"Ataques não ajudam povo do meu país", diz sírio refugiado no Brasil

03:57 Direitos Humanos, Notícias 15/04/2018 - 12h03 Brasília Embed

Renata Martins

O Sírio Abdulbaset  Jarou vive em São Paulo há 4 anos.

 

Hoje, a preocupação dele é com a situação da mãe, da irmã caçula e dos amigos que permanecem na Síria.

 

Para ele, os mísseis lançados pelos Estados Unidos com apoio de França e Reino Unido não ajudam as pessoas que sofrem no país em guerra.

 

 

O professor de Relações Internacionais da PUC em São Paulo, Reginaldo Nasser, lembra que há um ano, os Estados Unidos promoveram ataque similar.

 

No dia 7 de abril de 2017 os Estados Unidos lançaram mísseis contra a Síria em resposta a um suposto ataque químico.

 

Nasser critica tantos Estados Unidos, França e Inglaterra como a Rússia, aliada da Síria, por fazerem, o que ele considera, um 'teatro de guerra''.

 

Nasser não acredita que uma nova guerra mundial esteja a caminho. Para ele, há uma lógica que vem se perpetuando desde a Guerra Fria: uma deles é que as grandes potências não vão entrar em conflito direto.

 

O especialista explica que logo após a Segunda Guerra Mundial, o Oriente Médio virou uma das regiões mais disputadas por Estados Unidos e pela então União Soviética.

 

O sírio que hoje vive no Brasil, Abdulbaset, disse que tinha uma boa vida em seu país.

 

Ele relata que teve vender sua empresa de produtos eletrônicos para fugir da guerra. Ele e outros irmãos estão espelhados por sete países diferentes.

 

 

Trinta e um por cento dos refugiados no mundo são sírios. Relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados aponta que ao final de 2016, cinco milhões e meio pessoas foram forçadas a deixar o país.

 

Em 2017, mais da metade dos reconhecimentos de refúgio no Brasil foram de sírios, com um total de 310 reconhecidos pelo Conselho Nacional de Refugiados.

 

É a nacionalidade com maior número de refugiados reconhecidos pelo estado brasileiro.