Cimi aponta aumento de mortes de crianças indígenas

02:40 Direitos Humanos, Notícias 13/10/2017 - 10h55 Brasília Embed

Maíra Heinen

Dados apresentados na última semana pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontam aumento dos casos de mortalidade infantil entre indígenas. O Relatório de Violência contra os Povos Indígenas do Brasil destaca que, em 2015, foram registrados 599 óbitos e, em 2016, 735 mortes entre menores de 5 anos.


O Cimi utilizou dados fornecidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.


Os números estariam na contramão do que é observado entre crianças não índias. Tabelas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam melhora nas últimas décadas. Em 1940, por exemplo, a taxa de mortalidade infantil era de 146,6 a cada mil nascidos. Em 2015, a taxa caiu para 13,8 a cada mil.


O IBGE mostra diversos fatores que contribuíram para essa diminuição, entre eles: o aumento da renda, da escolaridade e do saneamento adequado.


Sobre a morte de crianças indígenas, a Sesai afirma que o aumento pode ser explicado por uma melhor captação e inserção de dados ao longo dos anos.


Um dos organizadores do estudo do Cimi, Roberto Liebgott reconhece que o ministério melhorou a coleta de dados mas defende que ainda é necessário mudar as condições de vida dos índios para reduzir a mortalidade infantil.


“Nos últimos anos eles melhoraram efetivamente a veiculação dos dados, isso é inegável, mas também é inegável o agravamento dessa questão, de modo especial no que tange à prevenção. Então, a gente percebe a mortalidade infantil em função do que: das águas poluídas, então não há água potável, então não há prevenção.”


As principais causas das mortes de crianças indígenas, em 2016, foram a pneumonia e gastroenterite de origem infecciosa, septicemia não especificada, morte sem assistência e desnutrição grave, pro exemplo.


A Sesai disse que os dados repassados ao Cimi foram extraídos no início de 2016 e que podem conter subnotificação dos registros de óbitos.


A secretaria ressaltou que este ano teve o maior investimento de recursos desde que o Ministério da Saúde passou a gerenciar a saúde indígena, com mais de R$ 1,5 bilhão.


As regiões com mais mortalidade de crianças indígenas desde o nascimento até os 5 anos, de acordo com o relatório do Cimi, são o Dsei Yanomami, em Roraima, com 103 mortes, e o Dsei Xavante, em Mato Grosso, com 87 casos.