Em audiência pública na Alerj, professores da Estácio denunciam abusos em demissões; advogados negam

02:45 Geral, Notícias 19/12/2017 - 12h28 Brasília Embed

Joana Moscatelli

Professores da Universidade Estácio de Sá, demitidos no início de dezembro, denunciaram abusos cometidos pela direção durante o processo de desligamento. Os relatos foram feitos durante audiência pública realizada nessa segunda-feira (18), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no centro da capital fluminense. Há 15 anos na Universidade, a professora Vera Lúcia Bártoli considerou como desumana a forma como foi demitida.


Sonora: “Eu ia aplicar a última prova, e, quando cheguei na sala de aula, a sala estava cheia de professores. Ninguém pôde subir pra aplicar prova porque a gestão do campus pediu que todos os professores esperassem porque ia conversar com alguns. Isso foi muito constrangedor. Porque eu tinha muito orgulho de trabalhar na Estácio, mesmo. E, por último, agora, nessa gestão, tenho só vergonha, frustração, decepção.”


Outro demitido no Rio, o professor Carlos Mordoch, ajudou a construir a Faculdade de Arquitetura da Estácio.


Sonora: “Temos relatos nesse momento que vários professore foram retirados de sala de aula, alguns aplicando prova, outros no meio da aula, outros numa banca de trabalho final de graduação. Ou seja, desnecessariamente, expondo os professores, colocando os alunos também em uma situação constrangedora, o que nos coloca uma segunda pergunta: professores foram avisados da demissão antes do fim do período letivo, coisa que deixou em aberto notas, bancas de avaliação, orientação de trabalhos. Quem demitiu assim nunca entrou numa sala de aula.”


Durante a audiência, o presidente da Comissão do Trabalho da Alerj, Paulo Ramos informou que a Estácio de Sá conseguiu, nessa segunda (18), manter a demissões na Justiça do Trabalho por meio de recurso.


Sonora: “Está preocupada somente com o lucro, se distanciou de seu papel social. Como é que demite professores dessa maneira truculenta e irresponsável. Nós vamos tomar as providências que nos foram solicitadas pelos professores e sindicatos.”

 

Nenhum representante da reitoria da Estácio esteve na audiência. Os advogados da universidade não quiseram gravar entrevista, mas, durante a reunião, defenderam como legal o processo que demitiu, somente no Rio de Janeiro, em torno de 300 professores. Em todo o Brasil, foram demitidos 1,2 mil educadores.

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