Na Trilha da História: Índios e negros, molas propulsoras da riqueza de Portugal no Brasil Colônia

05:35 Educação, Programetes 29/04/2018 - 13h19 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá, eu sou a Isabela Azevedo e está começando mais uma versão reduzida do Na Trilha da História! Hoje, nosso tema é a exploração econômica no Brasil colonial.

 

Vamos falar sobre o pau-brasil, a cana-de-açúcar e o ouro. Mas esta não é uma história de glórias e riquezas. É sim uma história que foi construída em cima de muito trabalho e sofrimento indígena e africano. Nosso entrevistado é o historiador André Honor, mestre em história pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), doutor em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professor e um dos coordenadores do curso de história da Universidade de Brasília (UNB).

 

André começa nosso papo comentando que o pau-brasil costuma ser lembrado pelos livros de história como o primeiro produto a gerar o interesse dos portugueses nas terras descobertas por Cabral. A madeira avermelhada era matéria-prima para a produção, por exemplo, de tintas para tecidos. Os indígenas derrubavam as árvores e entregavam o material para os portugueses. Em troca, recebiam produtos fabricados na Europa.

 

Sonora: "A gente vê nos livros de história que os índios aceitavam bugigangas. Não é bem assim. Você imagine que um índio para cortar uma árvore com machadinho de pedra, quanto tempo ele não demorava para cortar essa árvore? Então chega o elemento português ou estrangeiro e lhe oferece um machado, se ele demorava quatro horas para cortar uma árvore, ele passa a cortar em 15 minutos. Tem super valor pra ele."

 

Ainda na primeira metade do século 16, Portugal decidiu explorar a mão de obra e as terras brasileiras para cultivar uma outra matéria-prima: a cana-de-açúcar. Os engenhos se multiplicaram no Nordeste ao longo dos séculos XVI e XVII. Os índios, que antes trabalhavam na base da troca de produtos, passaram a ser escravizados. Mas logo os colonizadores europeus trocaram a mão de obra escrava indígena pelos negros africanos.

 

Sonora: "Então, o que os portugueses vão fazer? Eles vão se aliar a índios que têm rivalidades com outras tribos e, portanto, eles vão começar a usar esses índios rivais como mão de obra escrava. E a verdade é que os índios têm um índice de mortalidade alta com a chegada dos portugueses porque eles são suscetíveis às doenças. E eles conhecem o território, as fugas são mais constantes. E é aí que entra o elemento negro africano escravizado."

 

O tráfico negreiro cresceu tanto que virou uma forma não apenas de sustentar a monocultura da cana, como se transformou em um negócio a parte e bastante lucrativo.

 

Sonora: "Então, além de abastecer a indústria do açúcar, é ao redor desse ser humano que é retirado da África e colocado num ambiente desconhecido que o nosso Brasil vai se formar. A escravidão vai permear todas as nossas relações sociais. A sociedade colonial, e a gente sente isso até hoje, ela é baseada no sistema da escravidão."

 

Por volta de 1690, um outro produto atiçou a cobiça dos colonizadores: o ouro. O tráfico de escravos se intensificou ao longo do século XVIII para atender a região das Minas.

 

Sonora: "E você necessita de grande número de escravos para explorar porque depois que acaba o ouro superficial, você precisa fazer verdadeiras obras hidráulicas pra desviar o rio e escavocar e achar o ouro que vem no cascalho. Ele tem de passar por um processo para poder tirar o

 

Assim foi construída a história da extração das riquezas brasileiras: a partir banalização da violência física e psicológica sofrida pelos escravos.

 

Sonora: "Nós temos uma sociedade extremamente segregada em que os negros têm pouquíssimas oportunidades. Eles, alijados na favela, eles estão no quarto de despejo da nossa sociedade, que são as favelas. Nós jogamos essa pessoas nesses locais e não demos oportunidades para elas. Isso é uma mentalidade extremamente escravista."

 

Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História! O episódio completo tem 55 minutos e traz, além da entrevista na íntegra com o historiador André Honor, músicas que têm tudo a ver com o tema. Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria. E se você quiser enviar uma mensagem pra gente, nosso e-mail é culturaearte@ebc.com.br. Até semana que vem, pessoal!

 

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. É publicado semanalmente. Acesse aqui as edições anteriores.