Beija-Flor é a campeã do carnaval do Rio

04:01 Geral, Notícias 14/02/2018 - 17h36 Rio de Janeiro Embed

Fabiana Sampaio

Os enredos de protesto foram os grandes vencedores do Carnaval carioca. Tanto a campeã, a Beija Flor de Nilópolis, como a vice, Paraiso do Tuiuti, levaram para a avenida a crítica política e social e emocionaram a marquês de sapucaí. 

 

Protestos contra a reforma da previdência também estiveram presentes nas arquibancadas do sambódromo durante a apuração dos desfiles nesta quarta-feira de cinzas, com palavras de ordem e  faixas misturadas  às bandeiras das escolas. 

 

É o decimo quarto título da azul e branco, de Nilópolis, na baixada fluminense, que arrastou  uma multidão ao fim do desfile.   Com o  enredo “Monstro é aquele que não sabe amar, os filhos abandonados da pátria que os pariu”, a Beija Flor abordou a corrupção no pais, questões sobre a  a ecologia, intolerância, homofobia, e violência, levando para a avenida cenas que chocam o rio de janeiro corriqueiramente.

 

Em uma ala, a encenação de um banquete com homens de terno preto com um pano branco na cabeça faziam alusão ao episodio conhecido como farra dos guardanapos, que envolveu o ex-goverrnador Sergio Cabral, empresários e secretários.

 

Para Marcelo Misailides, coreógrafo da comissão de frente e autor do enredo da Beija Flor , o que fica é justamente a vitória da mensagem.

 

O intérprete Neguinho da Beija-Flor afirmou que os sambas tiveram no mínimo 70% de contribuição para a vitória e que  as escolas deram voz ao povo. 

 

Já a vice-campeã, Paraiso do Tuiuti, agremiação do morro do Tuiuti, na zona norte do Rio, foi a grande surpresa do Carnaval. A escola superou o acidente no fim do ano passado que matou a radialista conhecida como Liza Carioca, além de ter deixado vinte pessoas feridas.

 

A escola emocionou o público no sambódromo com uma comissão de frente que trazia componentes que se revezavam ora como homens escravizados, ora como pretos velhos. O enredo questionava “se a escravidão no Brasil verdadeiramente acabou?”.

 

A escola trouxe a exploração do trabalho no campo e nas minas como modernas formas de escravidão e fez críticas às novas leis trabalhistas. O último carro apresentava um personagem vampiro com faixa presidencial. 

 

Para Thiago Monteiro, diretor de carnaval da escola, a escola fez uma escolha corajosa de um samba e todo o processo foi planejado para brigar  pelo título. 


Duas escolas, a acadêmicos da Grande Rio e a tradicional Império Serrano, foram rebaixadas. A campeã da Série A, Unidos do Viradouro, vai desfilar no Grupo Especial no carnaval do ano que vem. 

 

* Matéria atualizada às 22h45 do dia 14-02-18- para inclusão de informações e sonoras.