Zona Franca de Manaus pode tentar contornar crise com exportação

04:45 Economia, Notícias 03/01/2016 - 15h29 Manaus Embed

Bianca Paiva

Em 2015 a Zona Franca de Manaus registrou uma queda de 30% na produção por causa da crise econômica no país. Os setores mais prejudicados foram os de motocicletas, eletroeletrônicos, principalmente, televisores e tablets. Cerca de 20 mil trabalhadores perderam o emprego.

 

Para o presidente do Cieam, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, Wilson Périco, a crise econômica é reflexo da crise política no Brasil e trouxe grandes impactos para a indústria amazonense. Isso porque a economia do estado é muito dependente do que é produzido em Manaus.

 

Segundo ele, 95% do ICMS, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, no estado é arrecadado na capital. Sonora: “É uma crise política que se transformou nessa situação econômica que estamos vivendo. Tirou a confiança do consumidor brasileiro e reduziu o poder de compra daqueles que perderam emprego. Isso retrai o consumo, reduz a demanda por novos produtos, afeta a atividade das linhas de produção e há risco de mais demissões na indústria nacional. E não é diferente aqui para a Zona Franca de Manaus”.

 

De acordo com o presidente do Sindmetal, Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, foram necessários acordos com as empresas para que não houvesse um número maior de demissões.
Sonora: “Nós fizemos acordos com várias empresas. Licença remuneradas, férias antecipadas, suspensão de contratos. Tudo foi feito aqui para conter essas demissões. Esse ano, nós perdemos em torno de 15 a 20 mil trabalhadores. Não deu pra segurar essas demissões. Espero que no começo do ano a gente resolva essa parte e que o Brasil possa crescer novamente”.

 

O gerente de Relações Institucionais de uma fabricante de motos em Manaus, Mário Okubo, conta que a produção de motocicletas vem caindo desde 2011 e se intensificou em 2015. Há quatro anos, a produção de motos foi de 1,7 milhão. A previsão é fechar 2015 com pouco mais de 1 milhão.

 

A crise também provocou a demissão voluntária de 7 mil funcionários. Para Mário, além do receio da população de gastar por causa da crise econômica, outro problema que influenciou a queda da produção e das vendas no setor foi a redução da concessão de crédito para financiamento.
Sonora: “Houve um aumento da inadimplência. O que os bancos e as financeiras fizeram? Eles começaram a dificultar a liberação de créditos. Existem compradores ainda. Historicamente de 10 pedidos, em torno de 7 a 8 eram aprovados os cadastros para as financeiras, atualmente essas aprovações, estão em torno de duas, no máximo três”.

 

A superintendente da Suframa, Rebecca Martins Garcia, destaca que o polo industrial de Manaus tem uma peculiaridade em relação às indústrias do restante do país: a produção é voltada para o abastecimento do mercado interno. Com isso, segundo ela, quando a crise econômica afeta o poder aquisitivo da população brasileira, a Zona Franca é a mais atingida. Para a superintende, o momento é propício para se discutir a exportação dos produtos da Zona Franca.
Sonora: “É importante e já é consolidado o abastecimento interno no país. Mas é importante que se tenham alternativas para fora do país. Porque não é a primeira crise econômica que o Brasil está vivendo e não será a última, independentemente do governo que esteja a frente do país. Então é importante que se repense o modelo no sentido de não se acabar com o que tem, é de continuar o que já tem consolidado, mas abrir possibilidade para exportação. Especialmente nós estamos pensando na América Andina”.


Ainda segundo Rebecca Garcia, a Suframa criou grupos de trabalho para discutirem alternativas para superar a crise e alavancar a economia do Amazonas. Um deles, relacionado a economia criativa, está se destacando e é a aposta para 2016. A superintendente da Suframa também informou que pretende no próximo ano fortalecer as chamadas startups, que são empresas recém-criadas com ideias inovadoras e que podem ser rentáveis, e a economia solidária, que têm grande potencial no estado.

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