Previdência Social tem déficit de R$ 268 bilhões em 2017; despesas cresceram mais que arrecadação

02:28 Economia, Notícias 22/01/2018 - 11h37 Brasília Embed

Lucas Pordeus León

O déficit da Previdência Social bateu recorde em 2017. Somando a previdência do INSS e dos servidores públicos, o rombo alcançou R$ 268 bilhões, 16% maior que em 2016. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (22), pela Secretaria Nacional de Previdência.

 

No INSS, o valor do déficit foi 21% maior em 2017. A arrecadação do setor cresceu 4,5% em um ano, mas as despesas cresceram mais: quase 10%. O valor do rombo representa 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o dobro do registrado em 2015.

 

Já a Previdência dos servidores da União fechou o ano com um déficit de R$ 86 bilhões, segundo o governo - um aumento de quase 12% em relação ao ano anterior. Quarenta e três por cento desse déficit é da aposentadoria de militares, que ainda não entraram na reforma.

 

Segundo o secretário nacional de Previdência, Marcelo Caetano, o resultado do setor é influenciado pelo envelhecimento da população e pelas questões conjunturais, como desemprego e crescimento do PIB.

 

Sonora: “O resultado da Previdência é influenciado por aspectos conjunturais em função do maior ou menor nível de desemprego na economia, e a arrecadação cresce num ritmo mais ou menos acentuado. Mas ele é, principalmente, afetado por questões estruturais. E o fator estrutural é essencialmente influenciado pela dinâmica demográfica.”

 

Para o secretário, se a reforma não for aprovada, pode ocorrer o corte de benefícios.

 

Já críticos da reforma, como o Sindifisco, Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita, argumenta que o desemprego e a desoneração de impostos das empresas têm pressionado as contas. A opinião é defendida pelo presidente do sindicato, Cláudio Damasceno.

 

Sonora: “Não se deve tratar a Previdência Social pelo lado da despesa. É preciso olhar a receita da Previdência. O próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, desde o início do ano passado, tem insistido na reoneração tributária. E o próprio Congresso tem se mostrado resistente a isso. Há uma necessidade de reonerar alguns setores da economia para que a arrecadação volte a ser uma arrecadação consistente.”

 

A reforma proposta, entre outros pontos, estabelece uma idade mínima para aposentadoria de 62 anos para mulheres e 65 para homens.

 

* Áudio substituído às 16h10 para acréscimo de informações e sonoras.