Rádio mostra sua força de comunicação em reserva extrativista no Pará

05:46 Direitos Humanos, Especiais 15/12/2016 - 10h00 Brasília Embed

Michelle Moreira

* Na penúltima reportagem da série especial sobre o modo de vida e os desafios dos moradores da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, no Pará, a reportagem conta quais são os meios de comunicação utilizados pela população local.


As matérias são distribuídas pela Radioagência Nacional e veiculadas na Rádio Nacional da Amazônia.

 

 

Em São Pedro, dentro da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns (Resex), no Pará, basta sintonizar 91.5 FM para ficar por dentro do que acontece na comunidade.


A locutora Míriam Trindade garante que a Rádio Comunitária Floresta ainda é o meio de comunicação mais acessado pela população local.


Na comunidade do Mentai, o rádio não perdeu a majestade na casa da agricultora Maria Francisca. E ela prefere a versão mesmo à pilha.


Além de música e informações, o rádio presta um serviço essencial para a saúde dos ribeirinhos.


Nos casos de emergência, os moradores dependem das ambulanchas - lanchas com estruturas semelhantes a ambulâncias - que ficam nas comunidades maiores, como São Pedro, para serem encaminhados para atendimento médico em Santarém.


Esta comunicação com o barco é feita via rádio, como explica a enfermeira Marcela Amaral.


Se a comunicação pelo rádio é eficiente, o mesmo não se pode dizer do telefone. Rivanice Moreira mora na comunidade do Mentai e o filho mora no município de Santarém. Ela diz que falar com ele é complicado, ainda mais usando telefone público.


Poucos são os moradores dentro da unidade de conservação que têm acesso ao serviço de telefonia. Na maioria das comunidades, os orelhões estão quebrados.


Aparelho fixo só para quem pode pagar uma fatura, muitas vezes pesada para o bolso dos ribeirinhos. O celular, que seria uma alternativa, funciona apenas em algumas comunidades e a depender da operadora.


Dona Maria do Socorro dos Santos, também moradora do Mentai, tem um telefone fixo em casa. Ela conta que seus familiares moram longe e o serviço é uma necessidade. Ela libera o aparelho para que os vizinhos façam chamadas. É cobrada uma taxa de R$ 5.


Já a internet ainda é recente na reserva. Funciona a cerca de dois anos. Ainda assim já conquistou muita gente.


Basta observar as comunidades que contam com telecentro. Como o acesso à rede – na maioria delas – é a partir desses espaços, é comum ver as pessoas se agrupando com celulares à mão em busca de sinal.


Norma Bispo mora em Santarém, mas costuma visitar parentes em São Pedro. Ela conta que a internet é a única forma de se comunicar quando está na unidade de conservação.


Por nota, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que a implantação de telefones de uso público – os orelhões – faz parte das obrigações de universalização do serviço telefônico, prestado por meio de contratos de concessão. No caso da reserva, as empresas responsáveis são a Oi e a Claro.


Ainda segundo a Anatel, no caso da Oi foi constatado que a empresa não vem atendendo a exigência de cobertura por telefones públicos nos estados.


Por isso, foi expedida determinação para que a prestadora retome os índices mínimos. Enquanto isso, as chamadas a partir dos orelhões para telefones fixos não devem ser cobradas.


Sobre a oferta de telefonia móvel e internet, a Anatel explica que os editais trazem algumas obrigações para as prestadoras como, por exemplo, as empresas vencedoras de lotes referentes à região metropolitana de São Paulo tiveram que adquirir lotes na região amazônica.


Vencedora de licitação, a prestadora Claro atende na reserva. O que não impede que outras empresas atuem na região.


Em resposta, a Oi disse que disponibiliza os serviços de telefonia fixa e de uso público, cumprindo os critérios de cobertura determinados pela Anatel. A reportagem não conseguiu contato com a Claro.


A reportagem viajou para a Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns a convite do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.