Na Trilha da História: Pesquisador conta bastidores de triângulo amoroso imperial

04:55 Educação, Programetes 16/08/2017 - 15h24 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá, eu sou a Isabela Azevedo e o tema do Na Trilha da História de hoje é o triângulo amoroso formado pela Imperatriz Leopoldina, pelo imperador Dom Pedro I e pela amante dele, Domitila de Castro, que ganhou o título de Marquesa de Santos. Nosso entrevistado é o pesquisador Paulo Rezzutti, autor das biografias de cada um dos nossos personagens. Ele descreve o primeiro encontro do então príncipe português Pedro de Alcântara e a austríaca Leopoldina, em 1817.

 

Sonora: "Eles se encontraram num navio. O rei dom João VI foi com a família inteira receber a Leopoldina na Baía de Guanabara. E a condessa descreve o Dom Pedro e a Leopoldina olhando um para o pé do outro e levantando o olhar de vez em quando escondido, bem tímidos. E aí, eles encontram alguns pontos de contato que aproximam os dois. Ele é um amor com ela no começo e, depois, começa a degringolar."

 

E a situação começa a degringolar a partir da independência, em 1822. Enquanto Leopoldina trabalhava para ajudar o marido a promover a separação entre Brasil e Portugal, Pedro de Alcântara conhecia a paulista Domitila de Castro.

 

Sonora: "Tem várias cartas da Leopoldina pra ele, quando ele estava em São Paulo, dizendo 'você não me responde mais', mas ele já estava entretido com outras coisas. Ele conheceu a Domitila em São Paulo, em meados de agosto de 1822. Então, antes da Independência, ele já começa a ter um caso com a futura Marquesa de Santos, ela não tinha título até então."

 

No início, dom Pedro e Domitila trocavam cartas de amor bem... apaixonadas.

 

Sonora: "No começo, ele assina como 'Fogo foguinho', 'Demonão', mas é aquela coisa do fogo, da paixão. Depois, ele vai começar a assinar 'O Imperador', 'Seu amo e senhor'".

 

A partir de 1824, o romance entre o imperador e Domitila deixa de ser escondido. No ano seguinte, o escândalo ganha as ruas do Rio de Janeiro.

 

Sonora: "Depois, na Semana Santa de 1825, ela vai tentar assistir a uma missa na capela imperial. Aí, quando ela está entrando no local, as damas do paço se levantam e a deixam sozinha. Aí, ele a nomeia dama de companhia da imperatriz. A partir do momento que ele faz isso, o Rio de Janeiro vem abaixo. Porque passa a oficializar. Imagina: 'eu tê nomeando minha amante pra trabalhar com minha mulher'."

 

E até a dinâmica da família real se adaptou para receber a família de Domitila.

 

Sonora: "Tem uma carta do Barão de Marechal, o ministro da Áustria na época, que ele descreve uma cena que acontece no Rio, em que estava todo mundo numa chácara: dom Pedro, Leopoldina, os filhos da Leopoldina, os filhos do dom Pedro com a marquesa, a Marquesa de Santos, os pais da marquesa, os irmãos dela e os filhos do primeiro casamento da Marquesa de Santos. Ele descreve essa cena e termina assim: 'de tal modo que a bigamia parece ter sido institucionalizada no país'."

 

Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História! O episódio completo traz, além da entrevista na íntegra com o pesquisador Paulo Rezzutti, músicas que tem tudo a ver com o triângulo amoroso formado por Dom Pedro, Imperatriz Leopoldina e Domitila. Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br. Se você tiver uma sugestão de tema para o Na Trilha da História, envie um e-mail para culturaearte@ebc.com.br. Até semana que vem!

 

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. É publicado semanalmente. Acesse aqui as edições anteriores.

 

* Este programa é uma reprise de 22.03.2017