Casos de leishmaniose visceral põe município do TO em alerta

03:16 Geral, Notícias 14/09/2017 - 12h18 Brasília Embed

Renata Martins

Uma cidade no Tocantins está em alerta devido o alto índice de casos de leishmaniose visceral em humanos e animais.


Neste ano, Tocantinópolis notificou mais de 50 casos em humanos de leishmaniose visceral, o calazar. Dez casos foram confirmados: seis em adultos e outros quatro em crianças menores de dez anos.


Mais da metade dos cães examinados na cidade estão com a doença, o que tem preocupado autoridades em saúde.


Eles são um dos principais hospedeiros da leishmaniose. Ao picar o cachorro contaminado pelo parasita, o mosquito palha pode transmitir a doença se ferroar humanos.


De acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Tocantinópolis, Vandecy Soares, a maioria dos cães não vive na rua. São domésticos. É justamente aí que ocorrem os principais entraves. A eutanásia dos animais contaminados é única forma de controle da doença oferecida pelos órgãos públicos.


“Cada dono de casa, tem um, dois, três, quatro, cinco cães. E é justamente por isso que está com dificuldade. Para gente está sendo muito complicado, por isso. A gente tem muita resistência dessas pessoas de entregar o animal. Colocar a vida das pessoas em risco por causa de um animal que você gosta, se o mais importante é a vida humana?”, questionou Vandecy.


Dos 542 cães diagnosticados com calazar em Tocantinópolis, até agosto, menos de 300 foram submetidos a eutanásia. Defensores dos animais são contrários a medida. O tema é polêmico até entre veterinários.


O mercado dispõe de vacina e medicamento para o tratamento. Mas eles não são disponibilizados pelo serviço público. De acordo com Vandecy, o custo inicial do tratamento com remédio seria de cerca de R$ 1.500.


O município não é o primeiro em número de casos em humanos, no estado. Araguaína, já apresentou 32; Palmas, a capital, com 21, e Gurupi, com 11, estão à frente.


Mas Tocantinópolis tem cerca de 22 mil habitantes, o que representa cerca de 10% da população de Palmas ou Araguaína.


Apesar dos números, a técnica da Área de Leishmaniose da Secretária Estadual de Saúde, Priscila Pádua, afirma que a situação no Tocantins está controlada.


“Nós tivemos dois óbitos confirmados de leishmaniose visceral, um em Esperantina e outro em Gurupi. Quanto ao número de casos, nós temos hoje 156 notificados.”


De acordo com o Ministério da Saúde, o número de casos de leishmaniose visceral no Brasil caiu 9%. Os dados são até 2015.


Além do cuidado com os cães, a população deve manter as casas e quintais limpos, principalmente livre de material orgânico como restos de alimento e fezes de animais. A entrada dos agentes para borrifar o veneno também deve ser facilitada.


E fica o alerta, em caso de febre por mais de sete dias, perda de peso e inchaço abdominal, procure um médico.