Centenário de Mandela: líder é lembrado pelo laço histórico e afetivo com o Brasil

03:37 Direitos Humanos, Notícias 18/07/2018 - 11h51 Brasília Embed

Samanta do Carmo

Nesta quarta-feira, 18 de julho, Nelson Mandela, que partiu da luta armada para um caminho que o levaria a ser o primeiro presidente negro da África do Sul, completaria 100 anos de idade. Foram 27 anos preso com base em leis que seu país considerava legítimas, apesar de condenadas pela maioria de seu povo e pela comunidade internacional. No ano em que foi libertado, Mandela visitou o Brasil.

 

O líder da luta contra o regime de segregação racial conhecido como Apartheid foi recebido em agosto de 1991 por 40 mil pessoas no sambódromo do Rio de Janeiro e mais milhares em outras cidades. E isso não foi à toa, como comenta o Ivair dos Santos, sociólogo especialista em estudos sobre África Contemporânea. 

 

A intenção de Mandela com a visita era pedir que as sanções à África do Sul fossem mantidas até que o fim do apartheid fosse confirmado.

 

O economista e vereador de Salvador Sílvio Humberto menciona que outros líderes do movimento negro sul-africano mantinham diálogo com o Brasil.

 

Depois da eleição de Mandela para a presidência da África do Sul, o apoio se transformou em cooperação bilateral, como comenta Ivair dos Santos.

 

Enquanto a principal conquista brasileira foram as ações afirmativas para garantir o acesso da população negra à universidade, o sociólogo menciona que o governo sul-africano avançou em diversas áreas, inclusive inserção econômica.

 

Como presidente, Mandela não conversou apenas com os chefes de estado brasileiros. Ele se reunia com os movimentos negros brasileiros e com representantes do movimento sindical. O efeito disso foi que em 2001, na África do Sul, quando ocorreu a terceira Conferência da ONU contra o Racismo, a maior delegação foi a brasileira.

 

Mandela faleceu em 2013. Ivair dos Santos e Silvio Humberto comentam que nos últimos dois anos as relações entre Brasil e o continente africano estão enfraquecidas e precisam ser recolocadas dentro das estratégias da diplomacia brasileira.

 

 

 

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