Na Trilha da História: Quem foi Carlos Imperial, um dos personagens que mais marcou a TV brasileira

05:48 Cultura, Programetes 07/10/2017 - 07h58 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá, eu sou a Isabela Azevedo e está começando mais um Na Trilha da História. Hoje, nós vamos conversar sobre uma das figuras mais polêmicas da história da televisão brasileira: Carlos Imperial! Foi compositor, produtor musical, ator, apresentador de programa de auditório e até político...

 

Nosso entrevistado é o escritor Denilson Monteiro, autor da biografia Dez, nota Dez! Eu sou Carlos Imperial! e corroteirista do documentário Eu sou Carlos Imperial. Nosso personagem nasceu em 1935 em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, mas se mudou pro Rio de Janeiro ainda criança. Durante a juventude, o rock de Elvis Presley despertou não apenas a veia artística, como também o espírito empreendedor de Imperial.

 

Sonora: “O Imperial foi o grande responsável pela popularização do rock n'roll no Brasil. Ele tinha um grupo de jovens em Copacabana que gostava muito de rock n'roll, ele dançava... e, na TV Tupi, ele arrumou um trabalho carregando uns cabos de câmera num programa de TV, no programa do Jaci Campos. Ele era o 'caboman'. E ele logo conseguiu 15 minutos pra mostrar o rock no programa do Jaci Campos. Acabou sendo um quadro chamado Quadro do Rock. "

 

Dono de uma lábia incomum, Carlos Imperial logo subiu na carreira artística e se tornou apresentador de programas musicais na TV. Foi então que ele revelou grandes artistas da música brasileira: nomes como Tim Maia, Elis Regina, Wilson Simonal, Roberto Carlos...

 

Sonora: "Roberto Carlos, menino, vestido com o uniforme do colégio, foi bater na porta da TV Tupi pedindo uma oportunidade para se apresentar no programa. Aí, acabou a gravação do programa do qual o Imperial participava e ele foi a casa de uma atriz chamada Lourdes Maia e foi, então, que o Roberto cantou "hound dog" e ,aí, o Imperial abraçou o Roberto e ficou uma coisa tão assim isso de ele representar o Roberto que o Roberto chamava ele de papai..."

 

Durante a criação da Jovem Guarda, Carlos Imperial tava lá e compôs vários sucessos do movimento, como "Ele é o bom" e "Pode vir quente que eu estou fervendo". Pra promover as músicas, ele era capaz de qualquer negócio.

 

Sonora: “Pra promover o 'Vem quente que estou fervendo, ele arrumou uma briga com o Erasmo no estúdio da Rádio Bandeirante, em São Paulo. Aí apareceram fotos dessa briga no jornal e depois o Simonal aparecia fazendo um almoço da paz... Depois, apareciam as fotos deles se confraternizando, se abraçando. E todo mundo ficava curioso para saber que música era aquela."



Não é à toa que Carlos Imperial se auto-coroou "Rei da Pilantragem".

 

Sonora: “Ele dizia que, quando você estiver fora da mídia, você deveria ver quem estava fazendo sucesso no momento e falar mal daquela pessoa porque todas as atenções iriam se voltar para você."


Cínico, mulherengo e marqueteiro, Imperial ainda participou de diretoria de time de futebol, foi ator de filmes de pornochanchadas, virou vereador do Rio e, no carnaval, criou o bordão "Dez, nota dez!" para anunciar as escolas de samba com pontuação máxima. Dono de uma das mentes mais criativas do cenário artístico brasileiro, Imperial morreu em decorrência de uma doença neuromotora em novembro de 1992, prestes a completar 57 anos de idade. Foi um artista único na história da TV e da música brasileira. Alguém que, certamente, gostaria de ser lembrado não pelos aplausos, mas pelas vaias que recebeu.

 

Sonora: “Ele gostava de vaias, pedida vaias... Tem até uma frase dele: 'prefiro ser vaiado no meu Mercury Cougar do que aplaudido num ônibus'. Mercury Cougar era um carro importado que ele comprou com dinheiro de direitos autorais das músicas. Porque teve uma época que, nas paradas de sucesso com as 10 mais, nove eram dele."

 

Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História. O episódio completo tem 55 minutos e traz, além da entrevista na íntegra com o escritor Denilson Monteiro, músicas de autoria de Carlos Imperial. Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria. E se você quiser enviar uma sugestão de tema para o programa, nosso e-mail é culturaearte@ebc.com.br. Até semana que vem pessoal!

 

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. É publicado semanalmente. Acesse aqui as edições anteriores.