Indígenas aprovam pauta de reivindicações ao final do Acampamento Terra Livre em Brasília

03:48 Direitos Humanos, Notícias 28/04/2019 - 11h29 Brasília Embed

Renata Martins

Marcha em defesa dos direitos dos povos indígenas marca o último dia de Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília.

 

Entre as asas do Plano Piloto, o asfalto do Eixo Monumental recebeu, na sexta-feira (26), a passada entoada e as tantas danças e cantos de povos indígenas das cinco regiões do país. Mais de 4 mil, de acordo com a organização do evento.

 

O menino Miguel, de três anos, esteve na marcha final da 15ª edição do ATL – Acampamento Terra Livre. Com um ornamento de penas cor de rosa, parecido com um gorro, o pequeno fazia sucesso e respondia sorridente aos vários apelos por fotos com ele.

 

Veio de Itaituba, no Pará, acompanhado dos pais. Novas gerações. Lutas que permanecem mesmo no debute do encontro, que reúne povos de mais de 40 etnias.

 

Gilmara Munduruku, mãe do curumim, veio com a família. Três dias de viagem para reivindicar o direito pela terra dos seus ancestrais.

 

Desde quarta-feira (24), os indígenas que estão no ATL percorrem Poderes e pedem o retorno da Funai ao Ministério da Justiça. Atualmente, a Fundação Nacional do Índio (Funai) está sob a tutela do recém-criado Ministério da Mulher, Família e Direito Humanos.

 

É também no Ministério da Justiça e Segurança Pública que os indígenas reivindicam que fique a demarcação de terras dos povos originários. Este ano, o governo federal criou um grupo de trabalho sob o comando do Ministério da Agricultura para analisar as demarcações.

 

Durante o protesto, dez liderança indígenas foram recebidas pelo secretário-executivo do ministério, Luiz Pontel. O titular da pasta, ministro Sérgio Moro, está em viagem.

 

O cacique Marcos Xukuru, de Pernambuco, destacou que, na conversa, o grupo chamou atenção para importância do Ministério da Justiça e alertou que a pasta ainda tem responsabilidade com a questão indígena.

 

O secretário-executivo afirmou que o ministério vai buscar as melhores soluções para as demandas dos indígenas.

 

Durante os três dias de encontro, foi possível identificar uma presença forte de mulheres no acampamento. Além das pautas gerais, vieram para o encontro em busca da articulação de mulheres do movimento indígena.

 

Juliana Jenipapo Kanindé, do Ceará, lembrou de nomes que estão à frente da luta dos povos originários, como a Cacique Pequena – a primeira cacique da América Latina.

 

Segundo Juliana, as pautas das mulheres são reivindicações de todo o povo, como a defesa do território, a saúde e a educação, mas que ainda é preciso avançar também dentro das próprias comunidades.

 

No final do ATL, os indígenas aprovaram documento com a pauta de reivindicações, que será encaminhada para autoridades dos Três Poderes.

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