Reserva de desenvolvimento sustentável no Amazonas mostra caminho para gerar renda sem devastação

04:41 Geral, Especiais 05/09/2017 - 16h36 Brasília Embed

Bianca Paiva

No Dia da Amazônia, vamos conhecer uma reserva de desenvolvimento sustentável no Amazonas que é modelo no país e no mundo. Além de zerar o desmatamento, o projeto desenvolvido na área tem promovido a geração de renda e a defesa da floresta pela comunidade local:

 

Na contramão do crescimento do desmatamento, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, às margens da BR-319, no Amazonas, vem registrando nos últimos anos redução das taxas de devastação. Os dados mais atualizados do governo federal são de 2015 e mostram que não foi registrado nenhum novo desmatamento.

 

A diminuição é atribuída à implantação, em 2008, do primeiro projeto brasileiro de REDD, que significa Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa provenientes do Desmatamento. No mesmo ano, a iniciativa, idealizadas pela FAS, Fundação Amazonas Sustentável, foi a primeira do país e do continente americano a receber um certificado internacional. O coordenador do programa de Soluções Inovadoras da ONG, Victor Salviati, explica a base do projeto.

 

Sonora: “A gente viu que se nada fosse feito, de 2008 a 2050, que é o nosso cenário, seria desmatado quase 66% da reserva e seriam emitidos algo em torno de 189 milhões de toneladas de carbono. Esse desenho foi feito com três eixos para tratar os vetores do desmatamento: primeiro um investimento estruturante em geração de renda, programas comunitários e geração de emprego, o segundo investimento em capacitação e educação formal e o terceiro é desenvolvimento científico e monitoramento."

 

Por meio do REDD, empresas nacionais e internacionais apoiam atividades de redução de desmatamento e de emissões na Reserva do Juma, que é um mecanismo financeiro para geração de créditos de carbono. Atualmente, o projeto beneficia 476 famílias, cerca de duas mil pessoas, divididas em 38 comunidades em áreas remotas. De acordo com Victor Salviati, elas recebem apoio para produção, principalmente, de farinha, açaí, castanha e pesca artesanal e ainda um pagamento pelos serviços ambientais, por meio do Programa Bolsa Floresta.

 

Sonora: "A Fundação acredita muito que a conservação da floresta está ligada às pessoas, são os guardiões da floresta. A gente dando oportunidade dessas pessoas sonharem, dando educação de qualidade, infraestrutura produtiva, capacitação, comunicação e transporte, essas pessoas conseguem viver melhor. E quem vive melhor faz a melhor gestão desses recursos naturais."

 

A Reserva do Juma foi criada em 2006 pelo governo do Amazonas e é gerenciada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Ela está situada em uma área de alto risco de desmatamento, no município de Novo Aripuanã, a 227 quilômetros de Manaus. O Secretário da pasta, Antônio Stroski, destaca o papel das comunidades como guardiãs da floresta.

 

Sonora: “Há um empoderamento dos benefícios da biodiversidade da unidade de conservação, tanto que eles estão sempre vigilantes. Sempre que há uma ameaça a integridade daquilo que eles tanto zelam, eles sempre acionam o órgão ambiental para fazer a fiscalização. Isso nos deixa muito satisfeitos com os resultados até aqui alcançados”.

 

Rosângela dos Santos Ribeiro é moradora e representante da comunidade São Félix. Ela tem 47 anos, é casada, tem oito filhos e trabalha na cadeia produtiva da farinha. Dona Rosa, como é conhecida, tem muito orgulho de contribuir com a preservação da floresta.

 

Sonora: “Aqui na nossa reserva (esse projeto) foi muito importante. Muito mesmo porque ajudou muitas pessoas financeiramente e a cuidar de onde mora. Vieram muitos projetos para os jovens também. Isso daqui é nosso. A gente tem que cuidar. Eu me sinto bem morando na minha comunidade”.

 

A expectativa do projeto na Reserva do Juma é conter, até 2050, a emissão de aproximadamente 190 milhões de toneladas de gás carbônico e evitar o desmatamento de 366 mil hectares de floresta. Até 2015, cerca de seis de milhões de toneladas de gases de efeito estufa deixaram de ser emitidas na atmosfera por meio da iniciativa.

 

Sonoplastia de Messias Melo.