Na Trilha da História: Revolução Pernambucana completa 200 anos com legado para luta pela liberdade

06:15 Educação, Programetes 08/03/2017 - 12h11 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá! Eu sou a Isabela Azevedo e hoje o Na Trilha da História lembra a Revolução Pernambucana. Nesta semana, há duzentos anos, padres e maçons de Pernambuco lideraram um dos movimentos mais marcantes da luta dos brasileiros em favor da liberdade!

 

Quem vai nos dar detalhes sobre esse assunto é o historiador George Cabral, doutor em História pela Universidade de Salamanca, na Espanha, professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Um dos principais motivos de insatisfação dos revolucionários era o valor abusivo dos impostos cobrados pela coroa portuguesa, já instalada no Brasil.

 

Sonora: "Todos os meses, Pernambuco envia para o Rio de Janeiro a partir de 1808 um superávit da sua balança comercial. Pernambuco estava vendendo muito açúcar e muito algodão neste momento e este superávit acaba sendo destinado, parte dele, para a corte do Rio. Tudo isso misturado dá essa caldo de cultura, esse cenário no qual as ideias ilustradas, as ideias oriundas da França encontram adeptos."

 

A Revolução Pernambucana de 1817 também ganhou o nome de Revolução dos Padres, por causa do grande número de sacerdotes envolvidos no movimento. Um dos principais líderes foi o Padre João Ribeiro.

 

Sonora: "O padre João Ribeiro se instruiu nas doutrinas maçônicas e as pessoas que o conheceram mais de perto afirmam que ele era um dos mais idealistas líderes da Revolução."

 

Ao suspeitar que uma rebelião estava sendo tramada, o governo determinou a prisão de diversos padres, maçons e militares. Entre eles estava o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado.

 

Sonora: "No caso do Leão Coroado, o comandante Brigadeiro Barbosa começou a destrata-lo na frente dos soldados do regimento. Começou a desqualificar os pernambucanos, a acusa-los como traidores do rei. E quando ele finalmente deu voz de prisão ao Leão Coroado, ele reagiu. Sacou a espada e matou o comandante dentro do quartel."

 

E assim, em seis de março de 1817, estava deflagrada a Revolução Pernambucana e um governo provisório foi formado. O novo comando resistiu por 75 dias, quando os portugueses retomaram o poder.

 

Sonora: "O grande erro da Revolução foi não ter se articulado de forma a garantir a defesa do território de Pernambuco. Havia homens e armas suficientes para isso, mas parece que existia um medo no governo provisório de que os militares acabassem tomando o poder, se tornando fortes demais, e acabassem sufocando essa ideia de um governo libertário. Essa organização militar não foi muito bem preparada justamente pelo temor de que os militares fizessem uma revolução dentro da revolução e tomassem o poder."

 

E quando os portugueses reconquistaram o poder, as punições foram severas.

 

Sonora: "Os principais líderes, como é o caso do Domingos Teotônio Jorge, que é o militar, o José de Barros Lima, que é o Leão Coroado, esses são julgados sumariamente e enforcados no Recife. Entre os que foram enviados para Salvador, está o Domingos José Martins, o líder civil, o José Luis de Mendonça, que também foram sumariamente fuzilados em Salvador."

 

Já o Padre João Ribeiro se suicidou antes que os portugueses o encontrassem./ Mas os militares governistas encontraram o corpo dele.

 

Sonora: "Ele se enforca, o corpo dele é enterrado, mas quando as tropas realistas chegam até lá, ele é desenterrado e a cabeça e as mãos são expostas no centro do Recife por dois anos."

 

Além do permanente desejo por liberdade, que inspirou outras revoltas mais para frente, a Revolução de 1817 deixou uma marca na cultura pernambucana.

 

Sonora: "Essa tradição libertária de Pernambuco cria uma densidade cultural que nos diferencia. Uma tradição de remonta a todos esses movimentos. Isso faz também com que o pernambucano tenha uma certa mania de grandeza. A gente brinca dizendo que aqui tudo é o mais antigo, o melhor ou o maior (risos)."

 

Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História! O episódio completo tem 55 minutos e traz, além da entrevista na íntegra com o historiados George Cabral, músicas cantadas pelo pernambucano Lenine! Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria. Se você tiver uma sugestão para o programa, envie um e-mail para culturaearte@ebc.com.br/. Até semana que vem, pessoal!

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. Tem periodicidade semanal. Acesse aqui as edições anteriores.