Ansiedade contribui para desequilíbrio no orçamento familiar, avalia pesquisa

02:46 Economia, Programetes 23/09/2018 - 08h37 Brasília Embed

Wellington Barros

O hábito de planejar o orçamento mensal ainda não é tão comum entre os consumidores brasileiros.

 

Cerca de um terço desconhece exatamente o quanto gasta.

 

Além disso, quase metade simplesmente ignora o valor das faturas mensais, como de água, luz e telefone.

 

Outros 37%, às vezes até deixam de pagar uma conta para comprar algo. Ainda maior, seis a cada dez pessoas, é o grupo daqueles que nem lembram o número de parcelas das compras no crédito.

 

Esses são alguns resultados de uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC, Serviço de Proteção ao Crédito. Foram ouvidos 609 consumidores com contas em atraso há mais de três meses, de todas as capitais do país e de todas as classes sociais.

 

Além de perda do emprego e queda na renda, as compras por impulso estão entre os principais motivos de atrasos no pagamento de dívidas. José Vignoli, educador financeiro do SPC, lembra que a retomada do controle das finanças envolve certos sacrifícios.

 

Sonora: “Temos aí que mudar nossos hábitos de consumo, controlar as emoções, procurar fazer um controle. Muitas pessoas acham que quando falamos em controle é alguma coisa complicada. Não é. É saber exatamente quanto se ganha, onde está se gastando. Tem que reduzir aí uma série de prazeres para colocar a vida em ordem”.

 

A ansiedade contribuiu para o desequilíbrio no orçamento dos inadimplentes em 21% dos casos e os problemas no trabalho em 13%. Outros 12% contraíram dívidas em momentos de estado emocional abalado por dificuldades financeiras, enquanto 9% passavam por problemas no relacionamento familiar.

 

José Vignoli alerta que valorizar o bem-estar imediato pode ser uma tendência, mas se a atitude não for bem pensada, pode trazer grandes prejuízos em médio e longo prazo.

 

Sonora 1 José Vignoli (23''): “O tempo vai passar. Hoje nós vivemos em uma sociedade extremamente consumista, com aplicativos, com coisas que nos deixam ligados o tempo todo e muitas vezes falta tempo para dar uma refletida. As pessoas vivem aí uma neura todos os dias, muitas vezes até sem perceber. E daqui a alguns anos vão ter a conclusão de que não há mais tempo para formar uma poupança”.

 

Cerca de metade dos inadimplentes entrevistados disseram que quase sempre cedem aos desejos e impulsos quando querem comprar alguma coisa. Entre os que se endividaram por descontrole do orçamento ou porque tiveram crédito fácil, 39% afirmam que quiseram aproveitar promoções. Já 27% excedem o orçamento para poder se embelezar. Além disso, um terço vive um padrão de vida além das reais possibilidades financeiras.

 

 

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