Pelo menos 5 pessoas morreram em chacina no Mato Grosso; CPT diz que pessoas estão aterrorizadas

02:17 Direitos Humanos, Notícias 21/04/2017 - 12h16 Brasília Embed

Graziele Bezerra

A polícia de Mato Grosso investiga uma chacina ocorrida nessa quinta-feira (20), na área rural de Colniza, a 1.065 quilômetros da capital Cuiabá. 


Informações preliminares dão conta que indivíduos encapuzados invadiram uma gleba na área chamada Taquaruçu do Norte, próxima ao Distrito de Guariba e atiraram matando ao menos cinco pessoas, segundo a Polícia Civil. 


A área onde ocorreu o episódio fica a 140 quilômetros da área urbana, é de difícil acesso e a telefonia é precária. Por isso, muitas informações ainda não foram confirmadas, como a quantidade exata de mortos e o que motivou os assassinatos. 


O coordenador regional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cristiano Cabral, fala do clima de terror na região. 


“As pessoas estão apavoradas de passar informações. Eles não sabem até onde que tem policia envolvida com isso ou não. Então, pra que denunciar? Eles estão com muito medo de passar informações e estão aterrorizadas”, afirma Cristiano Cabral.


O coordenador da CPT destacou que muitas pessoas ainda estão desaparecidas. “Não sabemos se foram assassinadas ou estão escondidas.” 


Cerca de 100 famílias moram na Gleba Taquaruçu do Norte, que há mais de dez anos é cenário de conflitos e violência. Segundo a CPT, outros assassinatos e agressões já ocorreram no local. 


Os produtores denunciam a existência de grupos fortemente armados que fazem a segurança dos fazendeiros da região e ameaçam pequenos agricultores que se recusam a deixar o local. 


A chacina de Colniza ocorre justamente na semana em que se relembra o massacre de Eldorado dos Carajás, que há 21 anos matou 19 trabalhadores rurais, no Pará.


Ainda nesta semana, a CPT divulgou dados sobre Conflitos no Campo Brasil 2016. No ano passado, 61 pessoas morreram em conflitos no campo, em todo o país. Este número siginifica 22% a mais que os registros de 2015.


Agora, em 2017, a entidade já contabilizou dez assassinatos de camponeses.