Luta por reconhecimento de direitos marca a vida dos imigrantes no Brasil

04:32 Direitos Humanos, Notícias 20/06/2018 - 10h04 Brasília Embed

Sayonara Moreno

Crianças refugiadas ou filhas de refugiados podem ter desempenho escolar e profissional melhor que as pessoas brasileiras. É o que aponta o  Comitê Nacional Para os Refugiados (Conare). O coordenador-geral do comitê, Bernardo Laferté, define a contribuição econômica dos refugiados, no Brasil, como enorme.

 

A professora do Núcleo de Estudos da População da Universidade de Campinas, Rosana Baeninger, explica que, nos últimos cinco anos, a origem dos imigrantes e refugiados se diversificou, e muitos têm boa formação profissional.

 

Essa realidade, por exemplo, é a dos cidadãos sírios, que são mais de 35% dos refugiados no Brasil. Uma delas é Myria Tokmaji, formada em Comunicação Visual e Design Gráfico. Ela conta que deixou a cidade de Aleppo, sob escombros e coberta de corpos, devido à guerra que acontece há sete anos na Síria. Chegou no Brasil em 2013 e levou três anos para conseguir revalidar o diploma e começar a trabalhar.

 

Irmão de Myria, Abed Tokmaji não conseguiu o mesmo feito. Arquiteto formado, ele conta que ficou oito meses desempregado no Brasil, mas conseguiu, por sorte, trabalhar em um escritório de arquitetura, em Curitiba, mesmo sem ter o diploma revalidado.

 

A professora Rosana Baeninger ainda relata a importância da revalidação do diploma de migrantes e refugiados. Mas alguns detalhes se tornam obstáculos, como o idioma das provas e a grade de disciplinas exigidas, que podem ser diferentes daquelas de outras universidades do mundo. Além da questão burocrática, a falta de conhecimento sobre a história dos refugiados e sobre os direitos que eles têm com as leis brasileiras afeta, também, a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. É o que explica Luís Fernando Godinho, porta-voz da Agência das Nações Unidas Para Refugiados.

 

No Brasil, até dezembro de 2017, mais de 10 mil pessoas haviam conseguido reconhecimento do Ministério da Justiça como refugiadas. Mas o caminho para que elas sejam vistas além de simples números ainda tem muito a ser percorrido. Segundo o Ministério da Justiça, cerca de metade delas já retornou para o país de origem.

 

A condição de refugiado é concedida pelo órgão, que recebeu mais de 33 mil pedidos somente no ano passado. Mais da metade deles, de pessoas que vieram da Venezuela, devido à crise político-econômica. Celebrado em 20 de junho, o Dia Mundial do Refugiado foi definido por resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, que lembra a data desde 2001. Mas o dia é muito mais de luta que de comemoração.

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