"Foi acidente. Não foi negligência", diz engenheiro sobre viaduto que desmoronou em Brasília

04:21 Geral, Notícias 07/02/2018 - 08h35 Brasília Embed

Victor Ribeiro

A região onde fica o viaduto que desabou parcialmente nessa terça-feira, no centro de Brasília, vai ficar isolada pelo menos até o dia 19. Nesse período, equipes técnicas vão fazer perícia e avaliar o que fazer com a parte da estrutura que não desabou. O coronel Sérgio Bezerra, comandante da Defesa Civil do Distrito Federal, alertou que existe risco de as demais pistas cederem.

 

Sonora: “Há risco, por isso a necessidade de escoramento.”

 

A parte do viaduto que despencou mede cerca de 30 metros de comprimento por 10 de largura. As equipes que trabalham no local vão quebrar esse pedaço em peças menores, para facilitar a remoção. A parte que não caiu será escorada com estacas de metal, até que os técnicos decidam se vão restaurar a estrutura ou se vão demolir e construir um novo viaduto no local.

 

Sérgio Bezerra explicou como será esse trabalho para escorar a via.

 

Sonora: “Isso vai virar uma espécie de um paliteiro com peças de metal saindo do chão até a da base da ponte para dar sustentação. Só a operação de escoramento vai levar alguns dias. E nem tão cedo isso aqui vai ser normalizado.”

 

A expectativa da Defesa Civil é de que a perícia leve pelo menos 30 dias para ser concluída. Por isso, as autoridades evitam especular sobre o que provocou o acidente, mas o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Henrique Ludovici, descreveu as possíveis causas.

 

Sonora: “Eventuais trincas, fissuras construídas ao longo do tempo podem ter permitido a infiltração corrosão de aço e eventualmente até o desabamento. Seis viadutos foram restaurados e havia a previsão de que este e os demais também sofressem restauração.”

 

Um relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal de 2012 já alertava sobre o risco de desabamento no viaduto. O documento apontava a necessidade urgente de reparos e manutenção da estrutura. Na noite de segunda-feira (5), cerca de 12 horas antes da queda, uma máquina do Departamento de Estradas de Rodagem estava exatamente sobre a pista que desabou, mas o DER não soube dizer que tipo de trabalho foi executado.

 

O governador do DF, Rodrigo Rollemberg, disse que o governo planejava reformar o viaduto.

 

Sonora: “Tínhamos projeto e tínhamos orçamento para a recuperação desse viaduto. Agora, certamente o orçamento desse projeto deverá ser revistos porque a situação desse viaduto é outra. Mas o importante é que havia sim o relatório do Tribunal de Contas, e o governo tomou providências. E, das obras apontadas pelo relatório do tribunal, quatro já haviam sido concluídas pelo nosso governo.”

 

Para o engenheiro civil e patologista de estruturas Dickran Berberian o que ocorreu foi uma fatalidade.

 

Sonora: “Água, sobrecarrega tudo, amolece o terreno, racha pista, força barragem. O concreto fica mais pesado quando tá encharcado, e quando tem água em cima fica pior. Eu posso considerar isso um acidente. Não foi negligência.”

 

O Eixo Rodoviário Norte-Sul, também chamado de Eixão, é a principal via expressa de Brasília. Liga a capital do país de norte a sul. O viaduto que desabou passava por cima da via que fica entre o Setor Bancário e o Setor Comercial, no começo da Asa Sul. É um local de grande circulação de pessoas.

 

A expectativa da presidente do Conselho Regional de Engenharia, Fátima Có, é de que as obras de reconstrução do viaduto durem cerca de seis meses.

 

Sonora: “Uma obra dessas é no mínimo seis meses. Mas o provável é que pelo menos o processo licitatório não vá ser demorado por se tratar de uma emergência. Tem que recuperar rapidamente até porque está no coração de Brasília.

 

Além de esmagar quatro carros, a queda da estrutura atingiu um restaurante, que recebia até 500 pessoas por dia. Um dos funcionários não quis gravar entrevista, mas relatou que, no momento do acidente, cerca de 20 clientes estavam no local. Alguns precisaram ser empurrados para fora, porque queriam filmar e fotografar o desabamento. Quase toda a estrutura do restaurante foi preservada. A única parte atingida foi um quarto que servia para os trabalhadores trocarem de roupa. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ninguém ficou ferido.