Universitários indígenas e quilombolas denunciam cortes no Programa Bolsa Permanência

02:58 Educação, Notícias 07/06/2018 - 15h04 Brasília Embed

Maíra Heinen

Universitários indígenas e quilombolas denunciam corte de benefícios do Programa de Bolsa Permanência do Ministério da Educação.

 

Sem a ajuda financeira, muitos correm o risco de não terminar a graduação. De acordo com o MEC, a oferta este ano é de 800 novas bolsas. Mas, segundo os indígenas, a demanda é de cerca de 5 mil estudantes.

 

Alguns alunos já estão há quatro meses sem a bolsa, que é de R$ 900. É o caso de Luana Kumaruara, do curso de antropologia da UFOPA - Universidade Federal do Oeste do Pará.

 

Ela explica que muitos, como ela, pararam de receber a bolsa antes de terminar o curso, ainda que o Decreto 389 de maio de 2013, que regulamenta o programa de bolsas, determine que a ajuda será ofertada até dois semestres além do tempo regulamentar da graduação. Para Luana, é preciso saber interpretar o que seria o tempo regulamentar do curso para o indígena. Ela acredita que, a própria especificidade cultural pode atrasar a conclusão da graduação.

 

Na capital federal, mais de 600 estudantes da Universidade de Brasília correm o mesmo risco de não concluir a graduação. O diretor de Desenvolvimento Social da UnB, Pedro Vieira, afirma que inicialmente os indígenas sentem dificuldade para questões básicas como alimentação e moradia. E que, em um futuro próximo, pode haver evasão.

 

O diretor alerta que a UnB sente falta de informações oficiais do MEC sobre a situação.

 

Em nota, o Ministério da Educação respondeu que Programa Bolsa Permanência vem sendo executado normalmente, sem corte ou descontinuidade. Ressaltou ainda que  está mantendo e pagando regularmente as bolsas para os todos os cerca de 18 mil estudantes do Programa.

 

Ainda segundo o Ministério, em 2017 houve o pagamento de mais de R$ 170 milhões em bolsas permanência e que este ano, o valor ultrapassa R$ 56 milhões.