Parque Lage recorre contra decisão de proibir menores de 14 anos na exposição Queermuseu

03:06 Cultura, Notícias 19/08/2018 - 12h00 Rio de Janeiro Embed

Raquel Júnia

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage entrou com recurso nesse sábado (18) contra a decisão da a 1º Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Tribunal de Justiça do Rio que proíbe a entrada de menores de 14 anos na exposição Queermuseu.

 

Atendendo a uma recomendação do Ministério Público do Estado do Rio, o Parque Lage havia adotado uma classificação indicativa na entrada, informando que a exposição possui obras de arte com representações de nudez e sexo e que o conteúdo não é recomendado para menores de 14 anos desacompanhados.

 

O diretor-presidente da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Fábio Szwarcwald, criticou a decisão da Justiça. Ele é pai de duas crianças, de 9 e 11 anos, que visitariam a exposição no dia da abertura, caso não tivesse havido a proibição.

 

No recurso, o Parque Lage pede que continue vigorando a orientação anterior, feita pelo Ministério Público que, nesse sábado, se posicionou por meio de nota afirmando que não recomendou a proibição do acesso, mas apenas a classificação indicativa.

 

A arquiteta Daniela Barreto era uma das pessoas que aguardava na fila a abertura da exposição, acompanhada da filha de seis anos. Ela não sabia da proibição e estranhou a determinação da Justiça.

 

Durante a abertura cerca de 20 pessoas ligadas à Igreja Católica e ao Movimento Brasil Livre (MBL) protestaram contra o conteúdo da exposição. O público presente defendeu a liberdade de manifestação cultural.

 

A abertura da exposição no Rio aconteceria, no ano passado, no Museu de Arte do Rio (MAR), mas acabou cancelada após declarações contrárias do prefeito Marcelo Crivella.

 

A instalação da exposição no Parque Lage foi possibilitada por meio de uma vaquinha coletiva. A Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira traz 270 produções artísticas de diferentes épocas que retratam as relações e também as discriminações sofridas pela população LGBT e vai até o dia 16 de setembro no Rio.