Indígenas do Xingu produzem alimentos com certificação orgânica

02:35 Geral, Notícias 03/09/2015 - 16h10 Brasília Embed

Maíra Heinen

Nesta semana o Parque do Xingu, que fica no Mato Grosso, se tornou a primeira terra indígena do país a oferecer alimentos com certificação orgânica, livre de agrotóxicos.

 

Representantes de diversas etnias estiveram, nesta quinta-feira, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para receber o certificado do mel que é produzido dentro da reserva.

 

Atualmente, são mais de cem apicultores, moradores de 30 aldeias nas porções norte e leste da Terra Indígena.

 

Wareaiup Kaiabi está animado com as novas possibilidades que o selo orgânico pode trazer. Ele destaca que a produção sustentável se dá com o respeito às abelhas.

 

Sonora: A gente tem esse cuidado hoje, da nossa natureza e desses insetos também. A gente não derruba mais madeira pra tirar as abelhas. A gente faz uma divisão de caixa pra caixa. Então a gente tá cuidando bastante. Por que isso? É ela que vai fazer a polinização para aumentar a produção da natureza, do fruto e da fruta que nossos filhos e até mesmo nós, comemos.

 

Além do mel de abelhas africanas, comum nos mercados do Brasil, os índios do Xingu também comercializam o mel das abelhas nativas da região. Futuramente eles também vão comercializar o óleo de pequi e pimentas orgânicas.

 

O coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Rogério Dias, ressalta que a venda de orgânicos está crescendo em quantidade e diversificação em todo o país. Ele acredita que o selo dado a um grupo indígena desmistifica o processo de certificação dos produtos.

 

Sonora: Muitos produtores ainda acham assim: 'Ah não, ser produtor orgânico é muito difícil, é muito caro.' Então a gente conseguir que tenha grupos de produtores e no caso de uma população que tem uma característica muito marcante, numa região que é distante, e você vê que eles também podem fazer. Então isso significa que vamos incentivar que outros grupos que estão na Amazônia, que estão no nordeste, que estão em locais mais difíceis de ter uma certificação, que eles também podem ter essas alternativas pra poder ter o produto colocado no mercado como orgânico.

 

De acordo com a Funai, o povo Sateré Mawé, do Amazonas, também já busca o certificado do Guaraná.

 

No caso do Parque Indígena do Xingu, o Isa, Instituto Socioambiental e a Funai assessoraram os integrantes da Associação Terra Indígena Xingu a buscar as alternativas econômicas. O selo vem do sistema participativo oferecido pelo Ministério da Agricultura.

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