MP do Rio conclui que gravações do presídio em que estava Garotinho podem ter sido manipuladas

02:05 Geral, Notícias 21/01/2018 - 10h56 Rio de Janeiro Embed

Ìcaro Matos

As gravações do sistema de monitoramento da Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, podem ter sido manipuladas no dia em que o ex-governador do Estado Anthony Garotinho alega ter sido agredido dentro do presídio, na madrugada de 24 de novembro do ano passado. Esta é a conclusão de uma perícia feita pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o laudo, há fortes indícios de interferência humana na gravação do fluxo de imagens.

 

Os peritos apontaram que a câmera 4, uma das que monitora a galeria B, onde estava Garotinho, teve a gravação interrompida por volta de meia-noite e só voltou a funcionar quase às duas da madrugada, ou seja, ficou inoperante justamente no período em que a suposta agressão teria ocorrido. Já a câmera 3, que também monitora a galeria B, teve a imagem congelada no mesmo período.

 

Outra incompatibilidade encontrada pelos peritos foi o fato de a câmera 4 registrar as imagens de Garotinho batendo palmas para alertar os agentes penitenciários depois do suposto ataque, ação que não foi gravada pela câmera 3, que também cobria a área.

 

Além disso, o laudo aponta ainda que a câmera 12 , que fica no pátio e cobre a entrada da Galeria B, também foi desligada por volta de meia-noite e só voltou a funcionar quase às duas da madrugada,  impossibilitando ver se alguém entrou ou saiu do pavilhão no período.

 

O laudo será anexado ao inquérito policial criminal que apura o caso e que ainda está em andamento. No mesmo dia da suposta agressão Garotinho foi transferido para o Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio, mas atualmente está em liberdade, beneficiado por um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no processo em que o ex-governador é acusado de crimes eleitorais.

 

A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e a defesa de Garotinho foram procuradas para se manifestar sobre o assunto, mas não responderam até o fechamento da reportagem.
 

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