Segovia diz no STF que declarações sobre investigação envolvendo Temer foram distorcidas

02:16 Geral, Notícias 19/02/2018 - 21h30 Brasília Embed

Sumaia Vilela

O ministro do STF, Luis Roberto Barroso, intimou Fernando Segóvia, durante plantão de carnaval, a se explicar sobre uma entrevista que o diretor da PF deu à Reuters, agência internacional de notícias, que gerou polêmica.

 

Segóvia fala sobre o inquérito que investiga o presidente da República, Michel Temer. A suspeita é que o chamado Decreto dos Portos foi construído de modo a beneficiar empresas que possuem concessões no Porto de Santos.


O diretor da PF indica na entrevista que a tendência é o arquivamento da investigação e defende que não há indícios de que a empresa foi beneficiada com o decreto e qual foi a compensação dada ao presidente.

 

O diretor geral da PF afirmou ao ministro que as declarações feitas à Reuters foram “distorcidas e mal interpretadas”, e que não pretendeu antecipar conclusões do inquérito ou induzir o arquivamento da investigação.


Declarou também que não teve a intenção de ameaçar com sanções o delegado encarregado do inquérito. Por fim, Segovia se comprometeu a não se manifestar mais a respeito. Barroso determinou que a manifestação escrita do diretor geral seja juntada aos autos.

 

No despacho, o ministro afirma que a conduta, se confirmada, é imprópria e poderia ser caracterizada como infração administrativa e até mesmo penal. Isso porque o Segovia se manifestou sobre uma investigação ainda em curso.

 

Também nesta segunda-feira, a Comissão de Ética da Presidência da República anunciou que vai dar dez dias para que Fernando Segovia explique suas declarações, como afirmou o presidente da comissão, Mauro Menezes. 


A denúncia foi apresentada pelo deputado federal Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara.. A comissão de ética pode aplicar censura ou advertências a autoridades do Executivo Federal caso seja constatado que a conduta da pessoa foi antiética. As medidas não têm poder punitivo. A intenção é marcar o currículo do gestor com a má conduta.