Na Trilha da História: Inconfidência Mineira, a insurreição que buscou a independência do Brasil

06:25 Educação, Programetes 21/04/2018 - 07h24 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá, eu sou a Isabela Azevedo e está começando mais uma versão reduzida do Na Trilha da História! Vinte e um de abril é dia da execução de Tiradentes e feriado nacional. E, por isso, nosso assunto de hoje é a Inconfidência Mineira. Nosso convidado é o jornalista e escritor Pedro Doria, autor do livro 1789 - A História de Tiradentes e dos contrabandistas, assassinos e poetas que lutaram pela independência do Brasil.

 

Pedro explica que a Inconfidência Mineira foi uma tentativa de revolução liderada por contrabandistas, militares e intelectuais mineiros contra a Coroa Portuguesa, em 1789. O motivo: os altos impostos cobrados por Portugal, especialmente em relação ao Ouro.

 

Sonora: "Minas Gerais era um dos lugares mais ricos do mundo. Era a exportadora do ouro que não só fez a fortuna de Portugal, como literalmente financiou a construção do Império Britânico. Agora você imagina toda a elite desse lugar decidindo se unir para fazer um movimento para fazer a independência? Aí começa a complicar. Não sabemos exatamente o tipo de independência que eles queriam. Era a independência do Brasil todo? Só de Minas Gerais? Mas não dava, precisava ter um porto, então provavelmente tinha um acordo com Rio e São Paulo..."

 

Pedro explica como funcionava a coleta do quinto, ou seja, dos 20% de todo ouro extraído em Minas com destino à coroa portuguesa.

 

Sonora: “Todos os impostos, com a exceção do quinto, eram de responsabilidade do contratador. Então, por exemplo, se existe uma dívida relacionada ao dízimo, o imposto da igreja, o responsável é o contratador que tinha o contrato daquele imposto. O quinto não. A maneira como a coroa portuguesa lidava com o quinto, em particular. ou seja, com aquele valor de 20% de todo ouro descoberto em Minas, aquilo era 'você tem um número xis, divide pela população de Minas e cada um tem de entrar com a sua parte."

 

Naquela época, a quantidade do metal extraído das minas caía a cada ano, mas a monarquia exigia receber o mesmo montante em tributos, além da quitação das dívidas antigas.

 

Sonora: “Ouro é uma coisa finita. No início do século XVIII tem uma quantidade abissal de ouro em Minas, mas quando a gente começa a chegar ali na década de 1760, 1770, 1780, começa a sair menos ouro de Minas. E aí a gente não está falando mais de contrabando, tem menos ouro mesmo! Só que ninguém previu que o ouro ia acabar. Todo mundo tava endividado e tinha prometido para a Coroa uma quantidade de dinheiro que não tinha como acabar. E Minas começa a se aproximar de uma crise econômica. Então, o grosso da dívida estava na mão dos contratadores, mas como faltou dinheiro para pagar as expectativas que a Coroa portuguesa tinha em relação ao quinto, essa era uma dívida que cabia a todos os mineiros."

 

Descobriu-se que o governo pretendia decretar a derrama. Ou seja, os fiscais do governo iriam confiscar ouro e bens de toda a população de Minas, não apenas dos maiores devedores.

 

Sonora: “Executar a dívida dos contratadores. mas executar também a dívida do quinto. E como se faria isso? Pela derrama. E a derrama seria uma brutalidade. Seria os soldados saindo de casa em casa pegando as coisas, como se fosse um grande saque à casa de todo mundo autorizado pela Coroa."

 

Algumas dezenas de homens ricos, em conluio com poetas e militares, como o alferes Tiradentes, tramaram um plano: assim que a coroa decretasse a derrama e tentasse coletar à força os impostos de todo o povo de Minas, o grupo lideraria a revolução.

 

Sonora: “No momento que o governador decretasse a derrama, toda a população de Minas estaria contra isso. Se alguém se vira e fala 'vamos fazer a revolução!', todo mundo se junta na hora!" 

 

Mas deu tudo errado. O esquema foi descoberto e várias pessoas foram punidas, em especial Tiradentes, único réu confesso da insurreição.

 

Sonora: “Tiradentes é o único maluco que é réu confesso. Fala que conspirou contra a Coroa e que era o líder da revolução. E ele não era o líder. Ele tem esse impulso de assumir a responsabilidade por tudo." 

Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História! O episódio completo tem 55 minutos e traz, além da entrevista na íntegra com o escritor Pedro Doria, músicas que tem tudo a ver com a inconfidência mineira. Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria. E se você quiser enviar uma mensagem pra gente, nosso e-mail é culturaearte@ebc.com.br./ Até semana que vem, pessoal!

 

 

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. É publicado semanalmente. Acesse aqui as edições anteriores.