Município de Roraima adota as línguas Macuxi e Wapichana

04:18 Educação, Notícias 22/01/2015 - 16h08 Brasília Embed

Michelle Moreira

A partir deste ano, a população do município de Bonfim, em Roraima, passa a contar com outras duas línguas além do português. Isso porque foi aprovada no final de 2014 uma lei que torna a Macuxi e Wapichana línguas cooficiais no município.

 

A proposta vinha sendo discutida desde 2012 com lideranças das comunidades e professores de línguas indígenas que atuam na região. O diálogo com a Câmara de Vereadores se deu por meio do Instituto Insikiran, vinculado a Universidade Federal de Roraima.

 

O indígena Júlio Macuxi ressalta a importância deste reconhecimento no município.

 

SONORA

 

Professora do instituto, Ananda Machado afirma que a busca pelo reconhecimento das línguas indígenas acontece quando a comunidade passa por algum tipo de problema.

 

SONORA

 

Pela lei, a Prefeitura, em parceria com as organizações indígenas e Instituições Federais de Ensino Superior, tem até 5 anos para contratar tradutores e intérpretes indígenas.

 

Além disso deve traduzir placas de sinalização, oferecer atendimento à população nessas duas línguas, traduzir as Leis municipais e financiar publicação de livros nas línguas Macuxi e Wapichana que serão usados nas escolas públicas do município.

 

Ananda Machado chama a atenção para a importância de ações como essa.

 

SONORA

 

Bonfim, com 11 mil habitantes e 40% da população indígena, é o terceiro município brasileiro a tornar línguas indígenas cooficiais. Também na Amazônia, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, foram oficializadas as línguas Nheengatu, Tukano e Baniwa.

 

No Mato Grosso do Sul, na cidade de Tacuru, o Guarani foi reconhecido como a segunda língua oficial.

 

Informações do Museu do Índio no Rio de Janeiro apontam que o Brasil corre o risco de perder, no prazo de 15 anos, um terço de suas línguas indígenas. Atualmente, os índios brasileiros falam entre 150 e 200 línguas. Devem ser extintas, até 2030, de 45 a 60 idiomas.

 

A reportagem tentou entrevistar algum representante da prefeitura ou da Câmara de vereadores de Bonfim, para explicar como será feita a implantação das medidas impostas pela Lei. Mas em nenhum dos locais os telefonemas foram atendidos.

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