Venezuelanos são libertados de trabalho escravo na Bahia

02:47 Direitos Humanos, Notícias 19/04/2019 - 11h43 Brasília Embed

Sayonara Moreno

Dez trabalhadores venezuelanos foram encontrados em situações semelhantes a trabalho escravo, em uma oficina no interior da Bahia.

 

O estabelecimento presta manutenção de equipamentos de um parque de diversões e o casal de proprietários aliciou os dez venezuelanos.

 

O galpão da oficina fica na rodovia BR-415, entre os municípios de Itabuna e Ibicaraí, no Sul da Bahia. Segundo a Secretaria Nacional de Trabalho, os resgatados não estavam no Brasil quando começaram a trabalhar na oficina.

 

Eles foram aliciados, ainda na Venezuela, pelo casal composto por um brasileiro e um polonês.

 

Por isso, a secretaria configura a situação não somente como trabalho semelhante à escravidão, mas ao tráfico internacional de pessoas.

 

Os aliciados vieram em janeiro para o Brasil, com os custos da viagem pagos pelos empregadores.

 

Mas o valor era descontado aos poucos na remuneração deles, que tinham que pagar pela alimentação, alojamento, televisão e internet.

 

Dessa forma, todos os gastos equivalem a dois terços do valor que recebiam, por mês. Como os trabalhadores enviavam parte do que sobrava às famílias, na Venezuela, a eles restavam cerca de R$ 100 para passar o mês.

 

A auditoria fiscal identificou que nenhum dos dez trabalhadores era registrado formalmente como empregado.

 

As instalações em que foram encontrados são precárias e ficam no próprio galpão da oficina: por lá, camas improvisadas, cômodos sem ventilação, banheiro com apenas parede de zinco, sem privacidade ou conforto e nem condições sanitárias adequadas.

 

A fossa do banheiro, segundo relataram os auditores, estava prestes a transbordar e o cheiro era muito forte.

 

A situação era tão precária que um dos trabalhadores adquiriu sarna, doença altamente infecciosa, causada por ácaros que entram e se alimentam da camada superficial da pele.

 

Também no alojamento, as instalações elétricas ofereciam risco de choque elétrico e de curto-circuito, já que os fios estavam desencapados. Para comer, o cardápio não passava de panqueca de farinha de trigo, arroz, frango e ovos.

 

Depois que os trabalhadores foram resgatados, a Polícia Federal (PF) prendeu, em flagrante, os dois empregadores que, agora, devem responder na Justiça pelo crime de redução de trabalhador à condição de escravo.

 

Os resgatados foram acolhidos pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia. A regularização dos documentos dos resgatados está em andamento e a auditoria fiscal realiza o cálculo para saber o valor de indenização que cada um deve receber, além do seguro-desemprego.

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