Trocando em Miúdo: Independência custou ao Brasil 3 milhões de libras esterlinas pagas à Inglaterra

04:43 Economia, Notícias 07/09/2017 - 01h54 Brasília Embed

Apresentação Eduardo Mamcasz

Olá, prezada pessoa ouvinte cidadã.
 

Entre o grito nas margens do córrego do Ipiranga, na então provinciana São Paulo, naquela seca manhã de 7 de setembro de 1822, e o reconhecimento, de fato, da independência do Brasil, rolou muita água e, principalmente, mais ainda dinheiro, tanto que a nossa dívida externa dá um enorme pulo, nessa época, e nunca mais volta ao chão. Vamos nessa.

 

Para reconhecer a independência do Brasil, Portugal, pois, pois, exige o pagamento de uma fortuna, na época, 3 milhões de libras esterlinas, de indenização, de que mesmo, ora, de nada. Lógico que o Brasil está zerado, quebrado, noiado porque a família imperial, de dom João VI, que havia fugido de Portugal, agora, para  voltar, leva tudo, ouro, divisas, dinheiro, tudo…

 

Veja bem. Para fugir de Portugal, as tropas do cunhado de Napoleão invadindo Lisboa, o rei João e a rainha Maria, chamada de A Louca, assinam uma nota promissória. A Inglaterra financia a fuga da família imperial portuguesa, com 13 navios de guerra, que escoltam 25 navios mercantes, com 15 mil patrícios escolhidos a dedo, pelo velho QI, quem indica, cê sabe com quem tá falando, meu. E chegam todos felizes às praias de São Salvador da Bahia, nossa primeira capital federal brasileira independente.

 

Mas é lógico que isto tem um baita custo para Portugal, tanto que a Inglaterra toma posse dos nossos portos, abertos para a nação amiga, e da nossa riqueza da época, pau-brasil e a cana-de-açúcar. Mas voltando para 7 de setembro de 1822. Quanto a corte portuguesa volta para Portugal, sem pagar a dívida inglesa, leva tudo da gente, raspa o tacho, limpa o cofre da Casa da Moeda e, adivinhe quem fica com a dívida da vinda e da volta dos patrícios portugueses, nossos colonizadores exploradores? Lógico que o nosso jovem dito independente Brasil.

 

A Inglaterra, os Estados Unidos da época, grita. Pera lá. Tenho uma dívida para receber. Só reconheço o Brasil se Portugal reconhecer. E Portugal, bem esperto, diz para o filho dom Pedro, que ficou no Brasil: só reconheço se pagar a fortuna que eu devo para a Inglaterra. E aí? Tudo em casa. De pai, João, para filho, Pedro, tudo rei. O Brasil, para ser independente de fato, não vale o 7 de setembro de 1822, paga os 3 milhões de libras esterlinas para Portugal que, com isso, se livra da dívida para com a Inglaterra. Com isso, estamos independentes.

 

Espera lá. O Brasil paga com que? Os portugas não levaram até o último centavo da gente? Ora, pois, pois, adivinhe só, gajo. A Inglaterra, dona do dinheiro do mundo, muito da boazinha, diz para o Brasil: “Eu te empresto”. Conversa vai, conversa vem e tudo se resolve. O Brasil é reconhecido, internacionalmente independente, de fato, quer dizer, depois que assume a dívida de Portugal para com a Inglaterra, 3 milhões de libras esterlinas. Daí, 29 de agosto de 1825, a independência do Brasil é reconhecida.

 

Ufa! Até que enfim. E só para terminar esta prosa miúda de hoje dita independente. Em 1829, o Brasil faz novo empréstimo, para pagar os juros não pagos e muito menos as prestações. Tanto que recebe só a metade. Ou 52%. Resultado: o Banco do Brasil vai à falência. Quebra. Tanto que a dívida portuguesa, assumida pela gente, para pagar nossa independência, só é saldada em 1890, depois de mais dois empréstimos, em 1843 e 1852. Certo?

 

Entao, tá. Inté e Axé.

 

* Este programa é uma reprise de 07/09/2012.

 

Trocando em Miúdo: Quadro do programa "Em Conta", da Rádio Nacional da Amazônia. Aborda temas relacionados a economia e finanças, traduzidos para o cotidiano do cidadão. É distribuído em formato de programete, de segunda a sexta-feira, pela Radioagência Nacional. Acesse aqui as edições anteriores.