Empresa pede reintegração de área ocupada pelo povo Munduruku; indígenas apontam impacto de usina

02:08 Geral, Notícias 17/07/2017 - 23h52 Brasília Embed

Renata Martins

O canteiro da Usina Hidrelétrica São Manoel permanece ocupado por cerca de 200 indígenas da etnia Munduruku. A empresa responsável pelas obras entrou na Justiça Federal com pedido liminar de reintegração de posse da área ocupada.

 

Os manifestantes dizem que só saem do local quando tiverem as reivindicações atendidas.

 

Uma reunião entre o presidente da Funai, Franklimberg Ribeiro, e lideranças do movimento está marcada para esta quarta-feira (19). A fundação não deu detalhes sobre o encontro.

 

Na lista de 12 exigências estão a realização de consulta prévia sobre obras que afetem o território, a demarcação da Terra Indígena Sawre Muybu; e a criação do Fundo Munduruku. O dinheiro serviria entre outras coisas para a construção da Universidade Indígena.

 

Os mundurukus denunciam que um cemitério sagrado indígena foi violado durante as obras e os corpos retirados do local. O movimento quer que as empresas responsáveis pelas hidrelétricas São Manoel e Teles Pires devolvam as urnas funerárias.

 

Kabaiwun Munduruku, que está na ocupação, reclama dos impactos da obra.

 

Sonora: “Primeiro foi destruído nossos lugares sagrados e a gente sofre com isso. E outros impactos é a diminuição dos peixes, desmatamento muito grande. Diminuiu o número de peixes, quando a gente pega o peixe, o peixe não esta normal, tá magro.”

 

A ocupação teve início nesse domingo. A Usina Hidrelétrica São Manoel está sendo construída no rio Teles Pires, na divisa dos estados de Mato Grosso e Pará.

 

Nesta segunda-feira 917), o povo Munduruku divulgou uma carta. O documento diz que os manifestantes estão abertos ao dialogo e permanecem na ocupação de forma pacífica.

 

A Empresa de Energia São Manoel informou que segue em tratativas com o povo Munduruku e também com os órgãos competentes. Disse que está comprometida em encontrar uma solução que garanta a segurança das comunidades locais, colaboradores e do empreendimento.