Na Trilha da História: Jornada de Martin Luther King Jr marcou luta contra o racismo

05:43 Geral, Programetes 04/04/2017 - 16h33 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá, eu sou a Isabela Azevedo e está começando o Na Trilha da História. Hoje, nosso tema é Martin Luther King. Um homem que tinha um sonho: direitos iguais para negros e brancos. Nosso entrevistado é o historiador Flavio Thales Francisco, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo e professor dos cursos de Ciências Humanas e de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC.

 

Martin Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, na Geórgia - sul dos Estados Unidos. Filho e neto de pastor, ele também seguiu o caminho da liderança religiosa, mas sempre em sintonia com o ativismo político e a luta pelos direitos civis.

 

Sonora: "As articulações políticas, sejam relacionadas ao abolicionismo, ou a questões da agenda de negros livres, durante a escravidão, elas eram sempre pautadas e debatidas na Igreja e a gente pode entender um pouco da formação do Martin Luther King, que ela é religiosa e política ao mesmo tempo."

 

Martin Luther King começou a jornada na luta pelos direitos civis em Montgomery, no estado do Alabama. Foi lá que uma mulher chamada Rosa Parks se recusou a obedecer as normas de segregação racial e a ceder o lugar no ônibus a um homem branco. A atitude dessa cidadã negra abriu caminho para que o pastor King defendesse um boicote ao sistema de transporte público na cidade.

 

Sonora: "Ele ganha proeminência porque justamente ele não era um cidadão de Montgomery. Então, se acontecesse uma ameaça de violência, ele poderia pegar as malas dele e voltar para Atlanta. E ele aceitou esse papel de liderança, mas ele é neste momento apenas um jovem pastor. É com o tempo e claro com a capacidade de retórica dele que ele vai ganhando espaço no boicote de Montgomery."

 

Inspirado pelo líder pacifista indiano Mahatma Gandhi, Martin Luther King adotou um método de protesto de resistência não-violenta. Ou seja, mesmo que os manifestantes negros fossem atacados, a orientação era não revidar.

 

Sonora: "O que você tem é uma nova cultura política que utiliza diferentes ações de não-violência para atrair a atenção de liberais e, principalmente, atrair a atenção das TVs. Isso sim era muito importante e uma estratégia do Martin Luther King: de demonstrar o quanto as pessoas que aceitavam a ideologia da supremacia racial se manisfestavam de maneira violenta."

 

Essa estratégia permitiu mostrar ao país, por meio da TV, imagens chocantes de pessoas negras sendo agredidas e hostilizadas por brancos. Com esse apoio midiático, Martin e outras lideranças negras conseguiram pressionar o Congresso americano a aprovar importantes legislações.

 

Sonora: "Aí você tem a aprovação da Lei dos Direitos civis em 1964, e posteriormente, já em 1965, a Lei do direito ao Voto. São leis importantes e que vão ter um impacto porque a partir daí começa de maneira efetiva um processo de dessegregação das instituições norte-americanas. É claro, com muita pressão. Mas essas leis podem ser consideradas como marcos da militância negra nos Estados Unidos."

 

Em 4 de abril de 1968, Martin Luther King foi assassinado. Ele levou um tiro enquanto estava na varanda de um hotel em Memphis, no estado do Tennessee. King se hospedava na cidade para apoiar a greve dos trabalhadores dos serviços sanitários. A vida desse grande líder da luta pelos direitos civis terminou aos 39 anos de idade. Mas o legado e os discursos permaneceram vivos na história e inspiram até hoje o combate ao racismo.

 

Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História. O episódio completo tem 55 minutos e traz, além da entrevista na íntegra com o historiador Flavio Thales Francisco, músicas que tem tudo a ver com Martin Luther King. Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria.

 

Se você quiser enviar uma sugestão de tema para o programa, nosso e-mail é culturaearte@ebc.com.br. Até semana que vem, pessoal!