Na Trilha da História: Como ficou o Brasil assim que se separou de Portugal

06:41 Educação, Programetes 21/10/2017 - 07h46 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá! Eu sou a Isabela Azevedo e está começando mais um Na Trilha da História! Hoje nosso tema é o Brasil do século 19, mais especificamente o período em que o país era um império. Nossa entrevistada é a historiadora Miriam Dolhnikoff, doutora em História pela Universidade de São Paulo, professora do Departamento de História também na USP e autora do livro História do Brasil Império, lançado pela editora Contexto. Ela lembra o desafio enfrentado pelo Brasil a partir de 1822, quando se separou de Portugal.

 

Sonora: “O principal desafio era se transformar em Brasil porque o Brasil ainda era uma colônia. E, ao fazer a independência, era preciso organizar um Estado... Saber se seria mantida a escravidão ou não, se a América portuguesa viraria um só país ou se fragmentaria em diversos países, qual seria o regime, monarquia ou República...”

 

Dom Pedro I reinou até 1831, quando abdicou do trono em favor do filho. Como o príncipe Pedro ainda era criança, regentes passaram a governar em nome dele. Esse período regencial foi tenso: várias revoltas explodiram em todo o território.

 

Sonora: “Tiveram revoltas de diversos tipos. Tiveram revoltas de homens livres pobres insatisfeitos com suas condições de vida, de estarem submetidos à violência dos grandes proprietários e dos Estados, como a Cabanagem no Pará, a Balaiada no Maranhão. Houve também uma importante revolta de escravos, que foi a revolta dos Malês em Salvador, em 1835. E houve também revoltas das elites de algumas províncias, que foi o caso da Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul."

 

Cabanagem, Revolta dos Malês, Revolução Farroupilha... As várias revoltas impuseram muitos desafios aos governantes.

 

Sonora: “O primeiro passo era reprimir essas revoltas para garantir a manutenção da ordem escravista. Em segundo lugar, o medo da fragmentação do território. A unidade da América portuguesa em um só país, como conhecemos hoje não estava dada, ela foi uma construção. A América portuguesa poderia ter se divido em vários países."

 

Em 1840, políticos liberais e conservadores concordaram em adiantar a maioridade do príncipe e, com apenas 14 anos, dom Pedro II assumiu o controle do império.

 

Sonora: “Então essas diferenças na elite foram um dos motivos da antecipação da maioridade de dom Pedro II. Uma briga entre os liberais e os conservadores. Mas também a maioridade do imperador era vista como uma forma de enfrentar essas reformas."

 

A escravidão foi uma das grandes marcas do Brasil Império. Foi só na segunda metade da década de 1860 que um movimento abolicionista começou a ganhar força.

 

Sonora: “As revoltas escravas vão aumentando em número, em intensidade e organização. No interior da elite, também cresce a percepção que não daria para continuar por muito mais tempo. Havia uma opinião pública internacional contrária à escravidão..."

 

Ao longo dos 49 anos desse segundo reinado, a identidade brasileira começou a ser construída.

 

Sonora: "O Brasil foi uma construção do século XIX. Mas encontraram uma sociedade ainda muito marcada pela escravidão, muito desigual e que ainda estava aprendendo a fazer a política moderna."

 

Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História. O episódio completo tem 55 minutos e traz, na íntegra, a entrevista com a historiadora Miriam Dolhnikoff, além de músicas de Henrique Alves de Mesquita. O músico carioca nasceu em 1830 e ganhou uma bolsa do imperador dom Pedro II pra estudar na França. Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria. E se você quiser entrar em contato com a gente, nosso e-mail é culturaearte@ebc.com.br. Até semana que vem, pessoal!

 

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. É publicado semanalmente. Acesse aqui as edições anteriores.