Bloco Loucura Suburbana levará ao carnaval 2017 os 30 anos da luta antimanicomial

03:58 Cultura, Notícias 28/01/2017 - 10h18 Rio de Janeiro Embed

Fabiana Sampaio

O bloco carnavalesco Loucura Suburbana está em pleno vapor na preparação para o Carnaval. O tema de 2017 aborda os 30 anos da luta antimanicomial. O bloco é formado por usuários e profissionais do Instituto Municipal Nise da Silveira, além de familiares e membros da comunidade em geral.


O instituto trata pacientes de saúde mental e leva o nome da psiquiatra que revolucionou os métodos de atendimento desses casos no país. Será o 17º desfile do bloco pelas ruas do Engenho de Dentro, bairro do subúrbio do Rio, localizado na zona norte.


A coordenadora do Loucura Suburbana, Ariadne de Moura Mendes, falou sobre a escolha do tema e a importância da cultura na transformação proposta pela luta antimanicomial.


Sonora: “O movimento da luta da reforma psiquiátrica que estamos fazendo nas instituições psiquiátricas, para que, na verdade, elas saibam, que tem tido um grande papel da cultura nessa transformação. E isso é mais percebido entre os usuários.”


Segundo Ariadne, a agremiação está com oficinas para foliões, além dos ensaios da bateria ensandecida e a oficina livre de música, que oferece espaços extras para composição dos sambas-enredo.


Já são 12 sambas inscritos para o desfile deste ano. Entre os concorrentes está o samba de André Cabral, que é tricampeão do bloco, e tenta emplacar o quarto hino. Ele conta que o samba dessa vez faz uma certa oposição ao tema proposto.


Sonora: “Nós vamos falar de 30 anos da luta antimanicomial. Então, achei que a melhor ideia seria não falar no manicômio. Fazer um samba que não fosse institucionalizado, fazer um samba que servisse tanto para um bloco como o Loucura Sububrana ou um bloco que desfila na zona sul.”


Elisama Carneiro Arnold, paciente do ambulatório do instituto, bicampeã de sambas e parceira do André Cabral este ano, destaca que o trabalho de composição é uma oportunidade para recordar boas vivências e mostrar essa competência para a comunidade.


Sonora: “O trabalho da composição é coisa de amor que a gente tem um pelo outro aqui dentro e coloca no samba. Que maravilha ver aquilo que trabalha o ano inteiro e coloca na rua.”


O bloco Loucura Suburbana surgiu em 2001 a partir de uma festa de carnaval dentro de uma oficina de artes, que comemorava um ano, no ambulatório do Instituto Nise da Silveira. Para quebrar a tendência de fazer tudo dentro do hospital, os participantes decidiram ir para a rua. A iniciativa já se mostrava em harmonia com a lei que redirecionou o modelo da assistência em saúde mental e foi publicada em abril do mesmo ano.  A apresentação oficial dos foliões suburbanos está marcada para o dia 23 de fevereiro.  E quem tiver interesse em participar da folia no bloco pode fazer reserva de uma das fantasias que foram doadas pelas Escolas de Samba.

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