Mortes no campo dobram em quatro anos; a maioria é registrada na Amazônia Legal

04:04 Direitos Humanos, Notícias 05/06/2018 - 19h43 Brasília Embed

Renata Martins

A cada cinco dias uma pessoa foi assassinada em áreas rurais no ano passado. O dado está no Caderno Conflitos no Campo Brasil, organizado pela CPT, a Comissão Pastoral da Terra, e divulgado nesta segunda-feira.

 

2017 foi um ano de quebra de recordes referentes a violência no campo: foram 71 assassinatos, dez a mais que em 2016, e o maior número dos últimos 14 anos. Na comparação com 2014, foram 35 mortes a mais por conflitos agrários, praticamente o dobro.

 

As chacinas, que já fazem parte da realidade das cidades, também foram registradas no campo no ano passado. Cinco delas foram responsáveis por 44% das mortes do relatório. As de Pau D’Arco, no Pará, e de Colniza, em Mato Grosso, foram as que mais mataram.

 

Além do aumento no número de assassinatos, outras violências também cresceram. Em relação a 2016, as tentativas de homicídio aumentaram em mais de 60%  e as ameaças de morte, em 13%. Se somadas todas as ocorrências, o número chega perto de mil.

 

A maioria dos crimes ocorreu nos estados da Amazônia Legal. O Pará lidera o ranking de assassinatos. Polliana Soares, do Acampamento Hugo Chávez, no município de Marabá, de onde famílias foram despejadas em dezembro, relata o que os dados sobre conflitos no campo representam na ponta, no local onde as violências são vivenciadas.

 

Para a Comissão Pastoral da Terra, o aumento da violência no campo está relacionada a ruptura política vivida pelo Brasil em 2015, como a troca de comando do Executivo Federal e as pautas do Congresso Nacional. É o que explica o professor da Universidade Federal Fluminense e assessor da CPT, Carlos Walter Porto.

 

A Comissão também destaca que o corte no orçamento de órgãos de fiscalização e de promoção de políticas públicas para trabalhadores rurais, como o Incra, também ajudaram a impulsionar a violência.

 

Outro dado preocupante apontado no relatório é o crescimento de mais de 14%  dos conflitos pela água relacionados a mineradoras. Dos quase 200 conflitos pela água em 2017, 65%  ocorreram em áreas onde essas empresas atuam.

 

Sobre os dados divulgados pela CPT, a Ouvidoria Nacional Agrária afirmou considerar fundamental a instalação de mais núcleos especializados na área agrária nas Polícias Civis e Militares, Promotorias, Defensorias e Tribunais de Justiça nos estados para enfrentamento dos casos de violência no campo.

 

Como medida de prevenção a conflitos no campo, o Incra informou que promoveu em 2017 a criação de 25 novos projetos de assentamento, com área total de mais de 41 mil hectares e capacidade de assentamento de 1.600 famílias.

 

O Ministério Extraordinário da Segurança Pública também foi procurado para cometar o relatório, mas até o fechamento desta reportagem, não tivemos retorno.

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