Na Trilha da História: Revolução dos Cabanos questionava independência sem direito à justiça social

05:37 Geral, Programetes 03/05/2017 - 21h05 Brasília Embed

Apresentação Isabela Azevedo

Olá! Eu sou a Isabela Azevedo e este é o Na Trilha da História! Hoje nosso assunto é a cabanagem, uma revolução social deflagrada na província do Grão Pará em 1835, durante o período regencial, ou seja, quando dom Pedro II ainda não tinha idade para assumir o trono, e o país era governado por regentes.

 

Quem nos dá mais detalhes sobre esse movimento é a historiadora Madga Ricci, pós-doutora em História pela Universidade de Barcelona e professora da Faculdade de História da Universidade Federal do Pará. Ela conta que a independência do Brasil, proclamada em 1822, gerou um contexto político e social que propiciou a revolução cabana.

 

Sonora: “Teve a independência, mas os cargos continuaram concentrados nas mãos dos mesmos portugueses, a riqueza continuou na mão dos mesmos portugueses e ingleses. Então, mesmo a elite local, cabocla, ela não teve acesso a nada disso, quanto mais a população mais pobre. É isso que é uma das bases que liga a independência à cabanagem."


Em 1824, um massacre ocorrido num navio - o brigue Palhaço - tornou a situação ainda mais crítica.

 

Sonora: "Uma tropa inteira reivindica uma equivalência de soldo com os portugueses e acaba massacrada, colocada no porão de um navio e morta, sufocada. Mais de 250 patriotas que tinham aderido à independência. Então, como é que pode alguém que era patriota, que era brasileiro, que aderiu à independência ser colocado num navio e morto?"


A partir desse episódio, as tensões foram crescendo até que em 1835 estoura a Revolução dos Cabanos. O movimento ganhou o nome de cabanagem porque reuniu, especialmente, indígenas, negros e mestiços que moravam em cabanas de barro cobertas por palha.

 

Sonora: “A cabanagem tem uma matriz muito importante nessa luta mestiça de índios com negros, de uma população muito oprimida durante muitos séculos de escravidão e de exploração. E essa crise foi aguda com o processo de independência, onde eles achavam que iam ter voz."


Um dos estopins da revolução foi a prisão do líder popular Félix Malcher.

 

Sonora: "O Malcher foi preso em 34, e a forma como ele foi preso chocou muito também esses liberais aqui. Ele foi preso na fazenda dele, sem uma expedição de mandado. Isso lembrava algo absolutista, não constitucional. Ele foi levado à força, com ferros, e colocado numa cadeia aqui em Belém."


7 de janeiro era dia de São Tomé. Belém estava lotada de gente. Os revolucionários aproveitaram a multidão para despistar o governo e tomar a cidade. Mataram o presidente da Província do Grão Pará e o líder popular Félix Malcher, aquele que havia sido preso, passou ao comando dos cabanos. Mas, como novo presidente, ele decepcionou os revolucionários.

 

Sonora: "Logo depois de tomar a cidade, ele disse 'vamos voltar para casa e deixar as armas'. E é óbvio que a população que o colocou lá não pensava da mesma maneira que ele. Logo em seguida, começa a haver uma briga entre seu comandante de armas e ele."


O governo cabano teve ainda dois outros presidentes depois de Félix Malcher. Até semana que vem, pessoal!


 

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. Tem periodicidade semanal. Acesse aqui as edições anteriores.

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