Desafios sobre gravidez na adolescência persistem 25 anos após conferência da ONU

03:44 Direitos Humanos, Notícias 12/07/2019 - 09h39 Brasília Embed

Juliana Cézar Nunes

A Organização das Nações Unidas celebra esta semana os 25 anos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo, Egito.

 

Nos últimos anos, a maior parte dos países ampliaram as políticas de acesso a direitos para mulheres e meninas. Mas os desafios continuam. Cerca de 200 milhões de meninas e mulheres não têm acesso a métodos contraceptivos para evitar ou adiar a gravidez.

 

A ONU faz um chamado aos governos e sociedade civil para zerar nos próximos anos as necessidades não atendidas de contracepção, acabar com as mortes maternas evitáveis e eliminar as violências ou práticas nocivas contra mulheres e meninas.

 

Jaime Nadal, representante do Unfpa, Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, ressalta que o fundamental é garantir o direito à escolha.

 

“Vinculado a temas de poder realizar os projetos de vida, de conseguir a inserção plena das mulheres na vida produtiva, na vida social, na vida política como cidadãs de pleno direito na sociedade. Esse é o objetivo.”

 

No Brasil, o relatório do UNFPA aponta queda na taxa de fecundidade entre as mulheres mais pobres e as mulheres negras.

 

Em 2001, a taxa de fecundidade era de 3,92 filhos por mulher. Em 2015, esse índice caiu para 2,90. Quase um filho a menos por mulher.

 

A pesquisa também revelou um aumento no uso de contraceptivos.

 

Há 25 anos, apenas 35% das mulheres ou em outro tipo de união usavam algum método. Atualmente, a taxa de prevalência de uso chega a 77%.

 

Mas, o Brasil ainda tem uma das maiores taxas de gravidez na adolescência. São cerca de 68 bebês nascidos de mães adolescentes, a cada mil meninas de 15 a 19 anos.

 

Suzana Cavenaghi, demógrafa e consultora do Unfpa, ressalta que é necessário avançar em políticas para esse público.

 

“A gente não tem avançado muito na questão da educação sexual integral para as meninas, por isso que a fecundidade de adolescente, apesar dela ter caído, ela caiu muito pouco. Então, as mulheres, principalmente, acabam engravidando sem ter planejado naquele momento. Conhecem métodos contraceptivos às vezes depois de ter o primeiro filho, quando acessam o centro de saúde.”

 

Rayanne França, indígena da etnia Baré, tem 27 anos e faz parte da geração que conseguiu se formar sem ter filhos. Mestranda da Universidade de Brasília, ela acredita que até a comunidade já compreende melhor a escolha das mulheres.

 

“A minha mãe, por exemplo, ela fala, "ah, sou tia-avó". Eu falo assim: "vai continuar sendo tia-avó, por enquanto". Não que filhos sejam empecilho para qualquer tipo de coisa que a gente possa fazer na vida, mas eu acho que tem que pensar e agir de maneira racional, pensando na condição de direitos coletivos. Eu acho que se faz a necessidade de se pensar um pouco mais além, em um pensamento mais ampliado.”

 

Para mais informações sobre as pesquisas e recomendações do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, acesse www.unfpa.org.br/.

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