Missionário questiona reintegração de terras que desalojou índios no MS

02:24 Direitos Humanos, Notícias 07/07/2016 - 09h52 Brasília Embed

Renata Martins

Uma ação de reintegração de posse em Dourados, no Mato Grosso do Sul, desalojou nove famílias indígenas da etnia Guarani Kaiowá na manhã desta quarta-feira (6). A reintegração de posse da Fazenda Serrada foi concedida pelo juiz substituto Fábio Kaiut Nunes, da 1ª. Vara da Justiça Federal de Dourados. 

 

De acordo com o delegado da Polícia Federal, Fernando Campos, cerca de 60 agentes participaram da ação que teve o apoio da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal. A Funai acompanhou a ação. Os indígenas foram levados para as margens da BR-463, nas proximidades onde estava o acampamento.


O missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Matias Benno, considerou a ação lamentável.

 

Sonora:  "Eles voltaram para condição de beira da rodovia, depois de ter muito lutado, de ter conseguido minimamente um poço, e agora voltam para beira da rodovia, onde já perderam nove pessoas por atropelamento. ”

 

O Cimi contesta a decisão da Justiça. De acordo com o conselho, a reintegração foi realizada mesmo com pedido da Funai de suspensão de liminar no Supremo Tribunal Federal, ainda não julgado, e uma semana após a publicação de portaria da Funai criando o Grupo de Trabalho responsável pela demarcação de Apyka'i.


Ainda de acordo com o Cimi, a área é arrendada para o plantio de cana da Usina São Fernando, propriedade de José Carlos Bumlai, preso na Operação Lava Jato.


A comunidade indígena de Apyka'i, ocupava o território reivindicado pelo povo Guarani Kaiowá desde 2013.


Conflitos agrários envolvendo indígenas e fazendeiros são constantes no estado. Como destaca o delegado Fernando Campos.


Sonora: “ O Mato Grosso do Sul é o segundo estado que tem uma das maiores comunidades indígenas. Então a problemática envolvendo índio aqui é muito grande. E é um estado onde não houve demarcação de terras suficiente pra eles.”

 

Em junho, o índio Clodioude Aguile foi assassinado em Caarapó, a 50 quilômetros de Dourados, em um conflito por terras. A região, localizada no cone sul do Mato Grosso do Sul, fica na fronteira com o Paraguai. Procurada pela reportagem, a Funai não se pronunciou.

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