Indígenas amazonenses fazem marcha de resistência e em defesa de direitos

03:26 Direitos Humanos, Notícias 19/04/2017 - 18h11 Manaus Embed

Bianca Paiva

Indígenas de 30 municípios amazonenses e de diversas etnias fizeram uma marcha nesta quarta-feira (19), em Manaus, para chamar a atenção para a preservação dos direitos dos povos indígenas.

 

O ato faz parte da programação organizada pelo Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas, em alusão ao Dia do Índio. A diretora-presidente da entidade, Clarisse Tukano, ressalta que a data não é de festa e, sim, de luta.

 

Sonora: "Pra nós o dia 19 é muito importante. É um dia de resistência e de dizer que nós povos indígenas do Amazonas estamos aqui em defesa dos direitos dos povos indígenas. Não é um dia de comemoração pra nós e sim de ir às ruas para dizer aos poderes públicos que nós existimos."

 

Para Herton Mura, do município de Careiro da Várzea, a Proposta de Emenda à Constituição que trata da demarcação das terras indígenas é uma das principais ameaças aos direitos conquistados. A PEC 215, como é conhecida, aguarda votação no Plenário da Câmara dos Deputados.

 

Sonora: "A gente teve muita garantia na Constituição de 88. O Artigo 231 dá o direito a nossa terra. Essa PEC visa reformular esse artigo 231 e tirar a competência do Poder Executivo de demarcar as terras indígenas e passar para o Poder Legislativo. Se isso acontecer, a gente tem a plena consciência de nunca mais no Brasil haverá demarcação de terras indígenas porque hoje o Legislativo é composto por uma bancada ruralista favorável ao agronegócio que são declaradamente contra a demarcação das terras indígenas."

 

A Marcha da Resistência Indígena do Amazonas, como foi chamada, começou por volta de 9h30 e, após uma hora de caminhada, fez uma parada na Assembleia Legislativa do Estado. Um grupo de lideranças foi recebido por deputados e entregou uma carta de reivindicações.

 

No início da tarde, os indígenas foram para a Universidade do Estado do Amazonas, onde apresentaram outro documento com pedidos relacionados à educação dos povos tradicionais. De lá, a marcha seguiu para o Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus para discutir a saúde indígena.

 

O professor indígena Gersen Baniwa destaca a importância da mobilização e do diálogo com diversas entidades para que os povos tenham mais visibilidade.

 

Sonora: "A primeira preocupação e também propósito é fazer com que as instituições e a sociedade saibam o que está acontecendo porque, afinal de contas, de alguma maneira o sofrimento e a extinção dos povos indígenas é sim responsabilidade da sociedade como um todo, principalmente, as instituições. No caso das universidades e dirigente de instituições, são pessoas tomadoras de decisões e formadoras de opiniões e podem ajudar então a preservar os direitos e a vida dos povos indígenas aqui do estado e do Brasil."

 

Na programação do Dia do Índio ainda está prevista a realização de uma noite cultural aberta ao público, no Espaço Kairós, no bairro União, onde os indígenas estão acampados. Nesta quinta-feira (19), está prevista uma segunda marcha que vai passar pelas secretarias municipal e estadual de educação e pela Funai.