entender melhor as reverberações do que aconteceu no ano passado. Estamos começando a entender esse circuito de festivais”, disse Carvalho.

Momento atual

Para a diretora Glenda Nicácio, as discussões que ocorreram na edição anterior do festival eram urgentes e representam o momento atual dos negros no país, com políticas públicas de acesso a universidades e de regionalização da produção cinematográfica, assim com o barateamento dos equipamentos e acesso às tecnologias digitais.

“São vários fatores que fizeram com que esse público fosse se modificando e mudando de lugar. Quem antes era apenas público, hoje também é produtor, também pensa cinema, tem acesso e pode fazer. Isso é transformador, porque faz com que coisas que aparentemente eram muito naturais comecem a ser questionadas”, afirmou à Agência Brasil.

Ela acredita que esses fatores possibilitam uma diversidade de voz e conteúdo na produção audiovisual brasileira e que o prêmio Zózimo Bulbul demarca esse momento de discussão sobre o papel do negro no cinema brasileiro, além da discussão que permeou a última edição do festival.

“É um posicionamento político do festival e das pessoas que, de certa forma, passam por ele e o cercam. Esses temas não podem ficar como discussões de um filme ou demarcadas por um debate específico. Eles precisam ser cotidianos, incorporados em nossa prática de pensar cinema, questionar, fazer curadoria, assistir e avaliar os filmes, seja você espectador, produtor ou jornalista”, observou.

Café com Canela

Ao lado de  Ary Rosa, Nicácio dirigiu o longa-metragem Café com Canela, escolhido o melhor longa-metragem pelo júri popular na edição de 2017. O filme tem, além da diretora, todo o elenco formado por negros. Eles estão de volta este ano na mostra competitiva, com um novo longa-metragem, Ilha, que já estava sendo filmado durante o festival passado.

A equipe, parte dela presente em Café com Canela, esperou no set de filmagem, no interior da Bahia, o retorno dos diretores que estavam em Brasília participando do festival para concluir as gravações. Para a diretora, a estreia em Brasília, com uma premiação do júri popular, deu mais segurança à equipe e contagiou as filmagens do novo longa.

“Estar em Brasília com Café era uma possibilidade de reconhecimento e, por estar em processo de outro filme, uma possibilidade também de segurança e de generosidade com a equipe. A gravação do Ilha ficou contagiada por esse espírito de muita celebração e certeza de que caminhamos juntos em uma direção e sendo vistos”, afirmou Glenda.

Formados em cinema pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, os diretores fundaram a produtora independente Rosza Filmes, em Cachoeira (BA), em 2011, e estrearam na direção de longa-metragem com Café com Canela. A primeira exibição nacional do filme ocorreu no Festival de Brasília.

“Partindo de uma produtora do interior da Bahia, totalmente fora do eixo principal, participar do festival nos deu um ânimo com certeza. Brasília trouxe esse recorte de com que público a gente dialoga. Esse cinema que nós estamos fazendo não funciona com todo mundo, funciona pra quem, com quem, quem é que se interessa, quem é que é tocado?. Eu acho que essa é a maior coisa que Brasília trouxe nesse processo do Ilha”, afirmou Glenda.

Apan

Viviane Ferreira, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), considera que houve muito esforço em discutir os equívocos de Vazante, em detrimento de outras produções como Café com Canela (BA) e Nó do Diabo (PB), de  Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhésus Tribuz, que apresentaram contribuições positivas sobre o papel do negro no cinema.

“É nítido que tratar as personagens negras da forma como o Vazante tratou, sem profundidade, já não cabe no tempo histórico que a gente vive. Hoje, vivemos um momento muito especial de estar compartilhando com uma geração que tem produzido de maneira estética e narrativa, com muita qualidade e sem disposição de dar um passo atrás. São coisas que deixam a gente muito feliz, na perspectiva de integrantes do movimento de cinema negro’, disse ela.

A Apan e o Centro Afrocarioca de Cinema foram as entidades que propuseram ao Festival de Brasília a criação do prêmio Zózimo Bulbul. “No curso dos debates, no ao passado, sobre ações afirmativas e representatividade, o Festival de Brasília se mostrou como um palco potente e corajoso para o enfrentamento dos debates raciais no audiovisual”, acrescentou Viviane.

A Apan surgiu em 2016, após uma série de diálogos e debates entre realizadores que frequentavam o Encontro de Cinema Negro, África Brasil e Caribe - criado por Zózimo Bulbul em 2007 no Rio de Janeiro - para atuar frente à desigualdade racial no setor audiovisual brasileiro.

“Zózimo foi um pioneiro nessa história toda, nesse movimento que está acontecendo hoje da juventude negra e dessa necessidade que, não só essa juventude, mas acho que o povo brasileiro está tendo de ver o negro representado na tela, ele por ele mesmo”, considerou Biza Vianna, companheira de Zózimo.

Diretora do Centro Afro Carioca de Cinema, ela lembrou que as principais referências de Zózimo eram os diretores do Cinema Novo, todos brancos, e considera que a militância do cineasta pelo cinema negro deixou como legado um referencial para as novas gerações. “Essa geração tem uma referência que não é a partir do olhar eurocêntrico, é a partir da valorização do seu próprio olhar. Então fico muito feliz com esse prêmio porque é a própria juventude reconhecendo esse protagonismo dele nele mesmo e por eles mesmos’, afirma.

Zózimo Bulbul (1937-2013) é autor de filmes como Alma no Olho (1973) - sua estréia como diretor -  e Abolição (1988), ganhador dos prêmio de melhor roteiro e fotografia do Festival de Brasília daquele ano. O produtor atuou em mais de 30 filmes incluindo Cinco Vezes Favela (1962) e Terra em Transe (1968), dirigiu nove, sendo o último deles Renascimento Africano, feito a convite do governo do Senegal por ocasião dos 50 anos de independência daquele país. O Encontro do Cinema Negro Brasil, África e Caribe, criado por Zózimo, completou 10 anos no ano passado, com mais de 80 produções brasileiras e internacionais de cineastas negros premiados e de jovens revelações.

Pessoas feridas na explosão do gasômetro em Ipatinga já tiveram alta

sab, 11/08/2018 - 13:26

As 34 pessoas feridas na explosão na sede da empresa Usiminas, em Ipatinga (MG), já tiveram alta do hospital e foram para casa. A informação foi dada pela empresa, em nota divulgada hoje (11) em seu site oficial.

Ontem (10), um gasômetro da companhia explodiu. A estrutura comportava uma mistura de gases utilizada na fabricação de aço, denominada LDG.

A Usiminas afirmou, no comunicado de hoje, que fez uma avaliação para averiguar se ainda há resquícios dos gases na área, mas concluiu não haver “registro de anormalidades, nem risco para a população”.

Na nota, a companhia informou que algumas unidades, “sem conexão com o setor afetado”, começaram a retomar as atividades, como “Despacho, Laminação e Frio e Unigal”. Contudo, não há previsão de quando a fábrica restabelecerá o conjunto das atividades.

As causas da explosão continuam sendo investigadas, conforme o comunicado. Nesse processo de apuração estão tanto técnicos da empresa, quanto autoridades competentes. A Defesa Civil informou ontem que fará perícia para buscar as razões do acidente.

Twitter divulga medidas para evitar fake news nas eleições

sab, 11/08/2018 - 11:27

O Twitter divulgou nesta semana um comunicado com as medidas para as eleições deste ano. A plataforma, assim como Facebook, Google, Instagram e Whatsapp, vem buscando respostas em razão de preocupações com possíveis problemas e influências negativas no debate público, como a disseminação das chamadas notícias falsas ou de mensagens de ódio.

Na nota, a empresa afirmou que tem como objetivo “promover um ambiente cada vez mais saudável na plataforma”. Um dos focos será a verificação de contas de candidatos e partidos, de modo a coibir perfis falsos que possam divulgar informações e causar confusão nos eleitores.

Além dessa verificação, a própria rede social irá organizar sessões de perguntas e respostas com os candidatos, com o intuito de “facilitar o contato direto entre os candidatos e seus eleitores”. A companhia anunciou que firmou parceria com alguns veículos de mídia – como Band, RedeTV, Estadão, Rádio Jovem Pan, Revista Istoé e Catraca Livre – para a transmissão pela plataforma dos debates com os concorrentes à Presidência da República e aos governos de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Contas automatizadas

Uma das medidas destacadas pela empresa é o combate ao que a empresa chama de “contas automatizadas mal-intencionadas e/ou que disseminam spam”, perfis falsos ou os chamados robôs (ou bots, no termo em inglês popularizado). Os robôs são vistos como um dos meios de disseminação de notícias falsas e um dos problemas na rede social, embora estudo recente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) tenha apontado o grau de difusão de fake news por essas contas semelhante ao de humanos

Segundo a assessoria de empresa, também foram realizadas ações como o aprimoramento do processo de abertura de contas, auditorias em contas já existentes e a expansão de detecção de “comportamento mal-intencionado”. O número de contas contestadas mensalmente subiu de 2,5 milhões em setembro de 2017 para 10 milhões em maio de 2018. A média de denúncias de spam recebidas pela plataforma diminuiu de aproximadamente 25 mil por dia em março para cerca de 17 mil por dia em maio.

Levantamento

Segundo levantamento realizado pela empresa com seus usuários, 70% dos mais de dois mil entrevistados disseram usar a plataforma para se informar sobre política nessas eleições. Deste universo, 47% afirmaram fazê-lo frequentemente e 22% de vez em quando.

Mais de 60% avaliaram que a divulgação de mensagens pelos candidatos em seus perfis será importante para a decisão do voto. Entre os indecisos, 79% comentaram que vão conhecer as ideias dos concorrentes por suas contas para definir sua escolha.

Propagandas vetadas

Diferentemente do Facebook e do Google, o Twitter não irá veicular anúncio eleitoral. Este será o primeiro ano em que este tipo de propaganda eleitoral será permitida. A empresa anunciou a decisão em maio e justificou-a pelo fato de não ter os meios tecnológicos para atender às exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em sua resolução sobre as eleições, o TSE estabeleceu que os anúncios só podem ser veiculados por candidatos ou partidos e que devem trazer a identificação de seus patrocinadores, bem como o CPF (no caso do concorrente) ou CNPJ (no caso da legenda).

Homem tem direito a pensão após ficar paraplégico em ação do Exército

sab, 11/08/2018 - 11:06

O juiz da 5ª Vara Federal Cível do Rio de Janeiro, Sergio Bocayuva Tavares Dias, condenou a União a pagar R$ 550 mil por danos estéticos e R$ 400 mil por danos morais a um homem que ficou paraplégico após ser vítima de disparos de armas de fogo feitos por militares da Força de Pacificação no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, em 2015. O autor da ação teve também que amputar a perna esquerda.

A vítima terá direito a pensão vitalícia de 1,35 salário mínimo (cerca de R$ 1.262,35) e sua mãe receberá pensão mensal de R$ 954, por ter deixado o emprego para cuidar do filho. A União também deverá fornecer ao autor assistência de enfermagem para curativos em domicílio, fisioterapia, acompanhamento médico em clínica geral e psicoterapia. Cabe recurso da decisão. 

A União contestou a ação alegando que os militares reagiram quando o condutor do veículo avançou contra uma barreira, direcionando o carro contra a tropa, que agiu em legítima defesa. Na decisão, o juiz afirma que sendo o autor da ação era passageiro e, por isso, “não tem relação com a suposta conduta de quem dirigia o carro, isto é, com a agressão. A tese de quebra de nexo de causalidade é levantada pela União como forma de obscurecer a circunstância de que a alegação é, no fundo, situação em que se aduz legítima defesa contra o dano causado a terceiro, ou seja, contra quem não é o agressor”.

Na decisão, o juiz Sergio Bocayuva diz que, mesmo que fosse viável a hipótese de legítima defesa, “não isenta a reparação ao terceiro que não tem relação com a situação posta entre o agressor e a vítima. O ato de defesa que provoca danos para o terceiro gera o dever de indenizar”.

A legítima defesa foi afastada em virtude da maioria dos militares estar abrigada em veículos do Exército durante a abordagem. No entendimento do juiz, não havia elementos mínimos indicando que o condutor tenha colocado em situação de risco qualquer militar. “Na melhor das hipóteses, o motorista teria furado um bloqueio”, afirmou o magistrado.

No total, foram seis disparos no vidro traseiro do carro e na lateral direita, nos locais destinados aos ocupantes.

 

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