Festival de cinema marca a luta pelo protagonismo da mulher negra na sétima arte

02:40 Cultura, Notícias 06/07/2018 - 07h00 São Paulo Embed

Eliane Gonçalves

Começou esta semana a primeira edição do FIM.

 

FIM, na verdade, é a sigla para Festival Internacional de Mulheres no Cinema.

 

Uma mostra competitiva de filmes de longas-metragens dirigidos exclusivamente por mulheres.

 

Ao todo vão ser exibidas 28 películas, nas mostras competitivas nacional e internacional.

 

A programação também conta com oficinas e rodas de debate que discutem a presença das mulheres no cinema, não apenas na frente das câmeras, mas principalmente atrás, em postos chaves com o de direção e roteiro.


A preocupação tem justificativa.

 

Segundo a ANCINE, a Agência Nacional do Cinema, em 2016, de cada 5 filmes produzidos no país, apenas um foi dirigido por mulheres. Todas brancas.

 

Nenhum filme foi dirigido ou roteirizado por mulheres negras. Nos últimos 20 anos, só 13% dos filmes de maior bilheteria do país foram dirigidos por mulheres, nenhuma delas negra.

 

Zita Carvalhosa, que trabalha há 30 anos no setor e ajudou a conceber o festival,  lembra que a escolha do nome não é por acaso.

 

Também não é por acaso que a atriz e cantora Zezé Mota, que tem 50 anos de carreira no cinema e protagonizou personagens negras importantes como Xica da Silva, Dandara dos Palmares e Carolina de Jesus é a homenageada desse primeiro festival, que foi organizado por mulheres do audiovisual que querem por um fim às desigualdades de gênero no setor e começar um novo roteiro para a produção audiovisual no país. 

 

Os filmes do FIM vão estar em cartaz em duas salas de cinema de São Paulo, o Cinesesc e o Espaço Itaú Augusta. O festival termina na próxima quarta-feira, dia 11.