Em Roraima, mulheres avançam na política, mas taxa de homicídios segue alta

04:20 Geral, Especiais 08/03/2017 - 17h17 Brasília Embed

Graziele Bezerra

As mulheres são a minoria em Roraima. A proporção no Estado é de 103 homens a cada 100 mulheres. Apesar de ser a menor parte, o público feminino está conquistando espaço em muitas cadeiras do Poder Público.

 

Em 2014, por exemplo, o estado elegeu Suely Campos, a primeira governadora da história de Roraima. Já nas eleições municipais do ano passado, Tereza Surita foi eleita, pela terceira vez, para assumir o comando da capital, Boa Vista.

 

E a presença delas não para por aí. As mulheres de Roraima também ocupam cargos importantes no Judiciário e outros órgãos de destaque. Recém-empossada na presidência do Tribunal de Justiça, a juíza Elaine Bianchi diz que a vanguarda feminina é resultado de uma geração preparada para vencer.

 

Sonora: "Minha geração já vem sendo preparada para o mercado de trabalho, então a gente vem se preparando, se especializando, vem estudando, estamos focadas. Então eu vejo isso só como uma consequência. Uma consequência do que vem sendo realizado historicamente pelas mulheres."

 

Mas tanta força política não foi capaz de esconder uma triste realidade revelada pelo Observatório da Mulher Contra a Violência, do Senado Federal. O estudo, de 2014, coloca Roraima no topo da lista dos estados brasileiros com o maior número de homicídio de mulheres. São 9,5 mortes a cada 100 mil pessoas. A covarde média nacional é de 4,6 assassinatos a cada 100 mil.

 

Para a senadora Simone Tebet, do PMDB do Mato Grosso do Sul, e presidente da Comissão Mista da Violência contra a Mulher no Congresso Nacional, os números mostram que o Brasil deve investir em políticas para zerar essas ocorrências. Políticas que só vão funcionar, de fato, se a mulher denunciar.

 

Sonora: "Como a violência é gradual, o homem começa dando um tapa na cara, depois ele começa espancando, depois é o cárcere privado, até chegar a uma situação mais grave de assassinar uma mulher, quanto mais cedo você rompe esse ciclo, menos você tem o homicídio."

 

Na capital roraimense, os casos de violência contra a mulher são compilados pela Ronda Maria da Penha, da Polícia Militar. Em atividade desde agosto do ano passado, o serviço aponta cerca de 4.700 ocorrências de violência contra mulheres, somente em 2016: A maior parte, violência física. Número pouca coisa menor que o computado em 2015, quando mais de 5.000 mulheres pediram socorro pelo 190.

 

À frente da Ronda Maria da Penha, a capitã Cyntya Loureto revela que a maioria das vítimas são pobres e boa parte das ocorrências são registradas aos finais de semana e estão intimamente ligadas ao consumo de álcool por parte do companheiro. A capitã relembra um caso em que nem os muros da casa foram capazes de esconder a violência

 

Sonora: "Um tipo de ocorrência que teve recentemente uma mulher caminhando na rua, provavelmente já fugindo da sua residência por conta de alguma briga ou algo do tipo e, na rua mesmo, na frente de todo mundo, o companheiro desce de uma motocicleta e a agride com um capacete e a deixa desmaiada e vai embora."

 

Em março de 2015, o governo de Roraima criou a coordenação estadual de políticas públicas para as mulheres. O órgão atua no combate à violência contra as mulheres, sobretudo a violência doméstica.

 

E a promessa é que até o final deste semestre seja inaugurada a primeira casa da mulher brasileira em Boa Vista. A primeira da Região Norte. A unidade vai oferecer diversos serviços para mulheres em situações de violência, como apoio psicossocial; delegacia; Juizado; cuidados com as crianças, além de alojamento, passagens e central de transportes.

 

Com produção de Joana Lima e sonoplastia de Messias Melo