Arqueólogos descobrem cemitério com urnas funerárias indígenas que podem ter mais de 500 anos

02:31 Cultura, Notícias 08/09/2018 - 08h15 Brasília Embed

Maísa Penetra

Em meio à terra escavada, os traços cerâmicos do que seria um tipo de urna começaram a se mostrar. O trabalho dos arqueólogos revelou não apenas uma, mas nove urnas funerárias de uma população indígena que habitou a região central da Amazônia há cerca de 500 anos, no tempo em que houve um dos primeiros contatos com os europeus.

 

No Brasil, é a primeira vez que cientistas localizam e escavam urnas funerárias diretamente do solo. A expedição foi coordenada por pesquisadores do Instituto Mamirauá.

 

Em 2014, as primeiras urnas funerárias foram encontradas na comunidade Tauary e, quatro anos depois, os pesquisadores retornaram para mais investigações sobre a trajetória histórica de ocupação do local e os vestígios encontrados.

 

As urnas estavam enterradas a 40 centímetros da superfície, dentro de uma área de quatro metros quadrados, nas imediações da escola comunitária.

 

A carência de vestígios, como solo muito fértil com terra preta, que é característico de antigas ocupações humanas na Amazônia, e fragmentos de cerâmica indicam que aquela seria uma área específica do sítio arqueológico, possivelmente reservada ao enterro de corpos, como um cemitério da antiga sociedade que vivia ali.

 

As urnas são pintadas com rostos humanos em tinta vermelha e preta. Acredita-se que grupos indígenas que passaram pela Região Amazônica no passado representavam, nas urnas, figuras importantes como a identidade dos mortos ou símbolos de entidades, deuses e animais mitológicos.

 

Segundo o arqueólogo do Instituto Mamirauá, Eduardo Kazuo, o que mais chamou a atenção dos arqueólogos foi o estado de conservação do material, que dá acesso a partes importantes da cultura daquele povo:

 

Eduardo Kazuo diz que as peças estão sendo estudadas no instituto. A previsão é que, em até dois anos, os pesquisadores tenham informações mais complexas a respeito das urnas e do povo que as produziu. Quando os estudos estiverem completos, as urnas passarão por um processo de conservação e poderão ser expostas.