Minas Gerais reconhece Folia de Reis como patrimônio cultural imaterial

03:38 Cultura, Notícias 07/01/2017 - 16h42 Belo Horizonte Embed

Léo Rodrigues, da Agência Brasil

O Conselho Estadual de Patrimônio de Minas Gerais aprovou nesta sexta-feira (06) o reconhecimento da Folia de Reis como patrimônio cultural imaterial do estado. A manifestação cultural e festiva, celebrada anualmente por católicos, acontece geralmente no dia 6 de janeiro. Esta data, na tradição cristã, marca o aniversário da visita dos três reis magos ao recém-nascido Jesus Cristo.

 

Belchior, Gaspar e Baltazar, que foram convertidos em santos pela Igreja Católica, teriam saído do Oriente se guiando por uma estrela e levavam três presentes: ouro, insenso e mirra. Para os devotos, a data da chegada dos reis magos ao destino final - no dia 6 de janeiro - é quando se encerram os festejos natalinos. Neste dia são desarmados os presépios, as árvores e os demais enfeites.

 

É também nesta data que os católicos de algumas regiões do Brasil se mobilizam na Folia de Reis, que também é chamada ainda de Reisado ou Festa de Santo Reis, entre outros nomes. Os participantes dessa manifestação cultural e festiva entoam diversas canções e rezas em homenagem aos três viajantes santificados. Os foliões passam de casa em casa em coro e são recebidos em cada uma delas com comes e bebes típicos e outras oferendas.

 

Em cada local, há também particularidades, como as encenações dos reis magos, os desfiles, as danças, os repertórios, os instrumentos utilizados e as roupas. Minas Gerais é um dos estados onde a Folia de Reis mais se faz presente, resguardando uma tradição de aproximadamente 300 anos.

 

Um inventário realizado em 2016 pelo do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) cadastrou 1.255 grupos de foliões, distribuídos em 326 municípios mineiros.

 

Este inventário ofereceu as bases para o reconhecimento dos festejos como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais, conforme conta Michele Arroyo, presidente do Iepha-MG.

 

Michele explica que uma das vantagens do reconhecimento como patrimônio cultural imaterial é a possibilidade de desenvolvimento de políticas públicas.

 

Medidas para preservar a tradição já estão em curso. O trajeto das folias de reis costuma levar em conta locais e casas onde foram montados presépios. Neste sentido, o Iepha-MG incentivou neste ano a instalação de presépios em edifício públicos em Belo Horizonte e em algumas cidades do interior. Com o reconhecimento, este estímulo deve aumentar nos próximos anos. O órgão pretende criar um calendário de presépios e folias para aumentar a visibilidade e a divulgação.

 

O título de patrimônio cultural imaterial poderá facilitar ainda o apoio do estado para que os grupos comprem instrumentos musicais e confeccionem as roupas. O Iepha-MG também pretende criar espaços de formação para fomentar a integração das novas gerações, por exemplo, através de oficinas de canto e de instrumentos musicais.

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