A saúde mental exige uma universidade mais acolhedora, alerta pró-reitora da UFMG

04:45 Direitos Humanos, Notícias 13/09/2018 - 09h30 Brasília Embed

Ana Lúcia Caldas

A pressão com prazos, notas e até problemas financeiros pode levar quem está na universidade a dificuldades emocionais que interferem na vida acadêmica.

 

Levantamento sobre o Perfil Socioeconômico dos Universitários revela que oito em cada dez estudantes de graduação relataram que já tiveram problemas como tristeza, ansiedade e sensação de desesperança. Mais de 6% relataram ter ideias de morte e cerca de 4% já tiveram pensamento suicida.

 

Segundo o reitor Reinaldo CentoduCatte, presidente da Andifes, Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a pesquisa ajuda as universidades na adoção de medidas.

 

Sonora: “Temos percebido dentro da universidade nos estudantes, vários tipos de casos que estão associados a essas questões de necessidade de acompanhamento psicológico, psiquiátrico, comportamentais. Então, para se adiantar a gente precisa fazer esse levantamento para que as universidades se preparem para atender essa demanda que tem crescido ultimamente. “

 

A Universidade Federal de Minas Gerais criou em 2014 a Rede de Saúde Mental. A instituição oferece também o Núcleo de Acolhimento e Escuta aos Estudantes, formado por psicólogos e assistentes sociais.

 

A Pró-Reitora de Extensão da UFMG e professora de psicologia Claudia Mayorga defende ações efetivas de prevenção ao suicídio.

 

Sonora: "A rede de saúde mental tem se dedicado a isso, a aprofundar a compreensão sobre esse problema que é tão complexo que afeta a nossa sociedade hoje. Pensar ações efetivas de prevenção do sofrimento e também do suicídio. E também criar ações que promovam maior bem estar na nossa universidade. Ações culturais, ações esportivas, espaços de encontro, de troca, que não se limitem apenas a dimensão acadêmicas."

 

Claudia Mayorga diz a questão da saúde mental exige uma universidade mais acolhedora.

 

Sonora: "Isso se manifesta publicamente, nos espaços de estudo, de pesquisa, de extensão, então a gente precisa lidar com isso. Nós muitas vezes dentro da Universidade, historicamente, achamos que aqui não é o lugar onde as pessoas podem demonstrar seus medos, suas fraquezas, suas dificuldades e devemos sim acolher quando isso acontece."

 

Em outras universidades estão sendo implantadas ações relativas a saúde mental dos estudantes. Na Universidade de Brasília, está em fase de estruturação o Núcleo de Estudos, Pesquisas e Atendimentos em Saúde Mental e Drogas e foi criado um grupo para atendimento a situações de risco emergencial.

 

Para Yasmim Safatle, de 24 anos, do curso de Ciências Sociais, as iniciativas são positivas:

 

Sonora: "Acho muito importante que a universidade reconheça que não se trata de uma questão individual, do estudante, da estudante que está tendo um problema psicológico, um problema pessoal e que ela também tem que se responsabilizar por isso e implementar medidas. Até mesmo para a gente saber que a universidade está preocupada com as nossas vidas. Nós podermos tambem ser nossas redes de apoio com os estudantes cuidandos de outros estudantes."

 

A Unb ainda oferece no Campus do Gama uma disciplina diferente: Felicidade. Mas, esse sentimento se aprende? Quem explica é o Titular da matéria, Wander Pereira. 

 

Sonora: "As pessoas tem que entender que a felicidade não é conquistada de forma permanente. Felicidade é sempre uma busca e o acumulo dessas pequenas coisas é que tornam as pessoas felizes. A disciplina vai ter esse caminho aí. Se você consegue fazer com que uma pessoa desenvolva sua capacidade de relacionamento social, afetividade, resiliência, estratégia de enfrentamento a depressão. Então, você está tornando ela mais apta a buscar sua própria felicidade, fazer seu próprio caminho."

 

Diante do sinal de que algo está errado importante procurar ajuda com profissionais, nos postos de saúde, organizações não-governamentais e Centro de Valorização da Vida na internet ou ligando no 188.

 

Na próxima reportagem, a prevenção ao suicídio no mercado de trabalho.

 

Com produção de Adriana Shimoda, sonoplastia Marcos tavares.