Pesquisa mostra que 87% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio

03:51 Direitos Humanos, Notícias 25/11/2016 - 19h59 Rio de Janeiro Embed

Tâmara Freire

Assovios, comentários de cunho sexual, olhares agressivos, muitos homens insistem em chamar isso de elogio ou paquera. Já as mulheres cada vez mais estão reagindo a  essa prática violenta e utilizando o nome correto: assédio.

 

O  volume de denúncias feitas nas redes sociais, por exemplo, só confirma os dados apresentados pela Organização Actionaid nesta sexta-feira Dia Internacional do Combate à Violência contra as mulheres. Das entrevistadas 87% passaram por alguma situação de assédio.

 

A assessora do Programa de Direito das Mulheres da organização Jéssica Barbosa acredita que o assédio reforça a ideia patriarcal de que o ambiente público é de domínio masculino e as mulheres podem ser punidas por ousar desfrutá-lo.

 

As práticas mais comuns relatadas pelas entrevistadas aos pesquisadores são os assovios e encaradas, mas quase 30% delas foram seguidas na rua e 20%  foram tocadas por seus assediadores.

 

Na comparação com outros países, o Brasil não se sai nada bem  ficando na frente das outras três Nações onde a pesquisa foi feitaTailândia, Índia e Grã- Bretanha.

 

A  produtora de eventos Érica Fredo diz que já passou por inúmeros episódios desde a adolescência e que agora também vê a filha adolescente vivendo as mesmas violências.

 

O Brasil também tem a maior proporção de mulheres que relatam ser vítimas de assédios desde antes dos 10 anos de idade, 16%.

 

Outras 55 passaram por algum episódio antes da maioridade e de acordo com a coordenadora da Actionaid  nem as crianças escapam de serem culpabilizadas pelo assédio que sofreu ou de terem a responsabilidade de se proteger . A tradutora Karla Avanço se lembra bem das precauções que precisava tomar.

 

E quase todas as mulheres que relataram assédios admitem mudar sua rotina para tentar evitá-los,  desde fazer um caminho diferente do usual e evitar áreas com pouca iluminação até mesmo deixar de utilizar o transporte público e desistir de eventos sociais.

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