Na Trilha da História: Os 100 anos da Revolução Russa e seu contexto histórico

06:54 Educação, Programetes 16/09/2017 - 08h05 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá, eu sou a Isabela Azevedo e está começando mais um Na Trilha da História! Nosso tema de hoje é a Revolução Russa, que completa 100 anos no ano de 2017. E o nosso entrevistado é o historiador Daniel Aarão, doutor em história pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de história contemporânea na Universidade Federal Fluminense (UFF). Daniel nos conta que a Revolução Russa compreende duas insurreições em 1917: uma em fevereiro e outra em outubro. O contexto era de violência, morte e miséria - consequência da participação russa na Primeira Guerra Mundial.

 

Sonora: “E a guerra começou a se transformar numa verdadeira matança. Eram milhões de soldados que estavam morrendo... feridos e mutilados. A economia russa não tinha meios de segurar os impactos daquela guerra, de sorte que a pressão foi aumentando cada vez mais e é nesse contexto que aparece a Revolução de fevereiro de 1917. É um protesto, uma ação de desespero, as pessoas estavam famintas nas cidades, estavam desesperadas."

 

A revolta popular começou a partir de uma passeata de mulheres russas, que protestavam contra a falta de comida no país.

 

Sonora: “E essa passeata não é reprimida, e isso anima as pessoas que estavam protestando contra o governo. E, então, tem um segundo dia de manifestações e, no quinto, dia o czar é derrubado. Você tem então uma revolução, que é produto de um conjunto de manifestações sociais, organizadas pelo povo, mas sem lideranças visíveis."


Até então imperava um regime imperial na Rússia, liderado na época pelo czar Nicolau II. Com a queda da monarquia, o país vivenciou uma situação inédita de liberdade.

 

Sonora: “A Revolução de Fevereiro derruba o czar e instaura uma situação de liberdade incrível porque a Rússia, que era um país oprimido, muito explorado, muito amordaçado, passa a ser a nação mais livre do mundo. Todo mundo falava o que queria, todo mundo propunha o que queria."


Nesse contexto, apareceram várias organizações sociais, incluindo grupos de camponeses, operários, soldados e marinheiros. Eles exigiam terras, controle das fábricas e a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial.

 

Sonora: “O governo provisório, em vez de lidar com as reivindicações dos movimentos sociais, ele disse para esperar a Assembleia Constituinte e o fim da guerra para depois resolver os problemas todos. Ora, os movimentos começaram a se radicalizar cada vez mais. E essa incapacidade do governo provisório de lidar com as reivindicações vai fazer com que os movimentos acabem explodindo. No campo, os campos começam não mais uma reforma agrária, mas uma revolução agrária. Começam a desapropriar na marra, na violência, as propriedades. Os soldados começam a matar os oficiais, a desobedecer ordens. E todo esse processo converge para a Revolução de Outubro."

 

Em outubro de 1917, o partido bolchevique liderado por Lênin tomou o poder no país.

 

Sonora: “Ela é uma revolução social no sentido de que realmente o governo revolucionário atende a todas as reivindicações. De modo que, ao contrário da Revolução de Fevereiro, que se desdobrou em vários dias, a Revolução de outubro vai ser rápida. Em uma noite, os soldados de Petrogrado tomam a cidade e o governo revolucionário que se constitui aprova todas aquelas medidas, consagrando juridicamente, por lei, as demandas dos poderosos movimentos sociais, formados por soldados, marinheiros, operários, camponeses e nações não russas. Todas as reivindicações são aceitas."


Mas as medidas aprovadas em prol dos movimentos sociais entravam em choque com os interesses dos grandes proprietários de terras e de indústrias. Além disso, a decisão do novo governo russo de deixar a Primeira Guerra Mundial contrariava a Inglaterra, a França e os Estados Unidos - até então aliados dos russos no conflito. Para complicar ainda mais a situação, os outros partidos socialistas se revoltaram contra os bolcheviques pela forma como eles tomaram o poder.

 

Sonora: “De sorte que você tem um processo de antagonismos, de contradições, que aparecem logo depois da revolução que vão originar as guerras civis pós Revolução de Outubro. E essas guerras civis devastam mais profundamente a Rússia. De sorte que, em 1921, ao longo dessas guerras civis, o regime que era um dos mais democráticos do mundo se transforma numa ditadura revolucionária."


Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História! O episódio completo tem 55 minutos e traz, além da entrevista na íntegra com o historiador Daniel Aarão, músicas da jovem banda russa Iva Nova. Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria. E se você quiser entrar em contato com a gente, nosso e-mail é culturaearte@ebc.com.br. Até semana que vem, pessoal!

 

 

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. É publicado semanalmente. Acesse aqui as edições anteriores.