Especialistas acreditam que chacinas são praticadas por grupos de PMs

03:20 Direitos Humanos, Especiais 16/10/2015 - 05h00 São Paulo Embed

Elaine Patricia Cruz, da Agência Brasil

 

Confira a terceira reportagem (de um total de quatro) do especial "Chacinas em São Paulo: A guerra urbana silenciosa", produzida e publicada originalmente pela Agência Brasil. Nesta versão radiofônica, elaborada em parceria com a Radioagência Nacional, ouça o capítulo "As armas contra o crime".

 

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Especialistas em segurança pública defendem que investigações bem-feitas e a punição dos executores são as respostas necessárias para combater o aumento do número de chacinas no estado de São Paulo. Até 22 de setembro, Foram 15 chacinas, com 62 mortes. O número dessas ocorrências já se iguala à quantidade registrada em todo o ano passado.

 

Para Guaracy Mingardi, ex-subsecretário nacional de segurança pública e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, “tem que investigar e prender”.

 

Sonora: “A única resposta para esse tipo de homicídio é prioridade absoluta para a prisão dos matadores. Porque, normalmente, se você não agir logo... não adianta você prender uma pessoa por uma chacina ontem daqui a um ano ou dois. Não dá o efeito.”.

 

A defensora pública Daniela Skromov também acredita na punição e em uma investigação bem elaborada como maneiras de reduzir o número de chacinas. MAS Ela ressalta que é preciso tornar os casos mais conhecidos, e reconhecer que a Polícia Militar pode ser parte do problema.

 

Sonora: “Mais do que a punição em si, o fato é que os casos não vêm à tona. Não acho que a cadeia iria dissuadir os policiais a fazerem isso. Mas acredito que, se as investigações fossem mais bem-feitas e revelassem as autorias e ficasse mais clara a participação de policiais militares e que isso acontece de maneira sistêmica, isso poderia auxiliar no estabelecimento de medidas para evitar novas chacinas”.

 

Ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves também defende a investigação como forma de evitar mais chacinas.

 

Sonora: “Precisava de uma elucidação geral para que fique claro até para esses executores que eles estão indo para uma situação sem volta, que está acabando com a vida deles. Eles estão achando que estão fazendo justiça com as próprias mãos e estão acabando com sua vida profissional, pessoal e até familiar”.

 

Coordenador de formação do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Julian Rodrigues defende mais discussões acerca da desmilitarização da polícia em todo o país.

 

Sonora: “Tem um problema estrutural: esse modelo de polícia militar e de segurança pública está falido. É um modelo que vem da ditadura e a Constituição de 1988 não mudou o modelo de segurança. Precisamos discutir a desmilitarização das polícias, a mudança da formação, do ingresso e dos currículos, uma carreira para os policiais, com bons salários e uma outra cultura. A polícia não é para matar. A polícia só atira para matar em último caso. Ela tem que fazer a contenção, a investigação e a prevenção”.

 

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, quando constatada a prática de crime ou quando há a suspeita fundamentada, os agentes são afastados. De acordo com o órgão, nos primeiros sete meses deste ano, 131 policiais foram presos e 141, demitidos ou expulsos da corporação.

 

Ficha técnica
Reportagem: Elaine Patricia Cruz
Sonorização: Priscila Resende
Edição: Beatriz Pasqualino e Lilian Beraldo
Coordenação: Lilian Beraldo, Juliana Cezar Nunes e André Muniz
Esta é uma produção da Agência Brasil em parceria com a Radioagência Nacional.

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