Encontro em Brasília reúne lideranças indígenas e ribeirinhas da região do Xingu

03:16 Geral, Notícias 19/10/2017 - 23h27 Brasília Embed

Sumaia Villela

Cerca de 100 lideranças indígenas e ribeirinhas da região do Xingu, além de parceiros e representantes do poder público, estão reunidos em Brasília até esta sexta-feira para trocar experiências e reagir a problemas do território. É o terceiro Xingu + Diversidade Socioambiental no coração do Brasil.

 

O corredor de diversidade socioambiental do Xingu fica no Pará e Mato Grosso, e tem 28 milhões de hectares, com 21 Terras Indígenas e dez Unidades de Conservação conectadas.

 

Na quarta-feira primeiro dia do encontro, a discussão foi sobre as ameaças ao território, como desmatamentos e incêndios. Nesta quinta-feira, os participantes conheceram experiências de desenvolvimento produtivo dos povos tradicionais, respeitando princípios éticos e o ecossistema.

 

Um dos projetos está no território Indígena do Xingu, no Mato Grosso, onde se produz mel orgânico por cerca de 100 apicultores de quatro etnias diferentes. Esse mel já ganhou o mercado nacional há anos, mas para que eles conseguissem o selo orgânico, existia um custo anual que estava além da capacidade do grupo.

 

A população local, então, produziu a própria certificação. Em setembro, o projeto ganhou o Prêmio Equatorial, do PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, pelo trabalho pioneiro na autocertificação. Um reconhecimento da capacidade de autogestão das comunidades indígenas, segundo Ware Aiup, do povo Kaiabi.

 

Iniciativas de parceiros também tiveram espaço, como o selo Origens do Brasil. Com o uso da tecnologia de QR Code e a coleta de informações via celular ou tablet, foi criada uma ferramenta para dar transparência na cadeia produtiva de 17 produtos provenientes de 14 áreas protegidas do Xingu, como a castanha do Pará e a borracha.

 

O consumidor do produto rastreia o QR Code presente na embalagem e conhece os rostos e histórias dos produtores, a região onde se produz e se certifica que aquela compra não financia relações de exploração humana e ambiental degradantes. A coordenadora do Origens do Brasil, Patrícia Gomes, fala dos objetivos do selo.

 

Nesta sexta-feira os participantes do encontro devem construir um documento para manifestar preocupações e propostas para a região do Xingu, para os povos tradicionais e a preservação da biodiversidade brasileira.