Campanha chama atenção para exclusão social e econômica das vítimas de escalpelamento

02:40 Direitos Humanos, Notícias 28/08/2018 - 08h00 Brasília Embed

Maíra Heinen

Sonora: "Isso atinge muito o psicológico delas. Elas ficam mal, mal mesmo...."

 

O preconceito é uma das maiores consequências do escalpelamento.

 

O acidente grave e tão comum na Amazônia, continua a fazer vítimas entre as populações ribeirinhas.

 

Para além dos problemas físicos de quem sofre o arrancamento brusco do couro cabeludo, quem passa por um escalpelamento enfrenta também muitas sequelas psicológicas.

 

É o caso de Rosinete Serrão, que sofreu o acidente quando tinha 20 anos de idade.

 

Ela já perdeu uma vaga de emprego por causa das cicatrizes.

 

Sonora: "Eu fui chamada pra uma entrevista. Quando eu fui atendida por um psicólogo, eu disse que fui vítima de escalpelamento. E ele disse que infelizmente não poderia me dar a vaga"

 

Casos como o de Rosinete, que faz parte da Associação de Vítimas de Escalpelamento no Amapá, não são raros.

 

Para enfrentar esta situação, o Ministério Público do Trabalho, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, lançou neste mês uma campanha nacional que busca conscientizar e dar visibilidade à realidade de exclusão e violência enfrentada pelas vítimas do escalpelamento.

 

A procuradora do Trabalho da 4ª Região, Ana Lúcia Gonzales, explica o significado da inserção dessas pessoas no mercado de trabalho.

 

Sonora: "A gente tem muito apreço por essa questão do trabalho. A pessoa não se sente bem sem poder exercer uma atividade."

 

Segundo dados da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, órgão pertencente à Marinha do Brasil, responsável pela segurança dos rios amazônicos, a maioria das vítimas de escalpelamento são do sexo feminino - 93% dos casos.

 

As crianças são as maiores vítimas e representam 65% dos casos.

 

As consequências do acidente são muito graves e variam conforme as áreas afetadas na ocorrência, como crânio, pálpebras, orelhas e face.

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